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“Expectativa de vida de travestis é de 35 anos, mas deve aumentar”, afirma psicólogo social


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Todos os dias matérias sobre assassinatos e mortes de travestis e mulheres transexuais se espalham pelos noticiários. Sejam elas dentro de um contexto de prostituição, por crimes transfóbicos, doenças, tratamentos estéticos (de alto risco) e suicídio.

+ Confira entrevista com a atriz cubana Phedra de Córdoba


A expectativa de vida do grupo: 35 anos, informou o doutor em psicologia social Pedro Sammarco, autor do livro Travestis Envelhecem, frente à média de 74,9 anos dos demais brasileiros (IBGE, 2013). Ele frisa, todavia, que o número deve mudar nos próximos anos, já que atualmente é possível ver e contabilizar as travestis idosas.

“É um fenômeno novo e elas são vistas como sobreviventes e heroínas. Durante a eloração do projeto tive dificuldade para encontrar as travestis na terceira idade, mas pela minha pesquisa vejo que muitas acabam cuidando das mais novas, como bombadeiras, abrindo negócios, outras acabam se recolhendo e até deixando de ser travesti...  A expectativa de vida vai aumentar e a qualidade de vida vai aumentar na medida em que o grupo começa a adquirir cidadania”, afirma.


Durante uma das atividades da Semana da Visibilidade Trans, no Centro de Referência da Diversidade, em São Paulo, Pedro informou que a morte precoce de uma travesti ou transexual geralmente começa a se antecipar logo ao ela se assumir trans. “A família não entende, expulsa de casa, sobretudo nos interiores do Brasil, e ela começa a ter uma vida de exclusão na escola, no trabalho e muitas são jogadas à marginalidade”.

Tendo em vista que 90% das travestis trabalha na profissão do sexo – segundo a ANTRA – Pedro faz uma comparação com os esportistas que trabalham utilizando o corpo. “Você pode ver que geralmente eles também se aposentam aos 30. É a vida útil para quem trabalha exercitando o corpo e não é diferente com a travesti. A diferença é que no caso delas é pior, pois na prostituição ela também está sujeita à violência, drogas e doenças sexualmente transmissíveis. Fatores que limam a expectativa de vida”.

Durante o debate, a atriz Phedra de Córdoba – que participa do livro e que está com 76 anos – declarou que enfrentou sozinha as dificuldades e preconceitos de viver no Brasil, sem qualquer tipo de apoio do governo. “Vi muitas amigas morrerem e só acho que sobrevivi porque me impus. Você tem que se impor: sou mulher, sou transexual, exijo respeito. Daí as pessoas te respeitam porque vê que você é forte”.

O NLUCON também pesquisou dados sobre a expectativa de vida de homens trans, mas segundo o psicólogo e escritor João Nery – autor do livro Viagem Solitária e considerado o primeiro homem trans operado do Brasil – esta realidade carece de dados. Atualmente, João está com 65 anos.

Phedra finaliza: “Eu nasci, cresci, vivi e uma hora tenho que deixar isso. Só tenho medo de deixar os meus gatos e gostaria de ir antes deles. Mas tive sorte de chegar a esta idade. Espero que essa geração também tenha esta oportunidade”.

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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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