Pop & Art

Performance 'Gender Absolescence' surpreende ao romper conceitos sobre sexo, gênero e identidades

Kyrahm e Julius Kaiser embaralharam as normas de gênero

Corpos nus alinhados e máscaras de ouro que revelam e escondem a identidade. Um ritual solene que promete acabar por meio da sutiliza, da surpresa e da força com os rótulos e as expectativas de gênero e suas identidades. Na já famosa performance [ou instalação humana] “Gender Absolescence”, do casal italiano
Kyrahm e Julius Kaiser, ter pênis, vaginas, peitos e seios não dizem muito sobre quem se é, principalmente caso entenda-se tais atributos como determinantes para as identidades. 

Ao contrário, se alinhados, embaralhados ou [re]construídos, fazem parte de uma rica composição das possibilidades de personas em constantes transições e encontros pessoais.

Ao som de “The Unfolding”, de Lisa Gerrard e Pieter Bourke, cada indivíduo mostra parte de sua história por meio do corpo. Quem se atenta um pouco, distingue: um homem cis, um homem trans, uma mulher trans e uma mulher cis. Eis que, então, surge no palco outra criatura, que embaralha o óbvio, submete-se a outro processo: ao da vestimenta, com  calças, paletó e gravata. E lança inconscientemente a pergunta: Quem é quem? Por fragmentos, pelo genital, pelas roupas, pela vivência e pelo cotidiano? Por fim, todos retiram as máscaras e revelam o maravilhoso todo.

No texto que acompanha a divulgação, os autores não definem um/uma transexual como alguém que está se tornando homem ou mulher. “É o retorno para o oposto. A mudança do corpo de um homem transexual não quer dizer que ele está se tornando homem, mas que está retornando a ser homem”. A performance venceu em 2008 o Festival de Berlim, a Arte Laguna Prize, em Veneza, e o IDKEX, nos Estados Unidos. Atualmente, pode ser assistida no Youtube, com restrições de idade e com mais de 1 milhão de visualizações.


Assista abaixo: 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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