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» » » Transexual mais bonita do Mundo, Marcela Ohio diz: 'Apoio familiar é determinante na vida de uma trans'

Para Marcela, a mídia brasileira se intimida com bons exemplos de travestis e transexuais
Por Neto Lucon

Dona de um rosto angelical, traços extremamente femininos e de um corpo de parar qualquer trânsito, a modelo Marcela Ohio, 18 anos, é a mulher transexual mais linda do mundo. O cobiçado [e árduo] título foi conquistado durante a nona edição do Miss International Queen, em Pattaya, na Tailândia, que concedeu pela primeira vez na história a faixa e a coroa ao Brasil. Foram 24 candidatas de 16 países, prêmio 10 mil dólares [que será usado para as próprias despesas do concurso], a futura redesignação sexual e uma exposição na imprensa asiática digna de uma verdadeira estrela.

De volta ao país, a miss recebeu o carinho do público – em sua maioria formado por LGBTT – e a repercussão do título na mídia virtual. Houve notas e fotos em vários portais, mas deu para sentir que a imprensa brasileira se intimidou com o feito histórico e, por que não,  com a hipnotizante beleza de Marcela. Afinal o concurso tailandês representa o Miss Universo e, digno de comparação, faz 45 anos que uma mulher cisgênero brasileira não fatura uma faixa – a última vez foi com a baiana Martha Vasconcellos, em 1968.

Nascida em Andradina, interior de São Paulo, Marcela é a filha caçula de três irmãos. Na infância, enrolava camisetas na cabeça e imaginava que elas eram os seus cabelos. Na adolescência, usou a arte da dança e da performance para se vestir com roupas femininas. Logo, colocou um mega hair e assumiu a identidade trans. Aos 17, foi convidada pela ativista e descobridora de belezas Majorie Marchi para participar da primeira edição do Miss T Brasil, em 2012, que abriu portas para o tradicional Miss International Queen. Agora, ela revela tudo em entrevista exclusiva [e aguardadíssima] ao NLuconConfira! 

- Com apenas 18 anos, você é a mulher transexual mais bonita do mundo. De que forma o concurso mexe com a sua autoestima?

Estou muito feliz pelo título, mas não posso negar que, ao mesmo tempo em que me sinto bonita e feliz com o meu corpo, acabo ficando mais exigente comigo mesma. Quando vejo uma gordurinha aqui ou ali, fico um pouco insegura, acho que estou ficando gorda e penso até em uma lipinho [risos].  Mas olha, não é obsessão, pois não faço academia e a minha alimentação não é das melhores [risos]. Controlo mais quando vejo que estou engordando, daí dou uma maneirada, boto freio. Dou sorte porque meu metabolismo é acelerado. Esteticamente, cuido mais da pele e do cabelo. Hidrato bastante, vou às clínicas de estética e faço vários tratamentos...

-Você sempre foi elogiada pela beleza? Como era o seu visual antes da transição?

Bom, sempre fui bastante elogiada pela aparência, pelos meus traços femininos e posso dizer que chamava atenção antes mesmo da transição. Falavam que eu era andrógina e que o meu rosto era bastante feminino.  No período escolar, era muito confundida com uma mulher [cis] lésbica, pois me vestia feito uma sapatãozinha: com calça larga, tênis all star, tinha um cabelinho um pouco comprido. Os meninos sempre me paqueravam, mas nada que possa ser comparado depois da transição, né? Geralmente me abordam até quando estou com o namorado do lado.

"A minha miss preferida é a Natália Guimarães, segundo lugar no Miss Universo"

-[risos] Ser miss sempre foi um sonho de criança?

Na verdade, o meu sonho sempre foi ser modelo e seguir essa carreira. Quando a Majorie Marchi [organizadora do Miss T Brasil] me convidou pelo Facebook, primeiro não acreditei muito que pudesse levar o título, mas depois senti que essa vontade foi despertada dentro de mim. Assisti a vários vídeos de concursos de beleza, pesquisei várias misses e tentei adequar o desfile de modelo com o desfile de miss. Afinal, ser mis exige outro tipo de gingado, outro propósito, mais simpatia, sorrisos e personalidade. A minha miss preferida sempre foi a Natália Guimarães [Miss Brasil 2007 e vice-campeã no Miss Universo 2007], então vi vários vídeos dela e me inspirei. Venci o Miss T, realizei esse sonho e fiquei sabendo do Miss International Queen, que passou a ser outro sonho.

