Entrevista

'Não importa o que faça, a mulher sempre é avaliada pela beleza', diz Carol Rossetti

'Acredito num feminismo que inclua as mulheres trans, discuta o racismo e o elitismo dentro do movimento'

Por NLUCON

Carol Rossetti, 26, é uma designer gráfico que propõe a revolução do pensamento machista e arcaico sobre as mulheres. Por meio de sensíveis ilustrações e textos publicados nas redes sociais [tumblr e facebook], ela exala [o melhor do] feminismo, investe no resgate da autoestima do grupo e dá luz a temas e pessoas esquecidas - dentre elas as mulheres trans. Tudo em tom de conselhos amigos, importantes e necessários.

Em  uma obra, desenha e evoca: "Larissa vive ouvindo que não é mulher de verdade. 'Mas você é sim, viu, Larissa? Do seu corpo e da sua identidade só você é autoridade". Em outra: "Maíra adora o seu black. Só que já disseram que seu cabelo é feio, é bombril, é ruim. 'Maíra, não alisa por causa disso. Seu cabelo é memória, ancestralidade, beleza, identidade, força e muito amor".

Com grande sensatez e atenta na  interseccionalidade das opressões,  ela também inverte as lógicas de temas interligados às ilustrações óbvias e inclui mulheres em suas pluralidades em temas que não falam necessariamente sobre suas condições e vivências. Ou seja, desenha uma mulher cadeirante falando sobre sapatos e livros  - e não sobre sua deficiência. E uma mulher negra falando sobre ser alta - e não sobre questões raciais.

Mas afinal quem é esta artista que manifesta a favor da igualdade e do fim aos estereótipos de felicidade? Se pela internet só é possível saber que ela mora em Belo Horizonte, Minas Gerais, é uma leitora frenética e amante de chocolate, em entrevista exclusiva ao NLucon Carol Rossetti fala sobre os bastidores de suas obras, feminismo, temas tabus...

- Seus desenhos denunciam, alegram e dão conselhos a todas que procuram questionar os valores morais em cima da mulher. O que te motivou ou inspirou a dar início a esse trabalho?

Essa série que estou fazendo sobre mulheres começou no final de abril deste ano, com a Marina e seu vestido listrado [veja abaixo]. Eu sempre convivi com uma série de pequenas restrições cotidianas sobre meu corpo e o das tantas mulheres que fazem parte da minha vida. Esse controle é tão parte da nossa cultura que nem sempre nos damos conta de como ele é cruel e do quanto restringe nossas escolhas pessoais. Este primeiro desenho exemplifica muito bem isso. Há um controle do que mulheres gordas podem ou não vestir. Isso quase sempre vem fantasiado de “bom senso”, como se fosse uma dica amigável em uma revista de o que a mulher gorda pode usar. 

E eu tentei escancarar o absurdo por trás disso: por que a mulher gorda não pode usar o que ela quiser? Se ela gosta daquele vestido, por que não deveria usá-lo? Se ela tem amor próprio e se acha bonita, por que uma outra pessoa se sente no direito em dizer que ela está errada? Este exemplo da mulher gorda é apenas uma das tantas pequenas opressões cotidianas que eu tento retratar. Eu quero lutar contra isso, mostrar da forma mais clara possível o quanto tudo isso é absurdo.

- Pelo que eu pude perceber, a sua obra luta pelo direito da mulher de ser, de existir e, sobretudo, de escolher. A mulher ainda tem esses direitos básicos de escolha negados? Em quais momentos o machismo aparece?

O machismo é presente o tempo todo na nossa cultura, mas isso acontece de uma forma tão profunda que na maior parte do tempo a gente nem percebe que ele está ali. Existe um padrão de perfeição física muito cruel, e o efeito disso na mulheres é assustador. Lógico que homens também sofrem com padrão de beleza, mas é de uma forma muito diferente e mais amena.  A mulher, ao longo de sua vida, tende a acreditar, conscientemente ou não, de que ela só vai ter sucesso de verdade se ela for bonita. Porque, para a sociedade, ser inteligente ou talentosa não é suficiente. A primeira coisa que é avaliada na mulher é sempre a beleza.

