Realidade

Após julgamento em Dubai, travestis brasileiras são multadas, presas e deportadas: ‘Quero esquecer’

Kamilla e Karen, quando o turismo em Dubai ainda era sonho

A novela [ou filme de terror] vivido pelas brasileiras Karen Mke e Kamilla Satto, que foram presas em Dubai no dia 13 de dezembro de 2013 pelo simples fato de serem travestis, acabou nessa segunda-feira, 24, quando finalmente puderam ser deportadas. As turistas enfrentaram o julgamento no dia 12 de fevereiro e, como pena – no país é proibido que pessoas do sexo masculino vistam-se com roupas femininas - tiveram que ficar detidas por 12 dias e pagar uma multa de 20 mil dirham, o que corresponde a 12 mil reais. 

“Cheguei em São Paulo no dia 24 e a Kamilla seguiu para a Itália. Estou descansando e me recuperando depois dessa experiência traumática... A gente esperava ser deportada, mas jamais ter que pagar uma multa altíssima e ter que ficar novamente detida. Foi horrível voltar à prisão, mas os policiais foram educados e ficamos em uma cela bem grande, com acesso livre para o sol, telefone e televisão.”, diz Karen, que contou com o apoio da Embaixada Brasileira nos últimos meses e que pagou o valor da multa com a ajuda de amigos. “Depois disso, quero esquecer tudo o que passei”. 

Curiosamente, durante todo o julgamento, a prisão e a permanência no país elas continuaram a vestir roupas femininas, apesar de este ser o motivo do “crime”. “Eles respeitam as leis, mas lá é cheio de travestis. Só fomos presas por falta de sorte", acredita. As amigas, que estavam no país a turismo desde o dia 15 de novembro, foram expulsas de uma boate sem qualquer justifica e, quando chamaram a polícia para alegar discriminação transfóbica, elas é que acabaram sendo presas, pois de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, "é proibido que homens usem roupas femininas” nos Emirados Árabes.

Após serem presas, elas responderam o processo em liberdade, tiveram o passaporte confiscado e se hospedaram na casa de uma família de Filipinos para aguardar a data do julgamento.


Karen diz que depois da traumática experiência, que durou três meses, não pensa mais em retornar ao país ou a qualquer país com intolerância à diversidade. E declara que a experiência teve o seu lado positivo. “Foi um aprendizado de vida. Antes, estávamos vivendo um Sex and The City, com mordomos abrindo a porta do hotel, chofer abrindo as portas dos carros... E, depois, estivemos na casa de uma família de filipinos que acorda às quatro da manhã para levar uma vida digna, simples, sem luxo. Assim como a gente, que tenta ajudar nossas famílias e viver bem”, contou.

Para as próximas viagens, ela afirma que vai estudar melhor o roteiro e evitar locais em que a diversidade sofre tais represálias. “É triste ter que pensar desta maneira, quando a cultura e a religião se sobressaem ao respeito ao ser humano, mas trata-se de uma questão de integridade psicológica, moral e física. Nunca gostei de falar das dificuldades, mas que este caso mostre que a transfobia existe e está espalhada por todos os cantos do mundo. E que o simples fato de ser travesti gera incômodo”, finalizou.

Confira matéria do NLUCON publicada no site da Vice sobre o caso clicando aqui

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Karen: "A transfobia está espalhada por todos os cantos do mundo"

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

5 comentários:

Valter Beraldo disse...

da próxima vez,vai pro pais que tenha pena de morte pra bichas!

seria menos un traveco!!

Lorena disse...

O Brasil, Itália ainda são os melhores lugares pras travestís.
Falta de sorte mesmo, imagino o que tenham passado. - Felizmente estão aqui!!

pedro munhoz disse...

Qual é o seu problema? Pq quer matar quem é diferente de você, Valter? Se tem algum problema com travestis, resolva no psicólogo e deixe o resto da humanidade em paz.

Chris Barreto disse...

Valter quando quando vejo alguém responder assim como você fico com pena. Deve ser difícil ser enrustido. Quando fiz psicologia aprendi que essa raiva toda vem da frustração da pessoa em não poder fazer o que sonha. Vamos Valter solta essa franga..seja feliz

Anônimo disse...

Valter por que vc não gosta dos travestis? Eles não fazem nada com vc. Não precisa ter raiva dos outros à toa, o mundo já tem tanto sofrimento sem a gente ficar com raiva e ter ódio das outras pessoas. Fico triste de ver essa raiva. Não entendo.

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