Entrevista

Buck Angel fala sobre pornôs, ativismo e manda recado aos homens trans brasileiros



Por Neto Lucon (tradução Paulo Bevilacqua)

Careca, barbudo, tatuado e dono de um corpo com músculos bem distribuídos. O militante, advogado e ex-ator pornô Buck Angel, 42 anos, é um dos homens trans mais famosos do mundo. Também é ícone da cultura pop, sex symbol e ativista que proclama o amor próprio.

+ "Amo a minha vagina", diz Buck Angel em documentário 

Foi por meio das produções eróticas que ele catapulta desde 2004 o tema da identidade trans e que surpreendentemente educa parte da sociedade para duas questões tabus. Deu visibilidade a um corpo trans empoderado e também desmistificou a falácia de que identidade de gênero tem relação com orientação sexual: sim, um homem trans em filmes gays.

Nascido em San Fernando Valley, em Los Angeles, o ativista teve a infância e adolescência livre de rótulos, até que um terapeuta o classificou como doente e o internou. Depois, vieram o álcool, as drogas, uma carreira de modelo (com a identidade feminina) e retomada de sua identidade cheia de superações.

Pelos filmes, venceu o prêmio de melhor performance no AVN Awards, foi personagem principal de inúmeras reportagens e foi protagonista do doc, Mr. Angel. Há três anos, Buck deixou de atuar em filmes, mas continua presente e atuante em outras atividades – inclusive nos bastidores das produções e promovendo palestras motivacionais.

Em entrevista exclusiva ao NLUCON, Buck fala sobre as produções, transfobia e até manda uma mensagem aos homens trans brasileiros. Confira:

- Você é uma referência positiva para muitos homens trans no Brasil, pois deu pela primeira vez visibilidade ao grupo. Você imaginava que, por meio de filmes pornôs, pudesse fazer uma militância que rodaria o mundo?

Nunca esperei que fosse me tornar esse cara que faz uma diferença positiva no mundo. Fico muito feliz em saber que os homens trans brasileiros conseguem enxergar em mim alguém que faz um trabalho legal. Muitos homens trans nos EUA não gostavam muito de mim antes. Mas agora eu estou muito feliz. Bom, eu não tive qualquer intenção com meus filmes de me tornar um militante. Aconteceu porque eu acabei questionando antes de todos essa ideia: “o que faz de você um homem?”. Eu toquei nesse ponto com minha vagina em meus filmes e é por isso que esses vídeos são tão poderosos e vão além da barreira da indústria pornô.

- Hoje, além de uma estrela do pornô, você é militante. Qual é a mensagem que você acredita que passou com os seus filmes? 

Olha, eu nem me considero mais um astro pornô. Já faz três anos que parei de atuar. Meu foco agora é em educar o mundo e não ser uma inspiração apenas para pessoas trans, mas para todo mundo também. Sou muito mais que um ativista trans. Minha mensagem é universal: Ame a si mesmo primeiro e depois o resto fluirá. Eu nunca tive intenção de me tornar esse ativista ou orador motivacional com meu trabalho pornográfico. Isso simplesmente aconteceu. Acho que aconteceu porque apresentei algo para o mundo há 12 anos, quando comecei, que ninguém questionava ainda. A questão do gênero.

- Diante das várias palestras que você ministra, qual é o principal mito sobre os homens trans que deve ser esclarecido para a sociedade?

Que homens trans escolhem transicionar e que não é algo necessário para o bem estar deles. Mas o que vejo hoje é um maior entendimento de fora do mundo trans. Eles veem que, quando a pessoa está feliz consigo mesma, ela participa melhor da vida em sociedade. As pessoas me perguntam muitas coisas, mas as perguntas mais repetidas são “Você algum dia terá um pênis?”, “Que banheiro você usa?” ou “Você pode ter um filho?”. Essas perguntas não me incomodam. Na verdade eu gosto quando me perguntam o que sentem vontade de saber. É importante para mim como um educador estar aberto para todo e qualquer questionamento sem ficar nervoso com isso. É desse modo que as pessoas aprendem e as coisas mudam.