Quando aparece uma notícia sobre uma mulher cientista, por exemplo, pode ter certeza que nos comentários as pessoas estarão comentando a roupa que ela usa e porque ela não fez as sobrancelhas. A mulher gorda precisa usar uma roupa que a faça parecer mais magra, a que tem peito pequeno tem que usar um sutiã de bojo, a que é alta não pode usar salto, a baixinha precisa usar salto, todas precisam esconder as olheiras. Se for receber o prêmio Nobel de física, tem que mostrar que isso não altera sua feminilidade, e precisa ter o cabelo impecável e andar de salto com graça e elegância, porque isso vai ser comentado e discutido por todos.

"O machismo está presente de forma tão profunda que a gente nem percebe que ele está ali"

- Qual é o seu processo de criação? Os temas e nomes surgem a partir de uma observação da mídia, de experiências próprias, de pessoas próximas...? Por que escolheu o tom de aconselhamento?

Os temas surgem espontaneamente, bastando olhar em volta. Todos os dias a gente escuta algo que pode ser aproveitado. Mas o pessoal tem mandado muita sugestão pelo Facebook, e eu estou adorando essa participação. Esse tom das mensagens realmente não é por acaso. É preciso desconstruir alguns conceitos que as pessoas tem, e isso não é fácil. Meu foco é na mulher que sofre o preconceito ou a agressão, em como isso faz ela se sentir e como ela pode lidar com isso. Essa técnica desperta mais empatia. Ao invés de dizer que o homem que passa cantada na rua é babaca, eu mostro como uma mulher se sente quando é abordada dessa forma. 

Ou ao invés de fazer um juízo de valor sobre uma questão - por exemplo, discorrer os casos em que o aborto deve ser permitido, ou se a homossexualidade é certa ou errada, ou se gordura é oposto de saúde -  pedir respeito a pessoa envolvida. A mulher que aborta não merece morrer, homossexuais merecem respeito e, saudável ou não, a mulher gorda tem direito ao amor próprio. Assim, o questionamento é reduzido à questão mais básica de todas: ainda que você não se identifique com esta mulher, não acha que ela merece respeito, amor próprio e garantia dos seus direitos? Acho que assim as pessoas tem mais boa vontade para pensar sobre essas questões. 

- O feedback do público foi imediato? Qual foi a ilustração de maior repercussão? Agora, você já está traduzindo-os para o inglês?

A página ganhou muitas curtidas muito rapidamente, confesso que me surpreendi muito. O pessoal manda mensagem agradecendo, e contando suas experiências pessoais com cada tema abordado, acho muito legal. Eu fiquei surpresa demais com as pessoas me agradecendo! Acho que a que teve mais curtida foi a Alice, que gosta de sexo casual. Já comecei a traduzir pro inglês junto com uma amiga, mas recebi várias críticas e estamos revendo tudo! Tradução não é uma tarefa fácil.

- Por falar em desenhos e ativismo, o que pensa sobre a representatividade da mulher em animações, HQs e afins? Tem alguma heroína ou personagem favorita? 

Eu acho que a representação das mulheres de uma forma geral é bem falha, e nos quadrinhos não é diferente. Ao longo de anos foi sendo criada uma noção machista e irreal de que quadrinhos era algo quase exclusivamente para homens e feito por homens. Por isso, durante muito tempo todas as personagens femininas eram construídas a partir de estereótipos específicos. Oreste del Buono escreveu sobre isso em 1968, e tive acesso a este texto no prefácio de uma edição de Valentina. Havia os arquétipos das personagens femininas: eram anjos edificantes, tiranas domésticas, eternas noivas, aventureiras seduzidas... A mulher era sempre representada como alguém que busca o amor e seus objetivos sempre envolvem os homens, de várias formas.

A partir dos anos 1960 começam a surgir personagens femininas mais complexas e interessantes, como Valentina (Crepax) e Barbarella (Forest). Isso também acontece com cinema e animações. Lembro muito de quando eu era criança e os garotos se recusavam a ver os filmes “de princesa” da Disney. Apenas as histórias com protagonistas masculinos eram aceitáveis para eles. Não é a toa que não são muitos filmes e animações que passam no Teste de Bechdel. Agora, minha personagem favorita é provavelmente a Morte, do Neil Gaiman. Ela é incrível!

