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Conheça Brenda Lee: o anjo da guarda das travestis e transexuais sem abrigo e soropositivos


Ela não fez sucesso por sua beleza, pelos trabalhos artísticos e muito menos por escândalos na televisão. Mesmo assim, tornou-se referência [e exemplo de ser humano] a todos os seres: Brenda Lee, um anjo bom do amparo, da doação e da entrega para aquelas que, expulsas pela família, tinham tudo para serem expulsas da vida. Uma militante dos direitos humanos e minorias [esta, sim!] e do grupo LGBT, que acolheu uma população sujeita à vulnerabilidade social.

Brenda nasceu em 10 de janeiro de 1948, veio de Pernambuco a São Paulo aos 14 anos, se instalou no bairro Bixiga e fez muitas amizades ao comprar em 1984 uma casa, que se tornou uma pensão para travestis e transexuais (na rua Major Diogo, 771). Na Pensão da Caetana, como era chamada inicialmente, amparava jovens abandonados e abandonadas pela família, que até então não contavam com nenhum apoio do governo e sequer das ongs.

O espaço foi conhecido como “Palácio das Princesas”, prova de sua atenção e dedicação com os hóspedes. Tanto que seu sonho era investir em uma casa de luxo, onde travestis pudessem viver com comodidade, tranquilidade e conforto, depois de enfrentarem diariamente a batalha dos programas sexuais ou de outros trabalhos. 

Brenda era uma trans alegre, sem papas na língua e devota de Nossa Senhora Aparecida. Usava saltos enormes, estava sempre com taillerus, grandes brincos e preferia frasqueiras a bolsas - informa Maria Luiza, amiga e presidente da Casa de Apoio Brenda Lee à revista Camarote Solidário. 

Tudo caminhava bem até que uma hóspede ficou acamada e uma série de outras travestis também adoeceram. Era a "peste gay" ou "câncer gay" [títulos que a mídia sensacionalista tratava a aids, propagando a desinformação]. Porém, ao contrário do que pensavam na época e da maioria das reações, as garotas não foram expulsas da pensão, muito menos estiveram fadadas à morte social. Na verdade, foram acolhidas por Brenda, cuidadas e atendidas à medida do possível.

Outras trans saudáveis abandonaram a pensão, com receio do contágio, mas Brenda seguiu firme no apoio, se desfez da pensão e automaticamente, sem saber aonde a ação daria, criou um centro de apoio. 
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Mídia se interessou pela história e ajuda de Brenda Lee
Brenda Lee e Hebe Camargo

Com o tempo, perdeu quase tudo, mas ganhou o apoio do hospital Emilio Ribas, ainda que sem remédios. Seu nome ganhou repercussão na tevê, foi parabenizada pela apresentadora Hebe Camargo, foi convidada a vários eventos com a intenção de angariar fundos. Porém, muitos a enganaram, querendo se promover às custas do espaço, sem qualquer tipo de ajuda. 

As dificuldades aumentaram, Lee cogitou se prostituir na Europa, mas graças à ajuda do Governo e apoiadores individuais, conseguiu suprir as necessidades da casa.  O tratamento era tão diferenciado que, na falta de leitos, oferecia sua própria cama para acomodar os doentes . Fundou oficialmente a Casa de Apoio Brenda Lee em 1988, semente que germinou e continua na ativa há mais de 20 anos.

Mas, assim como a trajetória de tantos exemplos e ícones do mundo (dignos de um prêmio Nobel da Paz), o final de Brenda foi trágico: foi assassinada a tiros no dia 28 de maio de 1996. Ela sofreu um golpe financeiro de um funcionário que era seu namorado, Gilmar Dantas Felismino, que alterou um cheque de R$150 para 2.950,00. Ao descobrir o desfalque, Brenda fez um acordo de ele devolver o dinheiro. Mas ao dar carona para o irmão de Gilmar, foi surpreendida com tiros. 

O corpo foi encontrado em uma vala no meio do matagal e carro abandonado na Av. 23 de Maio. 

Em sua missa de corpo presente, o padre Júlia Lancellotti representou o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e foi à sede da casa de apoio. Se estivesse viva, completaria 66 anos em janeiro de 2014. Deixou, além da Casa de Apoio (um marco na história de São Paulo), o incrível legado universal da doação, da preocupação, da solidariedade, da entrega e de uma vida exemplar. 

Que todas as pessoas tenham um pouco de Brenda Lee. 



Um comentário

yasmin welt disse...

EU MOREI NA CASA DELA NA AV.BRIGADEIRO LUIS ANTONIO, EM SÃO PAULO, ONDE ERA CONHECIDA POR ' CAETANA ', E ABRIGAVA TRAVESTIS DE TODAS AS PARTES DO BRASIL, QUE A SÃO PAULO IAM TRABALHAR NA PROSTITUIÇÃO, ANOS DEPOIS COM A CHEGADA DA AIDS, EL MUDOU PRA RUA ABAIXO, E MONTOU A CLINICA ONDE RESCEBIAS AS PESSOAS INFECTADAS DO HIV E ERAM RECUSADAS PELAS FAMILIAS OU NAO TINHAM PARA ONDE IR, . CAETANA.............HA SE EXISTISSEM MAIS COMO TU, O MUNDO SERIA OTIMO ! OBRIGADA

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