Entrevista

Safira Bengell, 1ª atriz transformista a mudar nome, diz que definição é algo pessoal





Por Neto Lucon

 Vedete! Diva do nordeste! Estrela! Esses são alguns dos títulos e elogios que a atriz transformista Safira Bengell recebe constantemente. Com 37 anos de carreira, a piauiense de 56 faz parte da história da comunidade LGBT no Brasil – e também de fora dele!

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São inúmeros shows de dublagem, apresentações, participações em filmes e também ousadias políticas em prol dos direitos humanos. Recentemente, tornou-se a primeira pessoa que se denomina “atriz transformista” a conseguir mudar a documentação e adotar o nome “artístico”.

"Se Xuxa e Lula podem, por que eu não?", diz ela. 
Durante a decisão, o juiz avaliou as milhares de fotos da carreira de Safira, que começou na década de 70 no Rio de Janeiro, fazendo performances de Maria Alcina. Ela chegou a apresentar a Parada Gay de Roma, ser sócio proprietária de uma casa noturna em Milão e a ser convidada para o Tele Gato, o Oscar da TV italiana.

Mas nem tudo são flores. Em recente entrevista, Safira diz que passou poucas e boas na ditadura e que chegou a ser presa por se vestir com trajes femininos. Que chegou a ser levada a um hospício depois que o pai soube que ela gostava de garotos e que chegou a ser expulsa da casa da prima que a acolhia, pelos seus trejeitos femininos.

Hoje, ela continua na luta de vento em popa, casadíssima, trabalhando e levando uma vida com o pé na terra. Aqui, fala tudo em entrevista exclusiva ao NLUCON – inclusive a opção de frisar que é uma atriz transformista como luta política.

- Aos 56 anos e com história na arte do transformismo, você foi na última gestão do governo do Piauí a supervisora das Casas de Cultura (FUNDAC). É verdade que conquistou o a cadeira depois de uma crítica pontual e inteligente em um evento?

Eu já estava na Secretaria de Saúde do município e, no Dia de Combate a Homofobia, houve uma sessão solene na Assembleia Legislativa. Foi lá que eu questionei a ausência de travestis e transexuais dentro do poder público, em outros órgãos e no mercado de trabalho. Falei que aquilo era uma farsa, pois não precisávamos de homenagens, mas de trabalho. E aí eu fui convidada para trabalhar como supervisora do FUNDAC.

- Mas como se deu essa conversa?

Logo depois que eu falei tudo aquilo, a primeira dama me chamou e conversou comigo. Ela percebeu a importância do que falei e perguntou para onde eu gostaria de ir. Dei uma lista de órgãos que se encaixava dentro do que sempre fiz e que se adequava ao meu perfil e eles me indicaram ao Fundac.

- No que consistia o trabalho no Fundac?

Foi uma inovação, pois até então não existia uma supervisão e tampouco um mapeamento das necessidades das casas de cultura de alguém que fosse articulada para levar as demandas ao topo da pirâmide. Espero que o atual governo nos dê a possibilidade de dar continuidade ao trabalho e que possamos estar na gestão mostrando o nosso potencial. Isso não aconteceu quando estiver no município, onde sofri assédio moral pelo fato de não puxar o saco de uma supervisora, que só se deu por contente quando me tirou da função. Vejam vocês em qual país estamos e vivemos!

- Você sempre aliou o ativismo com a vida cultural?

Exatamente. Sou uma ativista cultural. Tenho 37 anos de profissão e ações humanitárias, e sou pioneira na política de inclusão das artistas do movimento. Sofremos censura e discriminação por sermos artistas, tanto que certa vez a polícia rasgou os meus documentos e me prendeu me autuando como vadia. Imagina você! Não tinha como não ser artista. As coisas melhoram neste sentido, mas a situação de umas décadas para cá está bem triste. Porque infelizmente de umas décadas para cá a situação está bem triste.

- Triste por qual motivo?

Nós, precursoras, lutávamos para que fôssemos sindicalizadas e que nossa profissão fosse levada a sério. Demos continuidade ao teatro de revista, embora Claudia Raia tenha declarado que ela resgatou. Mas na verdade no final da Ditadura foram as travestis quem resgataram este trabalho. De umas décadas para cá, com a nossa ida para a Europa para buscar melhores condições artísticas, esse mercado foi invadido por pessoas que não são profissionais, mas que se arriscam na arte para satisfazer seus egos de beleza. Desculpe-me, mas é a realidade. A parte profissional ficou muito abalada e a sociedade brasileira atualmente confunde as atrizes transformistas com aquelas pessoas que sobem ao palco para dar pinta. Isso dificulta a nossa sobrevivência.