Uma das mentiras que precisamos esclarecer é que feminismo NÃO é o contrário de machismo

- E o que acha da Mônica?

Eu sei que existem várias questões muito válidas para discutir a respeito da Turma da Mônica, mas eu cresci lendo as revistinhas e até hoje compro na banca. Eu adoro a Mônica, ela quebra muito com o estereótipo da menina delicada, e isso é muito saudável pra as jovens garotas.

- Parece óbvio, mas como recentemente tivemos a declaração da Shailene Woodley, que disse “não ser feminista porque ama os homens”, é importante perguntar: Você se define feminista? O que é ser feminista hoje em dia?

Eu me defino como feminista, embora o feminismo não seja um movimento uniforme. Existem vários feminismos, e vários deles me soam muito questionáveis.  Eu acredito num feminismo que inclua as mulheres trans, discuta o racismo e o elitismo dentro do movimento, e que respeite sempre as escolhas pessoais de qualquer mulher.

- Qual é a maior mentira que ouvimos falar sobre as feministas e que precisamos evidenciar e esclarecer?

São várias... A de que feminismo é o contrário de machismo é fundamental que seja esclarecida. O movimento é por igualdade, e isso ainda não está claro para muitas pessoas.

- Desde quando nascemos somos catapultados para uma cultura machista. Todos e todas, com raríssimas exceções. Quais foram as referências ou inspirações que você teve para chegar à reflexão feminista? Ou seja, quais mulheres ou obras te representam? 

Eu comecei a repensar a questão do feminismo quando passei a acompanhar o tumblr da Feminista Cansada. Tanto o que ela posta quanto a forma com que ela discute as temáticas foram importantíssimas para mim. Eu acho que você só passa a enxergar uma realidade quando você se dispõe a estar em contato com ela diariamente. Através do tumblr, eu comecei e seguir páginas feministas, do movimento negro, sobre pessoas com deficiência física todos os dias.  Hoje, quando passo numa banca, eu percebo o quão descarados são os problemas de representação. Não existem pessoas com deficiência, raramente vemos uma pessoa negra e apenas homens envelhecem nas capas das revistas. Alguns blogs e páginas do facebook me ajudaram a estar em contato diariamente com quem não é representado pela mídia. Claro que a interação pela internet não é tudo, mas já coloca no seu campo de visão o que antes não era visível. É a Feminista Cansada, Blogueiras Negras, Travesti Reflexiva, Não Preciso de Cadiveu, Nega Hamburguer, a Preta & Gorda que era excelente...

- Não soa contraditório falar sobre machismo em um país em que temos uma presidenta, ou seja, que é comandado por uma mulher? Em sua opinião, a Dilma Rousseff ajuda ou atrapalha a luta das mulheres? 

Isso pode soar contraditório apenas em uma análise muito superficial. Uma mulher na presidência não altera o fato de que a participação da mulheres na Câmara dos Deputados é de 9%, por exemplo. A Dilma ajuda principalmente em uma questão de representação que independe dela. Garotas agora crescem sabendo que podem ser presidentes um dia. Representação é importante e faz muita diferença na vida das pessoas. Ainda assim, acho que a gestão da Dilma poderia ter feito muito mais pelas mulheres brasileiras.

Carol considera que parte da imprensa se foca no 'jornalismo punheteiro'

- A mídia ajuda a reforçar o machismo ou a misoginia de qual maneira? O que representa uma nota que faz patrulhamento de corpos das celebridades, por exemplo? 

Essas notas são terríveis. O que elas de fato dizem é que qualquer mulher em qualquer ocasião pode e será avaliada pela sua aparência de acordo com o parâmetro surreal de beleza e comportamento defendido atualmente. A atriz está ganhando o Oscar? Claro que ela é competente, mas vamos falar sobre ela não ter depilado as pernas. É uma tenista premiada? Ok, mas vamos mostrar como a saia dela levantou naquela última partida.  Heidi Klum salvou o filho e a babá de se afogarem no mar? Ignore o heroísmo e mostre que o biquíni dela saiu do lugar. É o que chamamos de “jornalismo punheteiro”. Não importa o que a mulher faça, primeiro ela é avaliada por sua beleza e elegância.