- Qual é a importância do ativismo, tendo em vista que muitos homens trans preferem viver na invisibilidade e não expor a própria questão trans para a sociedade?

Ativismo não é pra todo mundo. Mas, além disso, você deve entender que se não gosta do que é representado por outros ativistas, então deveria começar você mesmo o seu ativismo. Não dá pra reclamar que alguém não está fazendo um bom trabalho, mas sentar atrás do computador e não fazer nada. Se você quer ver mudanças, então torne-se parte disso. Fora isso, não existe jeito certo ou errado de ser trans. Se você apenas quer ser invisível, é um direito seu.

- Aqui no Brasil, existe um projeto de lei chamado João W Nery, que visa garantir a identidade de gênero das pessoas trans. Em sua opinião, qual é o principal direito que o grupo deve ir atrás?

O direito de se auto intitular um homem ou uma mulher ou o que quer que deseje. Acho que a sociedade cria muitas expectativas sobre gênero. É por isso que temos tantos problemas. Como você enxerga o gênero não é assim tão simples. Nós precisamos fazer com que as pessoas pensem além dessas caixinhas. Nós temos que ensinar que genitais não representam o que alguem é.


- No documentário filme sobre a sua vida, você diz amar a sua vagina e que, se tivesse o dinheiro para a redesignação sexual, preferiria comprar uma caminhonete. De qual maneira você conseguiu se empoderar do seu corpo e dizer que “existe, sim, homem com vagina”. Você nunca teve disforia com o seu órgão sexual? Como ultrapassou essa barreira?

Eu tinha bastante disforia com meu genital. Eu queria demais mesmo ter um pênis. Mas finalmente eu aceitei que nunca iria acontecer, eu nunca faria a cirurgia para ter um pênis (neofaloplastia). Isso realmente não estava ao meu alcance. Foi aí que eu decidi parar de me lamentar e tentei achar algo que compensasse isso. Fui tão infeliz minha vida inteira, não apenas por causa da minha vagina, mas também por odiar ser uma garota. Eu já era um homem e tinha uma vagina então eu disse: “Se eu não começar a me amar, ninguém irá”. Foi como eu me tornei “ the man with a pussy”( o homem com vagina ) por meio do meu amor próprio.

- Como e quando você entrou para o cinema pornô? Lembra-se da primeira cena? Como foi?


Comecei em 2002. Foi assustador porque ninguém havia feito isso antes. Além disso, ninguém também queria ver esse tipo de filme. Me chamavam de aberração. Era horrível, mas eu sabia que era importante para mim. Eu continuei tentando e tentando até que finalmente começaram a reconhecer a importância do meu trabalho. Eu não tinha ideia que se tornaria hoje uma algo tão grande mas fico extremamente feliz por ser como é. Minha primeira cena foi apenas eu me masturbando em frente de uma câmera. Foi divertido e assustador.

- Pelo meu contato com homens trans brasileiros, nem todos lidam bem com suas vaginas e alguns abominam a ideia de penetrá-las. O que diria para eles (tenho um amigo que aguarda muito essa resposta)?

Primeiro você tem que entender que se amar tem significado diferente para todos. Para mim foi mental e físico. Acho que realmente cansei de odiar meu corpo e mais especificamente meu genital. Estava cansado de ouvir o mundo inteiro me dizer que eu nunca seria um homem por causa de minha vagina. Me dei conta do quão ridículo aquilo era. Eu secretamente me masturbava todo o tempo e amava me penetrar, mas era assustador deixar parceiros e parceiras saberem disso. Até que um dia durante o sexo, eu apenas desencanei e a pessoa com quem eu estava já estava excitadíssima e eu tive o melhor sexo da minha vida. Não fui julgado e fui amado e respeitado mais ainda como um homem de vagina. Acho que o que quero dizer é seja verdadeiro consigo mesmo. Se você é assim e mostra às pessoas que ama a si mesmo eles virão a você.

- Em relação à orientação sexual, você se define bissexual?

