Pop & Art

Pioneiro e colorido, filme brasileiro traz quatro mulheres transexuais em busca de vingança

Laysa, Leonarda, Maitê e Bruna: vingança em Quatro e Fíntchy

Quatro e Fintchy é o nome do curta-metragem do cineasta Eduardo Colgan, em que traz quatro mulheres transexuais com sede de vingança. 
Premiado no 9º Festival Internacional de Cinema Super 8 de Curitiba, que ocorreu neste mês, ele conta com o talento, a beleza e o “trans girl power” das atrizes Laysa Machado, Leonarda Glück, Maitê Schneider e Bruna Imai – um feito inédito no cinema nacional. 

Gravado em tomada única em super 8 e com posterior sobreposição de voz [no estilo heroínas dos anos 70], o filme conta a história de quatro mulheres que tramam um plano para se vingar do namorado traficante. Leonarda, por exemplo, é a vítima que lidera a gangue. E Laysa faz o papel de Laura, uma socialite típica curitibana, com direito a topetão, acessórios e discurso nada politicamente correto. Closes, armas e muito talento não faltam na produção.

"Enxergo o curta como a linguagem de uma ideologia 'trans-feminista', transferindo o suposto poder 'fálido' do vilão, representado pelo traficante, ao poder fêmea das heroínas: homem que espanca a personagem da Leo e as amigas tramam uma ideia de vingança e executam", diz Laysa ao NLucon. Leonarda afirma que o plano é bem humorado e que faz menção ao horário 4h20. "Ele se tornou sinônimo de uso de substâncias ilícitas, como a maconha, que é justamente a droga pela qual lutamos". 


Com imagens incríveis e muitas cores, o curta está sendo bastante requisitado para exibições e promete até uma nova sequência. “Você junta um elenco maravilhoso e talentosíssimo e não tem como esperar algo diferente: o curta Quatro e Fíntchy, que dirigi, recebeu o prêmio de Super Atuação para todo o elenco! Parabéns”, comemorou o diretor em seu Facebook.

AS GRAVAÇÕES


Leonarda [à direita] afirma que se divertiu com as gravações e que, embora esteja acostumada com a dinâmica e preparações do teatro, as filmagens do cinema foram ótimas e super divertidas. "A equipe é competente, profissional e estava entrosada. Trabalhar com as atrizes foi um prazer à parte, pois nós realmente demos muitas risadas juntas no set. Cada uma com a sua personalidade e, ao mesmo tempo, todas com a transexualidade em comum. [No cinema], t
emos que esperar horas a fio , mas quando alguém grita o fatídico 'ação' é bonito de ver a gente vazar toda a intensidade para dentro da cena".

Na pele de Laura no filme, Laysa [à esquerda] revela que no mês das gravações também deu vida à travesti Scarlett no seriado Wlado, que será exibido na tevê paga. Para ela, foi positiva a experiência de gravar personagens com personalidades tão distintas. "Dar vida a duas pessoas tão diferentes não é fácil e eu ainda estava ensaiando o monólogo Morada Transitória. Foi ótima a experiência e o clima, pois a equipe é competente e as brincadeiras tomaram conta dos bastidores. Mas quando o diretor dizia 'gravando', todas ficaram concentradíssimas, afinal é raro na sétima arte atrizes transexuais receberem convite. Imagine então um elenco só com transexuais. Bárbaro!". 
PRÊMIO

"O prêmio que recebemos é uma resposta para os outros diretores que temem em escalar atrizes transexuais para as suas produções", defende Laysa, que tem novos projetos para 2014 e cogita ao lado da equipe uma sequencia. "Adoraria! Segundo o diretor, existe essa possibilidade, que será o máximo. Encontros como esse são sempre bem-vindos".

Realizada com o resultado, Leo agradece ao diretor Eduardo Colgan. "Ele foi um querido conosco desde o início: profissional e talentoso e dono dessa ideia genial de colocar toda essa mulherada trans na telona para ver no que dava. Taí no que deu: a super atuação é nossa!" Parabéns!

Cenas de Quatro e Fíntchy / em destaque Maitê Schneider e Laysa Machado
Leonarda ao topo/ atrizes se divertem durante as gravações

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Bonnie disse...

faz logo uma série e um longa. nem vi mas acho que um curta vai deixar a gente com água na boca.

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