- Em suas ilustrações, vejo que muitas vezes a mensagem é “Não se importe com os outros, viva a sua felicidade”. É um exercício não se deixar influenciar pelo olhar alheio? Como você trabalha os apontamentos?

De certa forma, sim. As mulheres convivem com esse patrulhamento ao ponto de acharem isso natural. Elas são patrulhadas e patrulham também. Então é um chamado tanto para elas perceberem o absurdo dessa cobrança quanto para que pensem duas vezes antes de repetir o discurso. Eu mostro vários casos diferentes, e cada mulher se identifica com um ou mais, mas não com todos. Se ela perceber que os outros com os quais ela não se identifica são parte do mesmo patrulhamento que ela sofre, acho que fica mais fácil olhar os problemas das outras mulheres e ter mais empatia em diversas situações.

- Vi que alguns dos seus posts você fala sobre transexualidade, nanismo, pelos, halterofilista... Tem aprendido muito com os desenhos ou refletido mais sobre os assuntos? 

Eu venho aprendendo demais, isso está sendo ótimo pra mim. A reflexão sobre cada tópico é inevitável. Quando escrevo sobre uma situação que eu não vivo pessoalmente, é preciso pesquisar. Em relação as pessoas com nanismo, por exemplo, eu precisei pesquisar sobre o preconceito que ela sofrem, quais as expressões maldosas que costumam escutar... É claro que a alteridade só me permite ir até um certo ponto. É preciso ouvir o que essas pessoas tem a dizer.

-Como lida com essas reflexões e divisões de papeis dentro de seu relacionamento?

Eu sou casada, eu e meu marido estamos em uma relação estável há bastante tempo. A gente pensa de uma forma similar em relação a gênero e orientação sexual, nunca tivemos nenhum atrito por causa disso. Não sei se respondi bem a sua pergunta...

Ilustrações que falam sobre o grupo trans

- Recentemente, um grupo de universitárias da UFF causou polêmica ao costurar a própria vagina no evento popularmente chamado “Xereca Satânica”, no Rio de Janeiro. Qual é a sua opinião sobre o evento? Há limites para o empoderamento do corpo? 

Sinceramente, eu acho que todo ser humano deveria ter liberdade total sobre seu corpo. Pelo que entendi, tudo o que aconteceu neste evento foi totalmente consensual. Pra mim, cada um deve usar o próprio corpo como quer, e não cabe a terceiros limitar essas decisões. Eu sinto uma aflição enorme só de ouvir falar nessa história da Xereca Satânica, as pernas ficam até bambas. Sabe, eu sou do tipo que chora pra fazer exame de sangue e foge de vacina por medo de agulha.

-  Uma pergunta simples, mas espinhosa: O que é ser mulher?

Isso é algo que já tentei racionalizar várias vezes, mas acredito que é, simplesmente, ser.

- Alguns grupos de feministas não aceitam mulheres transexuais ou travestis e alegam que elas não são mulheres biológicas. Para você, mulheres transexuais e travestis também entram no grupo de feministas absolutamente equiparadas às mulheres cis? 

Eu acho que o feminismo demanda constantemente que os homens revejam seus privilégios e reconheçam o machismo em todas as suas formas na sociedade. E isto está certo, é reconhecendo o próprio privilégio que se admite uma desigualdade, e enxergar o problema é o primeiro passo para resolvê-lo. E acho que falta um pouco disso dentro do feminismo: as mulheres cis reverem seus privilégios em relação às mulheres trans, e assim, identificarem a existência e as consequências da transfobia.

São várias formas de opressão que uma pessoa pode sofrer, e ela não tem como escolher apenas uma delas para lutar. Por exemplo, uma mulher negra não pode ser apenas mulher quando luta pelo feminismo e depois só negra quando luta contra o racismo. A mulher negra enfrenta machismo dentro do movimento negro e racismo dentro do feminismo.  Você pode ser simultaneamente oprimido e opressor, dependendo dos seus privilégios. A mulher branca e cis é oprimida pelo machismo, mas pode estar oprimindo pessoas (mulheres) negras e trans. Então, eu acredito num feminismo que lute pelas mulheres trans, negras, pobres e com deficiência física também. Porque a mulher negra, trans, pobre e cadeirante não tem como ignorar sua identidade enquanto estiver lutando por igualdade de gênero. O feminismo tem que ser um espaço seguro para todas as mulheres.