- Então você acha que mesmo com toda a militância feita nos últimos anos as artistas trans ou transformistas não são beneficiadas?

Imagina! Antes, batíamos ponto nas casas que trabalhávamos, a gente era valorizada. Hoje, confundem arte com micagem, com frescura. Depois que veio o movimento organizado, as pessoas começaram a segregar e o movimento não nos chama para estudar maneiras de nos inserir no mercado de trabalho. Penso que as Paradas deveriam ser menos musicais e com mais mensagens políticas. Em 2000, no Gay Pride Jubileu, em Roma, eu fui a apresentadora oficial juntamente com o ator italiano Leo Gulota e vi cartazes, pessoas falando sobre as necessidades. Nós, as atrizes transformistas, fomos esquecidas e temos que nos virar para sobreviver.

- Safira, então como você conseguiu sobreviver como artista?

Viajando pelo Brasil do Oiapoque ao Chuí, com uma caixa de vinil no ombro, uma vitrolinha de pilhas para ensaiar e sendo enxotada por colegas veteranas (risos). Por isso não me firmei no eixo Rio São Paulo. Sempre gostei de estar com bons cachês no bolso, coisa que não acontecia nestas capitais onde a concorrência era grande. Muitas conseguiram e estão aí, como a Phedra de Córdoba, a Rogéria e tantas. É difícil sobreviver porque o movimento organizado exclui as artistas. Isso é muito negativo, principalmente num momento em que a gente precisa de trabalho. É por isso que bato na tecla de que sou atriz com DRT e que precisamos ocupar os espaços na TV, no teatro, no cinema e na publicidade. Precisamos que olhem o nosso talento e não a nossa condição em primeiro lugar.

- Você foi a primeira pessoa que se define como atriz transformista a mudar o nome no registro civil, certo?

Fui vitoriosa por mudar o prenome no regime civil e optei por uma carteira de identidade com o nome artístico. Sou atriz com formação acadêmica e foi por conta dessa carreira reconhecida internacionalmente, com suor e levando arte, com um arquivo rico de recortes e fotos anexadas no processo, que consegui mudar o nome. Este é um direito nosso, rezado na Constituição, que diz que é direito de trocar o nome por erro ou por sofrer constrangimento. Para mim, foi um momento único e emocionante ver os juízes elogiarem um trabalho tão sofrido. Sempre falei que nome social não é solução e que basta entrar com uma ação para conseguir mudar o prenome. Demora, mas sinceramente o que não demora neste Brasil? Sinto-me orgulhosa de ser a primeira atriz transformista brasileira a ter o direito de usar o nome artístico no RG. Se Xuxa e Lula podem, por qual motivo eu não? (risos).

- Bom, é aí que eu preciso entender. Apesar da mudança de nome, você diz que é uma artista, uma transformista e que coloca a personagem na bolsa. Mas a sua figura não é 24h feminina?

É uma figura feminina... É uma identidade feminina. Mas que convive pacificamente com o sexo biológico. Sei vestir a personagem na hora certa.

- Essa definição não é exatamente a mesma que muitas pessoas que se dizem travestis dão?

Primeiro, eu sou uma pessoa. Segundo, eu sou uma artista. Terceiro, eu sou aquilo que eu me sinto. Ninguém deve ter o direito de dizer o que o outro é. Cada pessoa deve ter o direito de se definir. Na teoria pode até dizer que sim (sou travesti), mas na prática não. Há décadas a gente não podia falar travesti, pois era sinônimo de prostituição e uma imagem estigmatizada. E hoje querem que a gente diga o que eles querem. Esse tipo de imposição fragiliza, não é benéfica.






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- Então me explica a sua luta por se definir como transformista?

Digo que sou uma artista porque o movimento nunca me deu sobrevivência, quem me deu foi a arte. Esquecem que as precursoras foram as transformistas, que elas não estão agregadas atualmente, que não estamos na mesa de debate, que não somos vistas como forma de geração de emprego e renda. A arte é uma indústria e deveria ser trabalhada para gerar emprego. Muitas vezes, só pensam em nome social, união estável e só. Parece que existe um preconceito em relação a nós artistas, que conseguimos estar na berlinda, sermos admiradas pela nossa postura e ética profissional.

