Pride

Visagista e mulher trans, Paula Ferreira dá exemplo de ativismo na causa animal


.
Acostumada em sair em matérias sobre moda e cultura, a apresentadora Paula Ferreira tornou-se mais uma vez notícia em Campinas, interior de São Paulo. Desta vez, depois de organizar uma ação voluntária que se tornou exemplo para a causa animal.

+ Contato com animais diminui a solidão e ajuda a vida social de crianças


Com o evento “Ajude um Animal e Mude o seu Visual”, ela – que também é uma visagista, vegana e mulher transexual - ofereceu cortes de cabelo a quem doasse pacotes de ração para cães e gatos. 


No início, a ação atraiu a atenção dos jornais e de curiosos, porém pouquíssimas pessoas confirmaram a participação – três na verdade por meio da rede social. Para a surpresa da visagista, apareceram inesperadamente dezenas de pessoas no dia do evento. Algumas voltaram para a casa com o novo visual e outras ajudaram apenas pelo amor à causa. 


“O valor estipulado eram 2kg de ração, mas no geral as pessoas levavam pacotes de 10kg, 15kg, até um gato apareceu para adoção e uma família amorosa levou. No total, arrecadamos 139,9kg no dia e até hoje recebo ligações de pessoas querendo ajudar”, revela Paula.

Todas as rações foram doadas a pessoas que também cuidam voluntariamente de animais no interior de São Paulo e que não tem condições para manter todos os bichos - bem como Dona Miriam, que cuida de oito cachorros e dois gatos de rua, e Dona Sandra, que cuida de 14 cachorros e um gato.


Após o feito, que chegou a ser matéria do jornal da cidade, Paula continua recebendo pedidos para novos eventos. Enquanto uma nova ação não ocorre – ela estuda novas datas e estratégias para aumentar as doações – a visagista indica locais que precisam de ração.

"Não tenho intuito de salvar o mundo, seria ótimo né, mas posso mudar um tequinho em minha volta. E essa é minha parcela de ajuda", afirmou. 


ATÉ ESQUECI QUE SOU MULHER TRANS


Por conta das ações, Paula afirma que muitas vezes se esquece que é uma mulher transexual. E que os possíveis rótulos sociais ficam pequenos perto da necessidade de fazer bem aos animais.


“Se houve um momento que esqueci que sou uma mulher trans, aliás, que esqueci de qualquer tipo de rótulo foi nessa situação. Recebi elogios e, acredite, críticas também. Mas em momento algum aconteceu alguma especulação sobre mim. Assim como eu também não contabilizei o sexo ou o gênero de quem ajudou. Acho linda a atitude de grupos que protegem todo tipo de animal, pessoas que nem sabemos o sexo".


UM CACHORRO E UMA RATA

Apaixonada por bichos desde a infância, ela afirma que ia às agropecuárias e comprava animais para que eles não servissem de alimentos. A surpresa ocorreu quando a mãe encontrou em um cômodo ao fundo da casa desenas de bichos das mais variadas espécies.

“Galinhas, coelhos, patos, filhos de gatos, ratazanas... Nossa, foi um susto para ela”, afirma Paula aos risos.


Hoje, ela hoje tem uma rata chamada Linda, que cria há três anos. E um cachorro, Biscoito, que encontrou atropelado e que chegou a se mudar de uma kitnet para uma casa com quintal para que ele tenha mais espaço para brincar.


"Eu o encontrei atropelado, levei ao veterinário, esperei melhorar e coloquei para a adoção. Por ter porte grande ninguém quis, então tive que me mudar já que me tornei tutora do Biscoito, sem arrependimentos. Ele me olha como se eu fosse a melhor pessoa do mundo".

ADOTAR

Ao comentar o que pensa de quem minimiza a causa animal e a compara com a de crianças carentes ou até mesmo a da questão trans, Paula afirma que ambas as lutas são fundamentais e que uma não exclui a outra. Ela destaca, contudo, que a diferença é que um animal não pode falar os maus tratos que passa.

.
Dentre as dicas da defensora para quem quer colaborar com os bichos é adotar e não comprar. Para ela, a compra muitas vezes financia os maus tratos e há vários animais igualmente amorosos esperando para a adoção.

“Comprar bichos é manter um círculo de maus tratos. Às vezes vemos cãezinhos e gatinhos lindos para a compra, mas não sabemos o que os pais são submetidos. Muitas vezes, a fêmea é submetida a uma ninhada atrás da outra, são amarradas aos machos para que seja efetuado o estupro e que a copula não ocorra risco”, explica.


OUTROS PASSOS


Aos 42 anos, Paula também mantém a carreira de modelo e de apresentadora do canal Tudo Nada a Ver, divulgado no Youtube. Outros grandes amores.


“Quando era mais nova, achava que modelos tinham de ser altas, jovens e magras, mas aprendi na agência que você modela toda vez que vende a sua imagem. Fico feliz, pois tenho trabalhos agendados para esse ano. Sei que uma hora essa fase passe, mas vou sugar enquanto for me dado oportunidades”, declarou.



.
Já sobre o programa virtual, ela afirma que ele está realizada por ver o crescimento passo a passo. “Comecei com um piloto e esse ano de aniversário ganhou até um novo quadro. Tudo criado e editado pelo diretor e editor João Henrique Alves, que fez o programa ganhar forma e trouxe para o vídeo o que eram apenas ideias”.

E o resultado é entretimento, cultura e informação! Assista clicando aqui.


Veja os vídeos sobre a campanha abaixo: 





About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.