- Por que, então, ocorre a hiper-valorização da vagina em tantas páginas feministas?

A valorização da vagina tem dois lados. Um que tende à transfobia ao excluir a representação de mulheres trans, e outro que traz visibilidade ao órgão. Simbolicamente, acho importante essa visibilidade. Aos 12 anos de idade, todos os garotos estão desenhando pintos no quadro negro da escola quando o professor sai, enquanto as garotas não fazem ideia de onde fica o clitóris. Então, acho importante a vagina ter visibilidade dentro do feminismo, mas não acho que ela deva ser um símbolo para definir o movimento e menos ainda para definir o que é ser mulher.

- Uma dúvida: os homens são bem-vindos à causa feminista? Um dos discursos mais comuns é que não existe homem feminista, por conta dos privilégios. 

Outro dia, li a seguinte citação de Kelley Temple: “Homens que querem ser feministas não precisam receber um espaço no feminismo. Eles precisam pegar o espaço que eles tem na sociedade e torna-lo feminista”. Eu acho que isso é bem interessante. A mulher se considerar feminista é uma forma de empoderamento que o homem não precisa. Eu acredito que homens possam ser aliados, e de certa forma podem ser também prejudicados pelo machismo. Isso é muito evidente com homens gays ou trans. O machismo os afeta negativamente também.

"Todo ser humano deveria ter liberdade total sobre o seu corpo"

- O feminismo luta pelo direito da mulher, da escolha e do corpo. O que você pensa sobre personagens ditas como transgressoras, tais como Valesca Popozuda, que ao mesmo tempo em que tem um discurso de “my pussy é o poder” está dentro de um sistema machista, em que homens exploram o corpo da mulher e as induzem a ficar com a bunda para cima? Ou então como a Catarina Migliorini, que resolveu leiloar a virgindade – um direito ao corpo, ponto - mas que reproduz nada mais que uma tara masculina?

Eu vejo muita discussão a respeito disso no feminismo, e acho um ponto interessante de ser debatido. A princípio, eu defendo a escolha pessoal de cada mulher acima de tudo. Não acho que uma escolha só deva ser respeitada caso rompa com todas as características do patriarcado. A Stoya é uma atriz pornô que me falou mais sobre feminismo do que várias mulheres em profissões que não alimentam uma tara masculina. Ela escolheu uma profissão que ela gosta, na qual se sente bem, e não vejo porque isso deve ser condenado.  Acho que lutar contra o patriarcado é, acima de tudo, lutar para que cada mulher tenha suas escolhas pessoais respeitadas. Eu vi algumas pessoas criticando exatamente isso na minha ilustração sobre Laís e Paula, atriz pornô e dona de casa, porque seriam duas profissões a serviço do homem, teoricamente. E olha que ninguém sabe se Laís faz filmes pornôs voltados para mulheres (que também podem gostar do gênero), ou se Paula é casada com homem... Ela pode ter uma esposa, não? Ou ter nascido rica e escolhido apenas cuidar da casa. Ou não, e isso não invalida as suas escolhas pessoais.

- Um dos grandes imbróglios dos movimentos é sobre como lidar com a luta pela legalização da prostituição como profissão e, em contrapartida, lutar contra a exploração sexual e do corpo da mulher, que ocorre neste campo. É possível ser a favor das duas coisas?

Com certeza. Eu acho que a prostituição deve ser regulamentada, exatamente para evitar a exploração e o abuso. Acho que é fundamental respeitar a autoridade de cada um sobre o próprio corpo.

- Em qual resultado o feminismo quer chegar?

Certamente, de igualdade tanto social quanto legal. Mas são muitas correntes do feminismo, e são muitos os objetivos diferentes - e às vezes divergentes.

- Qual é o seu maior sonho e, se puder adiantar, qual é o seu próximo desenho? 

Meus sonho é bobo e materialista, vai desapontar todo mundo. Eu só queria ter uma banheira de hidromassagem em casa, pronto. Quanto ao desenho, não vou estragar a surpresa - mentira, eu que ainda não fiz [risos].

- Estamos ansiosos! 
[Curta e acompanha as ilustrações de Carol Rossetti no Facebook e no Tumblr]

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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