Sim, sou bissexual. Eu costumava apenas dizer que eu era “sexual”, então percebi que de fato eu era bi e notei o quão ruim era usar aquela palavra. Acredito que as pessoas bissexuais estão silenciadas. Então eu como uma voz ouvida vi que era importante para mim falar como bissexual e trazer mais visibilidade positiva à esse tipo de sexualidade.


- Vi filmes que você faz sexo com homens cis, mulheres cis e mulheres trans. Tem algo que você ainda não tenha experimentado e que planeja incluir em algum filme? Já filmou com outro homem trans?

Eu já fiz TUDO que você citou acima. E por agora e pelos últimos três anos não atuo mais em filmes. Eu decidi focar em trazer outros homens trans para meus filmes. Amo ser um diretor e produtor. Também sinto que já fiz bastante e preciso avançar nas minhas palestras e trabalhos em advocacia. Trazer mais caras trans novos e gostosos para o pornô é muito legal. Eu acabei de fazer o Sexing the Transman Vol. 4 e foi ótimo ver as pessoas elogiando meus filmes.

- Em sua opinião, o que é fundamental no sexo?

Deixar fluir! Deixar desaparecer seus medos e se deixar explorar o proprio corpo. Não pensar que o que você gosta é ruim. Sexo deve ser sempre uma coisa ótima , transmite que você se ama e é algo que todos fazemos e desejamos. Sexo é algo natural para o ser humano

- Certa vez, você levou o seu trabalho para o diretor pornô Michael Lucas e ele disse que nunca recebeu nenhum e-mail de homens cis gays com fantasias de homens trans. Ele está enganado, né? Você é muito assediado por homens gays? Existe preconceito dentro do universo pornô?


(risos). Aquele cara foi ridículo e tenho certeza que hoje ele sabe isso e se envergonha da atitude que teve. Ele só mostrou o quanto as pessoas são mente fechada a respeito de homens como eu. O fato é que ele estava e continua errado. Meu maior fã é um cara gay. Eu sou paquerado todo o tempo por eles. Eles amam e respeitam meu trabalho, entendem o que é “ser um homem” e que isso não se resume a ter um pênis. Então podemos dizer que há sim muito preconceito e racismo na indústria pornô. Mas meu trabalho e o de outros já estão mudando isso.

- Buck, hoje em dia você ainda sofre algum tipo de transfobia? Quando? E como você lida com as situações de preconceito?

Claro que sofro transfobia. A palavra ainda nem é entendida. Sempre escuto que no Brasil existe bastante discriminação, em todo o mundo há. Eu sou uma grande voz como disse anteriormente e com isso também sou um alvo. Sorte que sou duro na queda. Não me dói mais como antes porque sei que só acontece porque as pessoas não foram educadas. Eu irei e você também irá mudar isso aos poucos. Educar é a chave. Estar presente no mundo é a solução. Doar nossas vidas para o mundo é a chave para fazer a diferença. Lembre-se do que sempre digo: “seja a mudança que você deseja ver”

- Você acredita que, caso a transexualidade fosse mais aceita, você teria se livrado dos problemas com as drogas, internações...? O que diria para pais de filhos trans?

Olha, essa é uma pergunta difícil porque surgiu com o fato de eu não estar feliz comigo mesmo. Mas tenho certeza que a sexualidade também contribuiu para meu vício. Meus pais tiveram momentos difíceis, mas um recado que eu mando para os pais nessa situação: POR FAVOR, AMEM SEUS FILHOS. Quando eles contam a vocês, eles precisam desse sentimento, sejam legais. Não é o fim do mundo, mas um novo mundo e pode ser algo positivo para todos. Quando rejeita você cria o ódio e isso vai gerar um monstro e tudo estará perdido.


- A mídia ajuda ou atrapalha na luta do grupo? Ficou chateado com o tratamento de Tyra Banks, que te trouxe para um programa que falava sobre “aberrações”?

