Pop & Art

Maite Schneider se desnuda para o projeto mais ousado de sua carreira, Escravagina






A atriz Maite Schneider – uma das mulheres transexuais de maior relevância do Brasil - vai se desnudar para o projeto mais ousado de sua carreira: o trans-monólogo Escravagina, escrito pelo autor Cesar Almeida, que conta com uma campanha importante (veja mais) e que estará em cartaz a partir do dia 2 de novembro.

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Trata-se de um experimento sensorial que comemora os 30 anos da Companhia Rainha de 2 Cabeças e os 42 anos da atriz, em que a plateia será levada a mergulhar nas questões de gênero, sexualidade, identidade e política no mundo contemporâneo. E mais, romper de uma vez com os mitos envolvendo a transexualidade.

Maite estará completamente nua e exibirá suas dores, conquistas e marcas ao público, convidando-o a refletir com ela e até tocá-la. “ Este monólogo é um presente e  eu estou liberando todos os meus fantasmas e ultrapassando as barreiras, sejam elas no corpo, da sexualidade e dos tabus ”.

A obra iniciará com um trecho do programa Tabu, da National Geographic, em que Maite é uma das protagonistas. Depois, a atriz aparecerá pronta para aniquilar as raízes de seu pior tormento e utiliza de uma metáfora interessante - e que não vou revelar agora - para convidar o espectador a se livrar dos próprios sofrimentos. 

“Em outra cena, estarei nua e convidarei alguns a vestir uma luva médica, pegar uma lupa e me tocar. A ideia é que a gente rompa com as dúvidas óbvias – como é a estética da vagina de uma transexual? A vagina é igual à de uma pessoa cis? Goza? – e que depois que acabarmos com essas questões,  levemos essas pessoas a prestar atenção realmente no discurso”.

O sorteio para as pessoas que a tocarão é aleatório, o que para Maite é como uma roleta russa. "Não tenho ideia de como serão as reações, pois não esperamos apenas amigos. Estou pagando pra ver", diz ela, que protagonizará ainda uma cena de masturbação.


O que te excita ou provoca? 

Com dois meses de ensaio, Maite afirma que o projeto está sendo um aprendizado até mesmo para ela, que tem o maior portal voltado ao tema, o Casa da Maite, e que promete revelações surpreendentes até mesmo aos admiradores de longa data.

"Esse espetáculo busca romper com meus próprios preconceitos, expondo-me ao máximo, transformando minhas limitações em alvos a serem ultrapassados. É exposição total da figura humana retrabalhada em tempos em que a liberdade de expressão é confrontada com o fundamentalismo".

Além das cenas fortes e importantes, o monólogo terá momentos lúdicos e leves, como 
os shows de talentos exibidos na televisão, sobretudo no programa Silvio Santos e Bolinha, e resgatar o romantismo das plumas e paetês. Tudo com muita verdade, aliando ficção à vida real. 

 “Não acredito numa arte que esteja desvinculada à pessoa, senão não passa verdade. Essa obra fala de mim e eu estarei entregue totalmente. Ações afirmativas são cada dia mais necessárias para vencermos a nova onda de preconceito pela sociedade”, defende.

Para patrocinar


Para que a obra realmente entre em cartaz, há um projeto para arrecadação de dinheiro no Catarse. É possível doar a partir de 30 reais e, cada valor doado, tem direito a uma recompensa – dentre elas até o nome tatuado no corpo da atriz.

O dinheiro arrecado será utilizado para pagamento da locação do teatro, locação de equipamentos, material publicitário, cachês da equipe técnica envolvida, 13% para o site Catarse e também na manufatura de algumas recompensas que serão entregues.

“Esta montagem é um grande presente de libertação das últimas fronteiras que ainda me limitam e dos preconceitos que ainda me aprisionam, e fico feliz que venha celebrar os meus 42 anos de idade. Será um grande presente ter sua ajuda neste momento, e ficarei imensamente grata por sua participação”.

Assista: 


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

4 comentários:

REALIZARTE disse...

Parabens pela idéia super original pela iniciativa e pela coragem quero ir assistir bjs
merd

Nevesmara disse...

Maitê querida
Talentosa mulher.......mais uma vez sendo o nosso cartão postal não só no WORD LGBT , mas sim , , orgulho de sermos brasileiros e que também temos várias formas de serem seres " HUMANOS " ; e com muita nobreza e dignidade nos enriquecendo os olhares, para a vasta diversidade que há ......
pois pessoas são pessoas
Mas ,,,,,,,,,,,,tbéééémmmmm .........
caráter é para poucos
E nisso você nasceu privilegiada ,,,,,,,,,
Esbanjadora de caráter
Sucesso

Roberta Stefany disse...

Tem livro dessa obra?

Uma mulher trans disse...

Essa pessoa é claramente doente. É por gente assim que o movimento trans brasileiro não vai pra frente.

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