Realidade

Projeto de 'cura gay' é retirado; Marco Feliciano promete volta em 2015


Autor do projeto que ficou conhecido popularmente "cura gay", o deputado João Campos (PSDB-GO) decidiu nesta terça-feira [2] pela retirada do projeto de lei da Câmara. A decisão foi tomada em uma reunião da bancada evangélica e foi confirmada pela assessoria do parlamentar.

Marco Feliciano, pastor e presidente da Comissão de Direitos Humanos, informou por meio do seu Twitter que a proposta foi inviabilizada após o PSDB, partido de João Campos, ter se declarado contra a continuidade.

O projeto, que foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos, deveria passar ainda pela Comissão de Constituição de Justiça, mas tinha poucas chances de vingar, já que interfere no Conselho Federal de Psicologia.

"Parabéns a decisão tomada pelo @depjoaocampos em retirar o PDC 234 de tramitação. O PSDB seu partido inviabilizou quando notificou ser contra. Entendeu que os ativistas, a mídia e alguns partidos invisíveis usariam o PDC 234 para tirar o foco das manifestações verdadeiras", declarou o pastor, que anteriormente disse que este foi um projeto que já nasceu morto.

Feliciano, porém, afirmou que o PDC pode voltar em dois anos. “E voltará na próxima legislatura quando teremos um número maior de deputados evangélicos. Essa perseguição de parte da mídia e dos ativistas nos fortaleceu e nosso povo acordou. Nos aguardem em 2015, viremos com força dobrada”.

DISCURSO DIFERENTE

Marisa Lobo, psicóloga que motivou a criação do projeto "cura gay", afirmou que foi ela mesma quem pediu a João Campos que retirasse a tramitação no projeto por uma questão de estratégia. "Nunca foi a intenção competir com tantos problemas de corrupção no Brasil.".

Ela afirma que pediu pessoalmente a Marco que não colocasse o projeto em votação. "Temia exatamente o que está acontecendo agora. Não posso aceitar que um projeto que nasceu para proteger profissionais de serem injustamente acusados, ou de ser deles tirado o direito de liberdade de expressão, seja usado para resolver uma situação de desgaste da política nacional".

Em seu Twitter, ela alfinetou Jean Wyllys: "Acabamos com sua festa, né? E agora como vai se promover? Acha que somos idiotas úteis mesmo? Foi estratégia pensada, querido".

JEAN DIZ QUE BATALHA FOI GANHA, MAS...

Em depoimento em seu blog, no IGay, Jean afirmou que os deputados a favor do projeto promovem uma desonestidade intelectual ao dizerem que psicólogos são impedidos de atenderem gays. Ou que o Conselho Federal de Psicologia impeça que homossexuais busquem atendimento psicológico.

"Onde está o impedimento? Está na proibição de propor tratamento de cura à homossexualidade. Não existe como reorientar a sexualidade de uma pessoa. Você pode até convencê-la a partir de proselitismos religiosos e agravar o seu sofrimento".

Para Jean, o projeto não é apenas um retorno aos tempos medievais como também institui o "charlatanismo em área tão delicada como a saúde mental, capaz de levar tantos aos sofrimento e, em casos extremos, ao suicídio. Nada disto é uma suposição, basta uma simples pesquisa. Ganhamos essa batalha, mas não podemos nos abrandar".

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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