Foi ótimo porque trouxe visibilidade a nós. Tyra apenas estava sendo Tyra. Esse é o trabalho dela. Como poderia me chatear? Fico feliz em ter participado e mostrado ao mundo que tenho orgulho de mim mesmo e me amo. Não importa o que digam sobre mim.

- O que você costuma ler atualmente?

Devo confessar que não sou um grande leitor, infelizmente. Minha vida é absurdamente corrida. Ultimamente tenho lido biografias de várias pessoas porque estou escrevendo a minha própria. Gosto de assistir vários filmes e o ultimo que vi foi Whiplash- Nos Limites. Eu amo cinema.

- Hoje, você está 100% feliz com o seu corpo?

100% feliz e amo dividir isso com o mundo. Amo ajudar outros a chegarem nesse estágio de aceitação consigo mesmos.

- Você se separou e o processo foi tumultuado. Como está a sua vida amorosa hoje em dia?

Sim, foi horrível e é uma longa história que será contada no meu livro. Se quiser, poste esse link. É um triunfo importantíssimo para mim e também para toda a comunidade LGBTQ. http://www.noladefender.com/content/buck-angel-wins-ftm-case-against-former-french-quarter-body-piercing-shop-owner. Estou muito feliz com minha vida.

- Pedi para os leitores fazerem perguntas para você, e a maioria deles e delas estão pedindo você em casamento. O que acha dos brasileiros? Não pensa em passar um tempinho para cá?

Eu estarei em Brasil para o proximo Sexxx Conference em Agosto. Espero que meus fãs brasileiros apareçam por lá. Estou muito animado já que nunca estive aí antes, mas sempre ouço que é um país maravilhoso. Espero ser capaz de fazer contato com alguns políticos daí para discutirmos mais sobre direitos trans no Brasil.

Qual é a mensagem que deixaria aos homens trans brasileiros?

Por favor entendam que vocês são o que quiserem ser. Se amem. Tenham orgulho disso. Não deixem que as pessoas te digam o contrario. Saibam que isso está no coração. Espalhem amor, sejam gratos. Compartilhem suas experiências, todos nós somos diferentes. Apenas sejam vocês mesmos!

- Quais são os seus próximos projetos?

Muitos muitos muitos… Mas primeiramente vou terminar meu livro esse ano. Estou trabalhando num projeto de contar histórias chamado www.trantastic.com onde várias pessoas trans contarão ao vivo suas historias de vida no palco. Estou trabalhando também num livro sobre sexo trans. Estou filmando a minha série Sexing the Transman www.sexingthetransman.com . Eu gostaria de dizer obrigado a todas as pessoas trans brasileiras. Eu amo vocês demais e sei que todos somos um só, somos todos seres humanos. Vamos aprender a espalhar amor ao mundo.  //



EM INGLÊS:

- You are a positive reference to the Trans* Male community in Brazil, because of you this group has some visibility. Could you ever imagine that you could be a militant through adult movies, affecting the whole world? What is the connection between militancy and movies?

Never ever would I expect to become this guy who now has made a positive influence in the world. It makes me so happy that Brazilian trans men can see me as someone who does good work. Many of the trans men in the USA were not so giving to me before. But I am so happy. Well I did not have any intention for my movies to become militant, but they did because I was pushing the this idea of what makes you a man before anyone else. I opened up that question with my vagina in my movies, this is why my movies are so powerful and crossed over to mainstream and outside of the porn word.

- Today, you are not only a porn star, but an important Trans* Male activist . You were always an activist or it was something  that you discovered during your porn star career?

Well I do not think of myself as a porn star anymore. I do not star in movies for over 3 years. My focus now is to educate the world and to be an inspiration to everyone not only trans people. I would say that I am much more than a trans activist as well. My message is universal. Love yourself first then everything will follow. I never had the intention to become this activist or motivational speaker with my porn work, it just happened. I think it happened because I was presenting something to the world 12 years ago when I started that no one else did. The question of gender.

- What is the importance of activism, given that many trans men prefer to stay anonymous to society? How do you see it and what would you say to trans people who loathe the idea of talking about their lives, whether out of fear or shame? Is visibility important?