- É verdade que você quase não foi à Tailândia porque de última hora não havia conseguido a passagem para o concurso?

Existiram vários fatores que quase impediram a minha ida à Tailândia. Primeiro, porque ocorreu um problema com a documentação e o meu passaporte de emergência não chegou a tempo da data que estava comprada a passagem. Então, no meu lugar, acabou indo a Roberta Holanda [segunda colocada do Miss T Brasil 2012] . O problema é que o patrocinador não cumpriu o combinado e não comprou a outra passagem para eu ir para a Tailândia. “Simples” assim! Olha, foram dias difíceis, de muita correria, em que eu fiquei muito nervosa, com medo de não dar certo e que vi tudo ir por água abaixo... Acabou que o meu namorado comprou a passagem para eu ir à Tailândia. 

Também tive um probleminha com o vestido, que não ia sair e acabou saindo, sem grandes problemas. E, no meio disso tudo, descobri que além do vestido de gala e do traje típico, que foram feitos pelos maravilhosos Henrique Filho e Michelly X, eu precisava de mais um vestido. Chegou um momento em que eu mesma pensei em desistir e que todos à minha volta pensaram que não daria certo... É por isso que dedico essa faixa e essa coroa ao meu namorado, que foi quem mais me ajudou, aos meus pais, à Majorie, à Michelly, ao Henrique e a todo mundo que me apoiou diretamente e torceu por mim.

- Como foi a viagem à Tailândia?

Embora eu tivesse me preparado durante um ano, cheguei lá e vi uma cultura muito mais diferente do que imaginava. Não falo inglês fluente e eles não falam um inglês que dá para entender direito. Fiquei perdida no aeroporto, não entendia tailandês e as pessoas só faziam mímica para mim [risos]. Liguei chorando para o Brasil e já comecei a sentir saudades. A sorte é que um brasileiro me ajudou, preencheu a ficha e deu tudo certo. Depois veio a fase de adaptação da cultura diferente e, claro, da comida. Muito frango com legumes, meio apimentado, meio açucarado e muitos frutos do mar... Já nos dias que fiquei lá no hotel foram mais tranquilos, pois fiz várias amizades.

"Na Tailândia, a travesti e a transexual não são vistas como prostitutas"

- Chegou a fazer amizade com as demais misses? De quem se aproximou mais?

Fiz amizade com a Miss Indonésia, Miss Austrália e Filipinas. Também ficava muito com a Roberta [Holanda, segundo lugar no Miss T Brasil]. Também havia outra Miss Brasil concorrendo com a faixa brasileira e outra miss do Brasil que estava com a faixa da Alemanha. Depois do concurso, me aproximei bastante da Miss Estados Unidos e da Tailândia, pois estávamos sempre juntas para as entrevistas. Ficamos bem próximas.

- Na Tailândia a transexualidade é encarada com muita naturalidade como é passado para o Brasil?

Não é que eles aceitem mais ou que não ocorra preconceito, mas a visão que eles têm sobre a trans é diferente. Quando alguém fala que é travesti ou transexual, ninguém associa diretamente à prostituição ou à marginalidade. Lá,  o mercado de trabalho é mais aberto e vemos com muita frequência trans trabalhando em shopping, hotéis, como advogadas, em todos os campos. 

Porém, ao mesmo tempo em que eles dizem não há preconceito, a Miss que ficou em segundo lugar [a Miss Estados Unidos] foi tratada como lady boy [nome que se dá às garotas de programa do local] e ficou bastante chateada. Ela chegou a mencionar o ocorrido em um programa de televisão, disse que nunca havia passado por isso e os apresentadores ficaram bem sem graça. Quanto a mim, não passei nenhum tipo de constrangimento. Muito ao contrário, todos os tailandeses sabiam do concurso, conheciam as candidatas e muitos diziam que torciam pelo Brasil. Fui muito exaltada por todos.

- Você sabia que era a favorita ao título?

Tinha a consciência de que era a favorita, sim, porque eles deixaram transparecer em alguns momentos. Por exemplo, quando íamos aos canais de televisão, sempre me chamavam: “Cadê o Brasil? Cadê a número 16?”. E algumas ficavam irritadas, pelo meu nome começar a ser repetido muitas vezes e reclamaram de que eu era a preferidinha do país. 

