Canto Nerd

Por que os jogos eletrônicos são tão ruins?


Por Lirous K'yo Fonseca
Arte: Jackson Adriano

Há tempos se escuta a especulação de quão mal os jogos eletrônicos podem fazer para o desenvolvimento das pessoas, desde a formação até a conduta moral. De certo essas pessoas não sabem que os jogos eletrônicos realmente trazem uma gama de sentimentos, mas positivos, que  podem prevenir doenças graves como a depressão.

Poucos sabem, mas há anos que os jogos eletrônicos são utilizados para o tratamento de depressão no Brasil e já houve caso de entidades que utilizaram os jogos eletrônicos para substituir os medicamentos antidepressivos cortados pelo governo para o tratamento de seus pacientes. Há crianças que recebem um jogo especial que utiliza de uma metodologia clara de como funciona o tratamento de combate ao câncer e também há pesquisas que mostram que jogos violentos auxiliam no tratamento de pacientes que sentem dores crônicas.

Então questiono: “Se existem tantos benefícios, porque a televisão no modo geral e as mídias como jornais e revistas disseminam tanto ódio para esta forma de mídia?”.

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Uma porque os jogos eletrônicos são a única forma de mídia que não tem como ter controle e não é possível controlar a ideologia que é passada. Você pode até tentar censurar um jogo, mas é muito mais complicado do que parece. Na época do Mortal Kombat, por exemplo, quando ele veio para polemizar, houve várias tentativas de censura vinda de um padre brasileiro. Sem sucesso, ele deve ter se retorcido a cada um dos nove lançamentos que a franquia fez, sem contar com os spin off’s.

O segundo motivo é que perceberam que o videogame tiraria a atenção das pessoas da frente do canal da televisão. Na época,  começaram a criar várias lendas e a primeira delas é que o videogame, que era feito para ser utilizado numa televisão, estragava a televisão . Hoje em dia com a vinda da TV a cabo, essa lenda cai por chão, pois a TV a cabo utiliza do mesmo processo para ser vinculada e o acesso a jogos eletrônicos começa a ser executado também por outros meios, como o celular e o computador. A preocupação vem porque, além de perder pontos no ibope, vem o fato de o espectador não comprar e não estar atento às propagandas vinculadas nas atrações.

Pode não parecer, mas a televisão é um mercado de compra e venda, e cada propaganda tem um valor para o canal, que muda de acordo com o horário veiculado. No horário nobre, por exemplo, as propagandas podem custar mais de cem mil reais e, portanto, dependem que você esteja assistindo a uma novela ao invés de estar jogando videogame.

Algumas das matérias que culpam o videogame
pelo assassinato de família em SP
Sem contar com as questões ideológicas que podem estar chegando até você. No Brasil, a maior organização que combate este tipo de mídia vem sendo o grupo vinculado a Igreja Universal do Reino de Deus. Seus jornais são recheados de matérias falando contra a mídia e o quão é nocivo à saúde mental das pessoas. Na televisão, o caso mais comentado dos últimos tempos foi o do menino que teria matado a família inspirado em um jogo de videogame.

Já aproveitando a situação, o apresentador Marcelo Rezende, erroneamente critica em seu programa de televisão um dos jogos mais libertadores e históricos da atualidade, o Assassins Creed [assista ao jogo acima], que aborda desde temas ligados a imortalidade da alma até o de memórias genéticas que desmistifica grande parte da ideologia da Igreja. Admiro-me muito de profissionais ou ditos profissionais como este apresentador, que não se deu nem o trabalho de investigar do que tratava o jogo, simplesmente entrou no viés do jornalismo barato e utilizou de frases sensacionalistas para ganhar ibope, destaque e acobertar os possíveis culpados desse crime.

Pois até hoje me pergunto como que uma família bem treinada, especializada para trabalhar com pessoas muito perigosas e armadas, já que os pais eram policiais, não souberam se defender de uma criança com treze anos e uma arma? Ou a nossa polícia anda realmente muito mal preparada, ou existem muitos motivos para quererem que a sua atenção seja voltada para um simples jogo de videogame.

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Sindel no jogo Mortal Kombat.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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