Pride

Miss T Brasil tem primeira vencedora negra e é alvo de comentários racistas








O Miss T Brasil, concurso de beleza voltado para as travestis e mulheres transexuais, teve a sua terceira vencedora anunciada em novembro deste ano: Valesca Dominik Ferraz, a primeira Miss T Brasil negra a vencer a disputa e a segunda a ir ao Miss International Queen.

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Após o anúncio da vitória, pipocaram comentários racistas na rede, questionamentos de que o concurso tinha credibilidade duvidosa e que o resultado estava certo antes mesmo de começar. Tanto que a candidata teria usado o mesmo vestido de outra miss de um ano anterior.

O NLucon conversou com a organizadora, Majorie Marchi, que alegou que todas as declarações são infundadas e não passam de uma rejeição de cunho racista.

“Me orgulho que o Miss T Brasil não elenque padrão e estou feliz de ter uma jovem trans negra e de comunidade pobre como miss. Quando abri o envelope e vi o resultado, já tive um vislumbre da rejeição que teriam ao ver o maior título da beleza trans no Brasil com uma negra moradora da favela", conta ela, que pode levar o caso à Justiça.

Majorie diz que nos concursos de beleza em geral as pessoas ainda não estão acostumadas a verem mulheres negras como protagonistas. "O Brasil ainda tem uma cultura racista, principalmente no que tange os concursos de beleza. Passei por isso quando anunciei que a Jéssica Simões iria (ao Miss International Queen, em 2012) foram os mesmos ataques e acusações", declara.

VESTIDO

Ao comentar sobre o empréstimo do vestido, a organizadora explica que os vestidos do Miss International Queen são de propriedade das candidatas e que, no caso, Rafaela Manfrini alugou o vestido para Valesca. "Todas as misses costumam alugar os vestidos para outras misses, até para recuperar parte do investimento que foi feito. Além disso, a Rafaela é profissional de beleza e maquiou uma das candidatas, que não ficou no top 5. Não entendo o questionamento".

O MISS INTERNACIONAL

Enquanto isso, começa a preparação para Valesca e Gisela Andrade (segundo lugar do Miss T 2013) para o Miss International Queen 2015. "A segunda indicação é técnica, olhando as meninas que participaram ao Miss T e que têm potencial para o internacional, além de ter qualidade que valorizamos. Miss que sai chorando ou dando ataque nunca deveria usar a faixa mesmo".

Para Majorie, depois da vitória de Marcela Ohio em 2013, a visibilidade para o concurso aumentou. "Marcela e Raika (Ferraz, Miss T 2013) representaram bem o Brasil na Tailândia e foram elogiadas pela beleza e educação. Hoje, somos mais cobradas, mas temos duas opções fantásticas que serão moldadas ao que pede o MIQ e acredito, sim, que o Brasil volte ao top 3 e dispute a coroa. Nunca fomos a passeio".

Diante das confusões virtuais, Valesca parece não se incomodar. Em um post, disse apenas: "Sim, sonho em andamento. Vou representar o Brasil na Tailândia. Sou negra. Sou cria da comunidade. Sou Valesca. Da favela para o mundo".

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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