No começo, fiquei feliz por esse reconhecimento espontâneo e por essa atenção toda, mas depois fiquei insegura. Pensava que, já que algumas estão reclamando, eles não iriam me dar o título, pois daria briga, seriam julgados, iriam falar que teve máfia. Em uma entrevista, uma das meninas reclamou até do tradutor, alegando que ele estaria traduzindo de maneira diferente do que eu falava.

"Ser miss é sorrir até quando estamos com fome ou verdadeiramente tristes"

- Quando você escutou o seu nome como vencedora, o que passou pela sua cabeça?

Na hora, não caiu a ficha. Fiquei meio assim: “Será que sou eu mesmo a Miss” [risos]. Fiquei sem reação e só com o tempo foi caindo a ficha. Quando eu já estava com a faixa, com a coroa e depois, ao chegar ao hotel...

- O que aconteceu depois de o concurso terminar?

Um jantar com todas as misses vencedoras do Miss International Queen, da primeira até eu. A segunda e a terceira colocada também participaram desse jantar e as outras voltaram para o hotel, que foi ao lado desse restaurante. Mas, vou ser sincera, eu estava muito cansada com toda a dedicação, muito esgotada com tudo, que acabei participando do encontro e logo fui dormir.

-O que as pessoas não sabem sobre os concursos de miss e que você, depois de participar dos maiores, gostaria de informar?

Muitas trans vão participar com a ilusão de que terão uma vida de glamour... Mas adianto que o glamour do palco é uma ilusão. É um trabalho extremamente cansativo, em que se acorda muito cedo e que não é fácil vencer. Acordava entre 3h e 4h da manhã para começar a me arrumar e estava pronta às 6h para um dia repleto de atividades. 

Além disso, temos que ralar, batalhar e sorrir sempre.  Sorrir até quando estamos com fome ou quando estamos verdadeiramente tristes. Tive vontade de desistir diversas vezes, mas resisti. Você pode reparar que , quando eu estou com a coroa do Miss International Queen, estou abatida, o meu olho estava vermelho e meio caído, muito cansada. Cansada, mas feliz, né? [risos]. Pensei nas meninas que se dedicaram e que não conseguiram...

- Ser bela livra você dos preconceitos?

Não, imagina, o preconceito é igual. Pode ser a mais bonita, o preconceito vai existir e aparecer da mesma maneira. É só prestar atenção quando passamos pela rua. Eu passo e escuto: "Olha ali, é um...". Em outros lugares apontam como uma maneira de querer desqualificar a mulher que sou. É complicado, já sofri preconceito, mas não fui alvo direto de preconceito. Nunca sofri uma agressão física, por exemplo.

- O que achou da visibilidade que a mídia brasileira deu à sua vitória no Miss International Queen?

Sinceramente, foi bem longe da visibilidade que eles dariam se uma mulher [cis] brasileira tivesse ganhado o Miss Universo. O Brasil e a mídia ainda se sentem intimidados para dar uma visibilidade positiva para as trans. Sei que os grandes portais divulgaram o concurso, falaram que eu ganhei, exatamente como ocorreu com o Miss T Brasil 2012, mas foi superficial se considerarmos a importância do evento. 

Depois do concurso, voltei ao Brasil e nada mais se falou, não ocorreram muitas entrevistas, não houve interesse em dar continuidade nesse trabalho. Acredito que isso ocorre, primeiro por eu não ter um grande nome, mas principalmente porque em geral  a mídia está acostumada a cobrir o estereótipo do grupo, dar visibilidade para o lado da marginalidade, da prostituição, da fofoca. Acabam que não sabem o que fazer quando temos algo novo para falar.

Na Tailândia, por exemplo, eu era abordada em shopping, todo mundo sabia quem eu era, pois a cultura é um pouco diferente... Lá, o concurso tem uma popularidade bem forte e equivale ao Miss Universo. Hoje, penso em voltar à Ásia, pois lá haveria mais trabalhos e, como já tenho um nome e visibilidade, seria mais fácil fazer, seguir e manter a minha carreira. Eu amo o Brasil, mas não vou esperar muito para os convites.

"Só posaria nua se já tivesse feito todas as cirurgias"

- Acredita que, assim como a Lea T, precisamos que a mídia internacional dê visibilidade para valorizarmos uma modelo brasileira?