Activism is not for everyone. But that said you also have to understand that if you do not like what you see from some activists then you better get on board to do your own activism. You cannot cry out that someone is not doing a good job but sit behind your computer and do nothing. If you want to see change then become part of that. There is no right or wrong way to be trans. If you just want to be invisible than that is your right.

- In light of the many lectures you minister, which is the most prominent myth about trans men that should be clarified to society? Which questions do people always ask you?

That trans men choose to transition, that it is not a necessity for their well being. But what I see today is more understanding from the outside world of trans people. They see that it is something that can make a person a better part of society when they are happy in their skin. People ask me so many things, but some of the questions asked most are, will you ever get a penis? What toilet do you use? Can you have a baby? These questions do not upset me at all, in fact I like when people ask whatever question they like. it's important for me as an educator to be open to all and any question without feeling angry about it. This is how people learn and things change.

- Here in Brazil, there is a bill called John W Nery, aimed at ensuring transgender people's gender identity. What do you think is the primary right that the group should pursue?

The right to call yourself a man or a woman or whatever you like. I think society has made assumptions about gender. This is why we have so many problems. As you see gender is not that simple. We need to get people to start thinking outside the gender box. We need to teach that gentitals are not who you are.

- In your documentary, you say that you love your vagina and if you had the money for the genital surgery, you would use it to buy a pick-up. What made you feel comfortable with your body and say that “yes, there is a man with a pussy”. Did you ever had dysphoria? How did you overcome this?

I had lots of dysphoria around my genitals. I wanted to have a penis very bad. But finally I knew that this was never going to happen, I was never going to get that penis surgery. It just was not available to me. That was when I decided to stop feeling sorry for myself and just figure a way to start being happy. I had been so unhappy my whole life. Not just because of my vagina but just hating being a girl. But now that i was a man and I had a vagina it was like I just said " if I do not start loving myself no one will" and thats how I became the man with a pussy, from self-love

- How and When did you enter the porn industry? Do you remind your first scene? How was it?

I entered it in 2002. It was scary because no one had ever done this before. Also no one wanted to see it. Everyone called me a freak. It was horrible. But I knew that it was important to me. I just kept going and going until finally people started to recognize my work as important. I did not know that it would become such an important thing today but I am so happy it is what it is. My very first scene was just me masturbating in front of the camera. It was fun and scary.

- By the contact with many Brazilian transguys,  I know that many of them are not ok with their genitals, some even repudiate the idea of being penetrated. What would you tell them? (I got a friend that is particularly anxious to read this answer) How was having sex with cis gay guys in your films? Do you enjoy doing it?

First you must realize that loving yourself means different things for everyone. For me it was mental as well as physical. I guess I really just got tired of hating my body and specifically my genitals. I was tired of the world telling me I was never going to be a man because of my vagina. I realized how ridiculous that was. I secretly masterbated all the time and loved to penetrate myself, but I was scared to let lovers know this. Until one day during sex I just let go and my lover was so excited and I had the best sex ever. I was not judged and I was loved and respected more as a man with my vagina. I guess what I am saying is just be true to yourself. If you are that and you show people that you love yourself they will come to you. Most people are drawn to people are are authentic. Be that, love that and just do what you have to do to be in a world where you have had to fight your whole life to be you.

- Do you define yourself as bissexual?Yes I am bisexual. I used to just say that I was "sexual" then I realized that I am bisexual and why am I acting like its a bad word. I feel like bisexual people still sit in the back of the bus. So because I have a loud voice I realzed that it is very important for me to talk about being bisexual and that hopefully this will bring more positive awareness to this type of sexuality.

- I’ve watched films that you have sex with cis guys, cis girls and trans girls. Is there anything that you haven’t tried yet and plan to include in another video? Have you ever had sex in a film with a trans guy?I have done ALL the above. As for now and the last 3 years I am no longer acting in films. I have decided that i want to focus on bringing other trans men into my films. I love being a director and producer. I also feel like I have done it and need to moe on to my public speaking and advocacy work. Bringing hot new trans men onto the porno scene is so great. I just released Sexing The Transman Vol. 4 and its so great to watch people say great things about my films.

