Pride

Morre Suzy Capo, ícone das artes e da luta LGBT

A atriz, diretora, criadora ... Suzy Capo sempre transpareceu ser o exemplo da mulher forte, destemida, autêntica, independente e sem medos de dizer a que veio – ou de fazer o que der na telha. Era dona de um olhar profundo, doce, caído e que escondia tantos segredos que a caixa de pandora se enciumaria.

Não foram raros os momentos em que senti os pelos arrepiarem com a chegada ou saída dessa mulher. Era uma energia vibrante, digna de uma geração que transgrediu, evoluiu e que corria atrás das consequências. Também um exemplo de luta pelos LGBT.
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Nas poucas conversas que tive, como no dia em que perguntou o que eu havia achado do filme “Quanto Dura o Amor?”, em 2010, que contava com uma protagonista mulher transexual, era como se eu recebesse um prêmio e não poderia decepcionar. Mas me chamaram na redação e, ao voltar, ela já havia saído sem dizer adeus.


Estava sempre correndo, fazendo, acontecendo, evocando arte e transgressões. Foram muitas as contribuições para a arte e para o cenário LGBT – bem como o festival Mix Brasil, a criação da palavra GLS num período cujo “amor não poderia falar o nome” e tantas outras, que só a admiração da também eterna Claudia Wonder responde por si só.

Nesse sábado (10), Suzy parte - novamente sem tempo de dizer adeus. A gente custa acreditar. Apenas um sentimento de vazio toma o peito e abaixa os pelos. Sei, todavia, que a energia do seu nome continua forte, que a sua obra vai repercutir e inspirar muita gente. Sei também que somos privilegiados por termos esbarrados em algum momento naqueles doces olhos caídos. E que viam tantas coisas além do óbvio.

Missão cumprida, Suzy. Obrigado! Agora, como disse à Claudia, “virou estrela de verdade".

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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