Penso que sim, mas várias combinações de fatores também são importantes. A Lea, como você citou, foi apadrinhada pelo Riccardo Tisci, fez Vogue e, além disso, tem a importância do nome do pai dela, o Toninho Cerezzo, que foi um grande jogador brasileiro. Então, teve algo diferente que ajudou a deixar o nome dela em evidência. Mas acredito que, se conseguir fazer carreira internacional, as portas do Brasil estarão mais abertas.

- Com a faixa e a coroa do Miss International Queen, o que você pretende agora? Vai seguir na carreira de modelo?

É claro que espero que abra espaço para a minha carreira de modelo, que haja mais trabalhos e que eu consiga viver do meu trabalho. Mas  meu objetivo é ser reconhecida pelo meu trabalho e, por meio dele, trazer uma visibilidade diferente para as trans. Uma visibilidade que não é só a minha, mas que a sociedade infelizmente não está acostumada. Afinal, adoraria mostrar a relação que tenho com a minha família, falar do início da minha carreira, que começou como miss - assim como muitas artistas da televisão começaram. Quero poder lutar pelas causas sociais, a favor do meio LGBT e contra a transfobia. Quero usar o meu nome e a minha imagem para ajudar no que for preciso.

- Pedi para a ativista Aleika Barros, que foi a primeira brasileira a ficar entre as finalistas do Miss International Queen, em 2007, fazer uma pergunta: “De qual maneira você pretende representar um grupo que sofre tantas discriminações? Você se sente preparada?".

Sinto-me preparada, sim. Sei que vou passar por muitas barreiras e por preconceitos, mas estou disposta a lutar por todos os tipos de realidade e levar informações importantes para a sociedade. Afinal, presto solidariedade a todas as trans do Brasil, pois sei que a situação de uma travesti ou de uma transexual não é fácil e que a maioria não tem culpa de estar jogada na marginalidade.

O preconceito e a exclusão começam logo da família, que geralmente não aceita e expulsa as trans para fora de casa. Como a maioria é menor de idade, não consegue terminar o estudo, pois há muito preconceito nas escolas. E, sem escola, sem o apoio familiar e sem capacitação para um emprego, muitas vão procurar a rua para se prostituir e sobreviver. É tão difícil que nem mesmo os salões de beleza, que é tido como uma profissão mais fácil para se entrar, aceita profissionais trans.

- Qual é o principal problema e a solução na vida de uma trans?

Bom, o apoio ou a exclusão da família são determinantes para o futuro de uma trans. Ter a aceitação e o respeito dos pais é maravilhoso, pois  se a nossa mãe e o nosso pai estão do nosso lado que se danem os outros. A nossa autoconfiança fica maior, a gente se livra de muitas marcas desnecessárias e ganha mais força para enfrentar o preconceito de fora. Acredito que, para a realidade atual mudar, deveria haver um trabalho maior com as famílias LGBTs. Pois é dentro de casa que muitas sofrem agressão e é por meio deste preconceito que vários outros se desenrolam automaticamente: na escola, no mercado de trabalho, na prostituição...

"Pior preconceito é de dentro de casa"

- Hoje, estão querendo despatologizar as identidades trans, que continua nos catálogos de doenças do DSM - Manuel Diagnóstico  e Estatístico das Doenças Mentais - e a CID - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, da Orgnalização Mundial. Concorda?

Concordo que deva despatologizar, pois a transexualidade é algo natural, está na pessoa, vem de dentro, nasce ou, como dizem, está na alma. Não concordo que seja doença, pois é uma característica da própria pessoa. Acredito que todos os problemas psicológicos que possam existir estejam mais relacionados ao resultado do preconceito que o grupo sofre. A doença é o preconceito, é a transfobia.

- Você disse em uma entrevista que não sentiu dificuldades para assumir a identidade de mulher transexual... Como foi o processo e a reação das pessoas próximas?

Na escola, foi algo bem natural, pois os meus colegas foram se acostumando. Eu era bem feminina, bem andrógina, era assumidamente homossexual e a turma de amigos sempre foi a mesma. Quando aumentei o cabelo com mega hair, todos encararam com naturalidade, mas não foi bem isso o que aconteceu quando cheguei em casa... Para os meus pais, foi um baque, um choque. 

Meu pai não aceitou de imediato, queria até tirar o meu cabelo e eu respondi: "Não vou tirar nada, vou continuar do jeito que estou e, se vocês não me aceitarem e me agredirem, eu vou para a polícia". A partir desse dia, não falaram mais nada. Aos poucos, foram digerindo a situação, até que eles passaram a me aceitar completamente.  É importante dizer que o meu pai nunca me desrespeitou e me deu até o silicone de presente para participar do concurso [Miss T Brasil, em 2012]. Hoje, a nossa relação é amorosa e é extremamente importante. Quando venci o Miss, eles ficaram super contentes, parece até mais do que eu [risos].

