Pride

Casos de Família: Christina Rocha responde o que faria se tivesse um filho gay


Não é de hoje que o programa Casos de Família, do SBT, traz a comunidade LGBT entre os seus convidados. Algumas vezes contribui para a quebra de estigmas [principalmente com a psicóloga Anahí D'amico], outras reforça preconceitos [com convidados e temas que propagam homofobia], houve momentos de humor e arte [com drags e personalidades da internet] e teve até casos sérios de desserviço [como uma mulher que disse que daria veneno de rato para algum neto ou filho homossexual].

Mas o que será que a apresentadora Christina Rocha pensa de fato sobre os gays? E o que faria caso tivesse um filho gay? Em recente entrevista que fiz com a loira para um site de celebridades, soltei tais perguntas e, garantindo estar sendo sincera, Christina declarou que se chocaria em um primeiro momento, mas que jamais cogitaria discriminar um filho gay. Afinal, é uma mãe com amor incondicional.

“Aceitaria numa boa. É claro que ficaria triste e chocada em um primeiro momento, porque a mãe é preparada para assistir o casamento do filho com mulher, mas tenho horror à discriminação e morro de amor pelos meus filhos. Se ele aos 25 anos chegar e disser que é gay, eu perguntaria: “Você é feliz?”, pois é isso que importa”.

Ela diz que buscaria lidar com extrema naturalidade com a orientação do filho, inclusive aceitando possíveis namorados e enfrentando comentários homofóbicos. “Ficaria com ele até o fim, aceitaria e viraria uma leoa se alguém viesse falar mal dele. Aceitaria o namorado, tudo e o amaria com todo o amor de uma mãe que respeita demais o seu filho. A sexualidade não tem relação com o caráter”.

Na entrevista, ela também garantiu que o "Casos de Família" não é armado e que jamais se prestaria o papel de enganar o telespectador. "Eu dou a minha cara a tapa".  







OPINIÃO: Diante do pensamento gay-friendly retratado na entrevista, esperamos que, ao receber pessoas preconceituosas na atração, Christina bote sempre em prática os seus pensamentos e não se omita e nem encare com deboche alguns convidados que ultrapassam a arcaica relação sexo-sexualidade-gênero de nossa sociedade. Inclusive, estude melhor essas questões. 

Afinal, como o programa NÃO visa RESOLVER os problemas de família e nem sempre a psicóloga tem tempo necessário para debater, o que fica muitas vezes é a promoção gratuita de preconceito. Creio que mesmo em uma atração como Casos de Família é possível passar alguma mensagem. Christina já fez isso muitas vezes...

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

Anônimo disse...

Ela não escondeu que é levemente homofóbica, isso ficou mais que evidente. Aliás, veja que na suposição ela ainda reafirma o preconceito, ao cogitar que o filho se assumiria apenas quando já estivesse bastante maduro, aos 25 anos, ou seja, é aquele pensamento de "ele precisa estar bem amadurecido pra 'tomar uma decisão' assim, pois antes a cabecinha adolescente é muito confusa e cheia de dúvidas".

Sendo assim, não há dúvidas que se ela tivesse um filho gay, o mesmo sofreria bastante repressão por muito tempo, e não é difícil imaginá-la sendo mais uma daquelas mães que, sendo o filho ainda adolescente e se envolvendo com alguém adulto, resolve perseguir e até ameaçar o ficante/namorado mais velho, acusando-o de ser "pedófilo" e aproveitador da "ingenuidade" da cabecinha imatura de seu pobre filhinho "desorientado".

Todavia, esperamos que ela melhore sua postura no programa, afinal, é somente isso que nos interessa, não é?

Anônimo disse...

Pois é, se ele tiver 11, 12 ou 13 anos e arrumar um monte de "namoradinhas", é uma festa só, afinal, HÉTERO desde novinho, quanto "orgulho" aos pais... homofóbicos!

Mas pra ter um namorado, ah, aí só depois dos 25 anos e TIVER CERTEZA QUE IRÁ FAZÊ-LO FELIZ. Daí a mamãe até se esforça pra "aceitar", certo?

Que nojo desses lixos homofóbicos, dessa sociedade doente e hipócrita!

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