- In your opinion, which is essential in sex?

Letting go! Letting go of fears and letting yourself explore your body. Not having thoughts that what you like to do is bad, Sex should always be an awesome thing. It should reflect that you love yourself and that it is a thing we all do and crave. Sex is a natural part of being a human

- Once, you presented your work to director Michael Lucas and he answered he never received requests from cisgender gay men attracted to trans guys. He was wrong, right? Are there many gay men hitting on you ? Is there prejudice in the porn industry?

Hahaa That guys was ridiculous and now I am sure he knows it and is very embarrassed about his action on my film. He just shows how people are so closed minded about men like me. The fact being he was and is wrong. My biggest fan base is gay men. I get hit on all the time by them, they love and respect my work. They understand what "being a man" is and it sure as hell is not just a penis. So that said es there is lots of prejudice and racism in the porn industry.But my work and the work of others is changing that.

- Buck, do you think that today you still suffer any kind of transphobia? When and how does it happen? What’s your reaction?

Of course I do. The word still does not understand. I hear in Brazil that there is lots of transphobia. All over the world there is. I am a big voice like I said earlier and so I am a target. Lucky I have a thick skin. It doesnt hurt me anymore because I know this just to be that people havent been educated. I will and you will change that eventually. Education is the key. Being present in the world is the key. Living our lives to the world is the key to making change. Remember what I always say..Be the change you want to see.

- Do you think that if transsexuality were well accepted, you would have avoid drug abuse ? What kind of advice would you give to transgenders’ parents?

Well thats a tough question because it did come from me not being happy in my skin, but I am sure my sexuality came into play as well with my addiction. Parents already have a tough time, but the one thng I would say to a parent is this. PLEASE LOVE YOUR CHILD. When they tell you they might have these feelings, be loving,, It is not the end of the world but a new world and it can be such a positive thing for all. When you reject you create hate and then you create a monster and all is lost.


- Do you think that media helps or is a hindrance on trans rights? Did you get upset on Tyra Banks when she took you to a show about “freaks”?

Its a great thing because it adds awareness to us. Tyra was just being Tyra. That is her job. How can I be upset. I am happy that I did that show and showed the world that I am proud of myself and I love myself no matter what you say about me.

- What do you like to read? And watch?

I am not a big reader sad to say, My life is so crazy busy. Lately I have been reading biographies of many people because I am writing my own book. I like to watch lots of movies and the last movie I saw was Whiplash. I love movies.

- Today, you are 100% happy with your body?

100% happy and love sharing that with the world and love helping others get to the place I am with myself.

- You broke up and the process was a tumultuous. How's your love life today?

Yes it was horrible and a very long story that will be told in my book. If you like please post this link as it is a very important triumph for me as well as the well the LGBTQ community. 
http://www.noladefender.com/content/buck-angel-wins-ftm-case-against-former-french-quarter-body-piercing-shop-owner. I am very happy with my life:)

- I asked readers to ask questions for you, and most of them and of them are asking you to marry him. What do you think of Brazil? Do not think of spending a little time here?

I will be in Brazil for the Sexxx Conference in August. I hope many of my Brazilian fans will come. I am excited as I have never been before but hear that it is an amazing country. I will hopefully be able to connect with the politicians there to talk more about Brazilian Trans Rights.

- What is the message which leaves the Brazilian trans men?

Please learn that you are whoever you want to be. Love yourself. Be proud. Do not let people tell you otherwise. Know this in your heart. Spread love, be grateful. Share your experience, we are all different. Just be you!

- What are your next projects?

Many many many..but first I am finishing my book this year. I am working on a new trans storytelling program called www.trantastic.com where many trans people will get to tell their stories live on stage. I am working on a book about Trans Sex. I am filming my series Sexing The Transman at www.sexingthetransman.com . I want to say thank you to all of Brazilian trans people. I love you very much and know that we are all one, we are all human. Lets learn to spread love to the world. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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