Pop & Art

Seja na praça ou em grandes palcos, Renata Peron é uma artista completa para todos os públicos

Renata Peron durante apresentação do show "Guerreira", no espaço Italia Mia

Já falamos e entrevistamos Renata Peron em outros carnavais. Mas é preciso atentar que a cantora, que segue na divulgação de seu terceiro e mais novo CD, Guerreira, é uma artista completa, que exala música popular brasileira e que agrada todos os públicos. Todos! Prova disso é que ela – que é uma mulher transexual, que nasceu na Paraíba e que foi criada na Bahia - apresenta-se em diversos espaços [da Praça da República aos luxuosos palcos] e agrada seus variados espectadores pelo inquestionável talento, confiança na MPB de qualidade e voz marcante.

Nessa sexta-feira, 11, Renata esteve no luxuoso e acolhedor restaurante Italia Mia, na Bela Vista, em São Paulo, e surpreendeu os frequentadores do espaço - que se deliciavam com o melhor da culinária italiana - e não decepcionou o fiel público que a acompanha. Munida de um grande sorriso e um alegre vestido colorido, foi acompanhada de três afinadíssimos músicos e brindou com os maiores sucessos de Rita Lee, Ângela Maria, Clara Nunes, Maria Rita e Caetano Veloso. 

Com 10 anos de carreira e muita bagagem, Renata tornou-se uma intérprete de alma, personalidade e segurança, que direciona os hits eternizados na voz de outros artistas para o seu próprio estilo, vivência e emoção. Em “Pagu”, de Rita Lee, por exemplo, canta: “Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda”, e muda rapidamente a letra sem medo de mudar o sentido, “O meu peito é, sim, de silicone”. E continua sem pestanejar: “Sou mais macho que muito homem”.

Pede aplausos, posa para fotos e vai para a plateia. Ora fumando em uma piteira [como parte do show], ora para vender o CD – que ela verdadeiramente empurra garganta abaixo - e ora para pedir para que o público cantasse. Na música Garota Solitária, de Ângela Maria, correu para que a icônica atriz e apresentadora Mamma Bruschetta, do programa Mulheres, da Gazeta, fizesse uma dobradinha no refrão “Será que eu sou feia?/ Não é não senhor”. Até que Mamma brinca, “Eu ia falar, você é um horror”, arrancando risos. 

Renata proporciona bons momentos de arte, bom humor, leveza, MPB e até de militância. Faz todos cantarem e relembrarem de momentos e músicas atemporais. Com seu carisma, consegue dominar os improvisos e até disfarçar alguns errinhos. Quando canta “Vítima”, de Rita Lee, pega um papel e cola a letra. “Se até Bethânia faz isso, eu também posso”. Sobre o atraso de meia hora, justifica-se dizendo que faz parte do espetáculo esperar uma diva. De certo que atrasos nunca são bons – nunca - mas que valeu a pena esperar, isso valeu.

Vide os aplausos calorosos e pedidos de bis.







Fotos de Renata Peron no restaurante Italia Mia

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.