Pride

Máscara com a frase “Dilma Travecão” é distribuída em ato e causa debate entre ativistas


Durante o Ato Nacional pela Tarifa Zero, do Movimento Passe Livre, que ocorreu na sexta-feira, 25, máscaras personalizadas – com desenhos e frases - foram distribuídas aos manifestantes de Brasília, que reivindicavam o passagem gratuita para todos. Algumas delas chamaram atenção de um grupo de militantes LGBT. Tudo porque dizia: Dilma Travecão, referindo A Dilma Rousseff e usando o grupo trans - com uma palavra pejorativa - para atacar a presidenta. 

O ativista Hugo Honestina Fonseca, que participava do manifesto, viu a máscara e, incomodado com o conteúdo, resolveu conversar com a manifestante que distribuía. “Concordo que é preciso escancarar que o governo tem criminalizado os movimentos sociais, apoiando a repressão, porém o que me indigna é essa necessidade de chamá-la de travesti, como se ser travesti fosse uma ofensa, uma condição que a desmoralizasse”.

De acordo com o ativista, após explanar o quanto a mensagem era opressora e o termo pejorativo para as trans, a manifestante recolheu imediatamente as máscaras. “A frase que reproduzia a violência às pessoas trans não combinava com um ato que lutava por uma sociedade mais justa e democrática. A pessoa respondeu que realmente não havia parado para pensar na escrotidão do que estava distribuindo”, declara.

“E daí se a Dilma fosse uma travesti? O que há de errado nisso? Por que soa tão estranho que uma travesti seja presidenta do Brasil? Essas foram as perguntas que a luta social apresentou como demanda ontem. Que amanhã busquemos respostas, busquemos novas indagações”, reflete o ativista.

Casos similares acontecem em várias manifestações do Brasil – inclusive em atos LGBTs – em que manifestantes chamam pessoas tidas como preconceituosas ou corruptas de “viados”, “passivas” e “gays”, como se tais palavras fossem ofensivas ou dignas de uma desmoralização social. Ou seja, ser gay não é algo vergonhoso, ilegal ou errado, logo não deveria ser utilizado de maneira isolada, apenas como xingamento. Essa é apenas a reprodução do preconceito que o próprio grupo sofre. 

Por outro lado, em alguns momentos, a associação de figuras políticas com a comunidade LGBT é utilizada de forma positiva, criativa e sem preconceitos. Na Parada do Orgulho LGBT de 2013, por exemplo, houve manifestações em que pedia para "Feliciano tirar o cabelo do armário", vide as declarações consideradas racistas em seu Twitter e o fato de ele fazer chapinha no cabelo, e para "Dilma, sapatão, bota ordem na Comissão". As mensagens aparecem dentro de um contexto, provocam reflexão e não ofendem uma minoria.


Portanto, manifestações são necessárias e devem ser apoiadas. Vale a pena apenas pensar direito antes de escrever uma faixa e propor um grito. Afinal, às vezes, queremos reivindicar direitos, expor nossa indignação e quebrar preconceitos e acabamos, na verdade, reforçando outros...

Por uma vida sem catracas e sem homo-lesbo-transfobia!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Ricardo Rocha Aguieiras disse...

Não tenho a paciência que você tem, Neto! quantas e quantas vezes eu vi na minha vida a tal "esquerda" humilhar e reforçar preconceitos de forma inequívoca? Quantas? Primeiro, éramos tratados como "luta menor', pois " a luta de classes é a mais importante". Quantas vezes ouvi-os falar : "bem faz o Fidel, que manda os viados de lá para cortarem cana obrigatoriamente...", nessas últimas manifestações mesmo, vi um monte de horror que só reforça dor e preconceitos, e vai afastando toda a comunidade TLGB dessa turma. Quer ver machismo e sexismo? Vá numa reunião dessa gente... e verá muito machismo e sexismos, sempre quando querem ofender e se queixar de alguém do governo, chamam essa pessoa de "viado" ou de "puta". Enfim, me afastei... não me merecem... e isso de agora só comprova isso, que nojo total!
Ricardo Aguieiras
aguieiras2002@yahoo.com.br

Tecnologia do Blogger.