- Você disse que se assumiu primeiramente homossexual. Como foi o seu processo de descoberta?  Conta como foi a sua infância...

Se eu disser que a minha infância foi sofrida, estarei mentindo. Foi uma infância maravilhosa! Mas tenho que falar que, por conta da transexualidade, passei momentos de muita confusão. Desde sempre pegava roupas da minha mãe e, com três anos, já adorava maquiagem, gostava de brincar de boneca e das atividades consideras de meninas. 

Lembro até que colocava uma camiseta na cabeça e ficava brincando que ela era o meu cabelo [risos] Ou seja, até a minha adolescência já sabia que tinha alguma coisa diferente dos outros meninos, só não sabia o que era. Até que, quando dançava em Andradina, conheci uma trans e comecei a me interessar por esse universo. Era me contou o que era, o que acontece e as respostas começaram a surgir. A partir daí, comecei a vestir roupas femininas para ir a shows sertanejos e a churrascos. Mesmo apenas montada, as pessoas me viam como mulher.

- Durante o concurso, o seu namorado deu várias declarações bem fofas sobre você. Onde se conheceram e como é a relação de vocês?

Nós nos vimos na balada e ficamos aquela noite juntos - sem ele saber que eu sou uma mulher transexual. Até que uma amiga em comum contou para ele sobre mim e ele lidou bem. Depois, me convidou para o cinema - assistimos Se Beber Não Case 3 - e ficou rolando mãozinhas, namorinho e nada de assistir ao filme [risos]. Logo ele me pediu em namoro e na semana seguinte estávamos morando junto. Foi tudo muito rápido e está ótimo. Faz seis meses que estamos juntos.

Marcela Ohio no site da Playboy como a Garota do Espelho; acima, editorial de Roberta Brandão

- A revista Playboy já incluiu uma foto sua em um concurso no site oficial... Como foi?

Foi um concurso em que elegiam as "Gatas do Espelho". E, quando inaugurou, fui uma das primeiras selecionadas. Mas, veja só, não fui eu quem enviou a foto e só me dei conta depois da repercussão. Várias pessoas me adicionando, vários meninos vindo atrás de mim, e depois me contaram sobre esse concurso. Ah, fiquei feliz de ter a beleza feminina e trans no meio de outras mulheres comuns.

- Assim como a Roberta Close, Thelma Lipp e a Ariadna, posaria nua?

Posaria se já tivesse feito a cirurgia [de redesignação sexual, popularmente conhecida como mudança de sexo]. Mas atualmente faria algo mais artístico, sem estar totalmente nua. Também acredito que não posso usar o título de Miss International Queen, nem a faixa e nem a coroa no ensaio. Tudo o que tenho que fazer no Brasil e que possa gerar algum comentário eu tenho que falar e pedir um posicionamento deles. Só posso estar envolvida em trabalhos e notícias positivas. Nada de festas, baladas, tudo direitinho... [risos]. 

- Só um adendo. A Roberta posou algumas vezes para a Playboy e, na primeira, ela não havia feito a redesignação sexual... Não mostraram nada, mas foi antes da cirurgia...

Sério? Não sabia disso. Então, se for algo assim, sem mostrar nada, eu acho que seria mais viável. Mas tudo deve ser bem negociado, né?

- Com certeza! E, hoje, qual é o seu sonho?

É ser uma angel da Victoria's Secret ou fazer uma participação no desfile. Afinal, nem todas que participam são angels, algumas só desfilam... E, se eu conseguisse algum dia, fazer parte deste desfile, seria um sonho realizado. Mas também tenho o sonho de ser reconhecida pelo meu trabalho e ter dele o meu sustento. Quero o que toda mulher quer: poder trabalhar, comprar as suas coisas, viajar, ser independente e feliz. E o que todo e toda LGBT quer: viver em um mundo com mais respeito e aceitação. 

"Meu pai é que me deu as próteses de silicone"/ foto: Roberta Brandão.
"A transexualidade é algo natural, está na pessoa"

Um comentário

Carolina Ferreira disse...

Estamos muito bem representadas, além da beleza algo de muito mais importante inteligência.