Pop & Art

Fãs brasileiros de Amy Winehouse lembram partida e promovem exposição '27 Rosas'

Gustavo Paffaro e Pat Kaapor
Fãs brasileiros de Amy Winehouse [1983-2011] vão promover nesta terça-feira, dia 23 de julho, das 10h às 22h, a exposição de quadros 27 Rosas em tributo aos dois anos de partida da cantora britânica, na livraria Saraiva de Natal, Rio Grande do Norte. Ao todo serão 27 criativas e incríveis obras de artistas do Brasil, Alemanha, Nova Zelândia e Argentina, que simbolizam os 27 anos de vida da diva do soul.

A data marca também o lançamento da edição brasileira da homônima 27 Rosas, desenhada por Peter Jurik, que atualmente mora no Canadá e visa arrecadar fundos para a Fundação Amy Winehouse. A imagem, feita a lápis traz a cantora em frente a rosas, pode ser adquirida clicando aqui.

“Planejava um encontro de fãs no dia 23 e recebi um e-mail do grupo Jurik Designs, que tinha a ideia de vender copias das artes em tributo a Amy para a fundação. Como o fã-clube Trouble é conhecido internacionalmente, pensamos na exposição e na divulgação. É uma forma de homenagear e ficar sempre perto dela”, diz o presidente do fã-clube Alexandre Ferreira, de 26 anos, ao NLucon.

Dentre as obras, está a de Vivi Yamabuchi, que mostra Amy olhando para as tatuagens, que tomam asas e vão em direção ao céu. “É como um sinal de libertação de suas provocações”, diz. De acordo com Vivi, é um prazer participar da 27 Rosas, tanto por homenagear um ícone quanto pelo caráter filantrópico. “Amy veio para nos conquistar e encantar com seu incrível talento e infelizmente nos deixou muito cedo, chocados pela perda trágica de uma estrela tão brilhante”.


Pat Kaapor, artista carioca que mora há 10 anos na Alemanha, declara que a sua imagem foi um dos primeiros desenhos temáticos de sua carreira e que considera a artista um anjo. “A primeira vez que ouvi Amy pensei estar ouvindo uma nova artista soul negra. Fiquei impressionado, comprei o CD e passei a seguir sua carreira", conta. 

"Sua batalha pessoal contra as drogas me fez acreditar que ela não se tornaria mais uma Janis Joplin ou Jimmy Hendrix, cujas perdas jamais foram preenchidas na música mundial. Sempre senti carinho e acho que ela precisaria apenas de um abraço e ouvidos atentos, mas enfim, ela se foi, mas sua luz e sua música jamais se apagarão”.

Outros artistas são Manohead (caricaturista, ilustrador e artista plástico de SC),  Gustavo Paffaro (ilustrador de SP),  Hayley Heartbreak (artista da Nova Zelândia), Marcelo Gomes Kleitson Venâncio (artista plástico do Tocantins), Renato Stegun, Sergio Raul Morettini, Aeverton Dantas, Georgio Nascimento, Taynara Medeiros, Werban Freitas, Rhuama Gomes, e Shirley Melo, todos do Rio Grande do Norte.

“Amy é como uma amiga que me conta todos os seus medos”

Formado em gastronomia e gerente de um restaurante de Natal, Alexandre Ferreira é o responsável por relembrar a vida e obra de Amy Winehouse no Brasil. Feliz por realizar a exposição no país, ele tem três tatuagens da artista e se prepara ir a Londres em setembro, para a comemoração dos 30 anos da cantora. Detalhe, com a família dela! De onde surgiu tanto amor? Ele conta ao NLucon:

- Dentre tantas cantoras, por que Amy? 

Realmente não sei "por que Amy?"... Ela me faz esquecer o mundo, é como uma amiga que me conta os seus problemas, os seus medos, as suas paixões...Ela realmente me completa. Já fui ao show dela em Recife e foi incrível. Fui o primeiro a entrar e fiquei bem na frente dela.

- Desde quando você organiza o grupo e é fã da artista? 

Conheci o trabalho de Amy em março de 2006, fundei o fã-clube Trouble em outubro de 2008. Começamos com apenas seis membros e hoje somos vários espalhados por mais de 20 filias no mundo todo. Sempre fazemos eventos de lançamentos de CDs, tributos...

- Para os fãs, como foi o período de rehab?

O período de Amy na reabilitação foi complicado para seus verdadeiros fãs... Sempre víamos noticias dela e eu realmente acreditava que ela iria melhorar... No dia da morte dela, eu estava em casa, uma amiga me ligou e falou "Você viu sobre a Amy?". Depois, ela foi me falando tudo e eu fiquei sem acreditar. Depois que desliguei, meu telefone não parou de tocar.

- Amy tinha alguma relação com a comunidade LGBT? 

Acredito que uma grande parte do publico da Amy é da comunidade LGBT. Apesar de ela nunca ter levantado a bandeira, como a Lady gaga, no show no Brasil, isso ficou muito evidente.

- Como é organizar um fã clube de uma artista que morreu, tendo em vista que novas produções não existem (e, se existem, tem prazo para acabar)? Acredita que serão como os eternos fãs de Elvis?

Sua música sempre vai ser eterna... Comparo muito mesmo com a relação dos eternos fãs de Elvis. Acredito que ainda vai acontecer muitos lançamento. Eu mesmo pretendo futuramente lançar um livro sobre ela. Sou um dos maiores colecionadores da Amy, tenho muitos produtos raros e vai ser incrível dividir com todos. São CDs raros, edições especiais de outros países, livros, tenho um cartão de aniversário que o pai dela me enviou em meu aniversário de 25 anos, a edição deluxe do Amy Winehouse at BBC, assinado pelos pais e irmão dela...

-Alguém irá conseguir ocupar o lugar deixado por ela? 

Não, cada um tem o seu lugar... Se os novos artistas têm lugar hoje, é porque ela deixou esse espaço. Amy mudou a história da música.
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"Amy Winehouse - 27 Rosas"
Livraria Saraiva – Shopping MidWay Mall
AV. Bernardo Vieira, 3775, Natal – RN
Exposição de 23 a 28 de julho, das 10h às 22h.
Entrada Franca

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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