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Estudante de jornalismo ganha coluna no NLucon e fala sobre cotidiano e vivência transexual

Luiz Fernando Prado Uchôa estreia coluna "Fora da Caixa", no NLUCON
Por Luiz Uchôa
Arte: Jackson Adriano

Imagens: Steve Rosenfield [What I be Project]

Rótulos e caixas são dados a todo o momento, desde quando se nasce até o fim da vida. Não tem como escapar. Basta ver as relações cotidianas de amizade, trabalho, amorosas e até de quem não se conhece, mas que passa por nós na rua. Quando se sai com determinada roupa, já rotulam: é maconheiro, é viado, é gótico, é skinhead, é baiano, é funkeiro, é pagodeiro, é puta...

Ser acima do peso nesta sociedade, que valoriza tanto a aparência física, é ser rotulado de desleixado e descomprometido. Não se percebe que muitos, por exemplo, podem ser vitimas de obesidade, que precisam de ajuda para lidar com o próprio peso ou que estão muito felizes como são. 

A mulher bem sucedida ou ideal tem de ser inteligente, bonita, boa mãe, dona de casa perfeita, boa filha, ser sensual sem ser vulgar e jamais desejar ser mais que o seu cônjuge. São tantos papéis definidos que se tem de cumprir para o ser ideal modelo heteronormativo que os diferentes não têm vez. Ou melhor, tem, mas com várias ressalvas...

Você até pode ser gay e lésbica, desde que cumpra o dito modelo de ser um casal que mal se toca e que não dá nas vistas que vive esse relacionamento. Homem ser afeminado e mulher ser masculinizada são inaceitáveis nesse modelo de padrões definidos, que ensina na tenra infância que meninos brincam com carrinhos e meninas como bonecas.

Fotógrafo norte-americano fotografou pessoas que levam os desnecessários rótulos na testa

E os bissexuais, assexuados e os não binários? São chamados de loucos por não fazerem parte desse quadro social hetero-cis-normativo, que impõe que a sexualidade certa é aquela em que homem se relaciona com mulher e vice versa. Tente viver de forma aberta a sexualidade que logo virão às críticas de todos os setores sociais.

Já transexuais são considerados aberrações por desejarem ser o que são na realidade e não o que a biologia os impôs. Religiosos dizem que essas pessoas não devem ofender Deus modificando os seus corpos, já que foram criados dessa forma e outros os encaram como homossexuais “melhorados”. Mal sabem eles que não só existem transexuais heterossexuais como há também os bissexuais, homossexuais, lésbicas, assexuados e entre outras orientações sexuais.

A religião tem como proposta libertar os homens do materialismo. Porém, atualmente preconiza a teologia da prosperidade, em que você só é alguém perante a comunidade se possui bens materiais e sucesso em todas as esferas.

Muita gente não sabe, mas gênero e identidade são conceitos distintos. Enquanto gênero foca em forma física e anatômica do seu ser a identidade se refere como a pessoa se vê e se identifica perante a sociedade. E é por isso que friso: Se você não deseja viver em uma caixa que lhe aprisiona e determina como se deve ser, sentir, amar, acreditar ou não em Deus, fazer sexo, homem ou mulher, nunca teorize sobre como o outro deve viver a própria vida.

"Homem ou mulher": "Eu não sou o meu sexo"

São sobre essas vivências que falarei a partir de hoje na coluna Fora da Caixa, aqui no NLucon. Vamos propor uma discussão ampla sobre o que é ser transexual e também refletir acerca dos fatos cotidianos. Sejam bem-vindos! 


Luiz Fernando Prado Uchôa, 30 anos, é estudante do terceiro ano de Jornalismo na Universidade de Guarulhos. É professor de inglês e espanhol. É um homem que luta pelo direito de ser visto e respeitado em uma sociedade hetero-cis-normativa, que não entende que ninguém nasce homem ou mulher, e sim torna-se de acordo com o desenvolvimento dos desejos e anseios.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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