Pride

Em documentário, ator inglês Stephen Fry se choca com Jair Bolsonaro e a homofobia no Brasil


Em 1997, o ator inglês Stephen Fry interpretou no cinema o escritor Oscar Wilde – um dos maiores dramaturgos da história, que foi condenado à prisão por “atos imorais com rapazes”. Em 2013, ele veio ao Brasil para gravar o documentário Out There, da BBC, e percebeu que “o amor que não ousa dizer o nome” continua seriamente penalizado em vários lugares do mundo, inclusive por aqui. 

Stephen, que é gay, esteve ao Rio de Janeiro para conversar com Angelica Ivo, mãe de Alexandre Ivo,  jovem que foi brutalmente assassinado aos 14 anos por um grupo de skinheads por simplesmente parecer gay. E com o deputado federal Jair Bolsonaro, um dos maiores adversários do grupo LGBT, que frisou que “nós, brasileiros, não gostamos de homossexuais” e que, por ventura, “não há homofobia no Brasil”.

Na conversa com Bolsonaro, Fry questionou o motivo de uma sociedade ter medo de gays [homofobia] e a constante utilização da palavra “normal” pelo deputado. “Há 480 espécies de animais que exibem comportamento homossexual, mas apenas uma espécie de animal na Terra que exibe comportamento homofóbico. Então, o que é normal?”.

Bolsonaro apelou para falar que a cultura brasileira é diferente da inglesa e que pretende fazer o Dia do Orgulho Hétero - salientando que Stephen jamais seria convidado.

Renata Peron e Stephen Fry
Chocado com as declarações obtidas, Fry disse que a conclusão da entrevista é que o deputado é o típico homofóbico que encontrou pelo mundo. “Com seu mantra de que os gays querem dominar a sociedade, recrutar crianças ou abusar delas. Mesmo num país progressistas como o Brasil, suas mentiras criam histeria entre os ignorantes, das quais violência pode surgir”.

Angélica Ivo também desabafou sobre o discurso de Bolsonaro: “Eu gostaria que ele explicasse a violência que o meu filho sofreu, pois mereço a lei contra a homofobia para fazer justiça no caso do Alexandre”. Confira o caso de Alexandre Ivo clicando aqui

O documentário ainda não tem previsão para ser exibido no Brasil. Mas certamente vai retratar para o mundo a seriedade do problema da política brasileira, dos discursos de intolerância e dos crimes de ódio que aqui ocorrem. Afinal, ser gay não é crime no Brasil, mas ainda é passível de preconceito, violência e morte. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

K.I.M.B.E.R.L.Y disse...

Deputado Bolsonaro um mostro em todos os sentidos! Parabéns, Stephen Fry, você sobressaiu contra esse homofóbico de tantos preconceitos, ignorância e intolerância que ele exala.

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