- Independente do nome, qual é o preço de ter uma identidade feminina?

É um preço alto, mas pode colocar que eu me sinto uma mulher. Para mim, uma mulher tem trejeitos delicados, classudos e elegantes. É sobretudo uma figura bonita. Eu me inspiro nas grandes divas de Hollywood, nas atrizes... Voltando ao assunto, no meu dia a dia eu sou a Safira. No palco, eu sou a Safira Bengell. E quando eu desço do palco, vivo a minha realidade de Safira – uma senhora, casada e que cumpre o seu papel. Sou diferente e igual a qualquer outra pessoa. Respeito e exijo respeito.

- Em sua opinião, qual é o direito que as pessoas da diversidade sexual e de gênero deveriam ir atrás?

Em minha opinião, não existem políticas que pensem na permanência destas pessoas na escola. A família é ignorante, a escola não ajuda e o adolescente é colocado para fora de casa. Ela vai para onde sem trabalho, sem formação e sem família? Vai para a rua se prostituir. Eu acho que o governo é culpado disso. Em primeiro lugar temos que excluir definitivamente a palavra “sexual”. “A sociedade pensa que nós somos só sexo, frescura e folclore. É a mesma coisa de opção sexual. Eu não tenho opção e sim orientação, ora bolas (risos).

- Você é contra a prostituição?

Vou responder com sinceridade. Diante do que sempre vi, a prostituição nunca levou ninguém a nada. Você ganha hoje e gasta tudo amanhã. Eu nunca vi nenhuma ficar rica. E, por mais que se venda o contrário, as pessoas são na verdade sofridas. É desumano. Lugar de ninguém é numa esquina, enfrentando tudo o que enfrentam. Em primeiro lugar, lugar de travesti é na escola. Depois ela faz o que quiser... Sem falar que sobreviver já é uma prostituição. Se paga tudo exageradamente.

- Como você avalia os políticos que temos no Congresso?

De modo geral eles são insensíveis à nossa população. Não conseguem enxergar que nós existimos, que precisamos de políticas, que temos votos, que temos famílias e que temos amigos. A democracia só começa a mudar depois de 30 anos de seu início, e estamos vendo neste momento a sujeira. Mas só mudará quando a honestidade do povo começar a prevalecer. Um filho só é exemplar se ele tiver uma boa educação.


"As pessoas viam a gente como luxo e, depois, passaram a ver como lixo"





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- Por ser uma transformista dentro do cenário político, enfrenta algumas dificuldades?

Outro dia, uma moça do comitê falou: “nossa, você sabe mesmo falar?”. Minha vontade de responder era: “Não, querida, sou muda”. Eu, uma artista com 37 anos de carreira, recebendo uma pergunta desta? As pessoas ainda nos veem sem valor. É muito triste e às vezes eu fico deprimida com essa situação. Mas isso não é regra. Muita gente me trata muito bem e como eu mereço

Como foi a sua infância?

Muito difícil. Eu já tinha a questão da adoção e a minha família já sofria preconceito por causa disso. Daí na minha puberdade, eu descobri que gostava de homem. E, se hoje há preconceito, imagina naquele período... Tinha que abandonar a família! E a base do ser humano é a família, é a base que deveria dar estabilidade psicológica. Se eu tivesse tido um apoio, talvez minha história fosse diferente e eu poderia ser apenas um gay. Meu pai me levou para o hospício e com 18 anos tive uma passagem de ida, sem volta para o Rio de Janeiro. Foi lá onde a minha carreira começou e que houve o reconhecimento.

- Tendo em vista que vocês são as precursoras, em quem você se inspirou na construção de sua personagem e da sua identidade feminina?

Nas senhoras da alta sociedade, pois no início fui colunista social. Também nas artistas nacionais e internacionais.

- Bom, quando se descobriu artista e Safira?

Foi uma questão de sobrevivência, quando cheguei ao Rio de Janeiro na década de 70, com 18 aninhos. A minha prima me colocou para fora de casa porque eu era feminino. Fui à Velha Lapa, na Boêmia, e vi aquela mulher loira na Cinelândia... Era a Rogéria! Mas eu não poderia falar com a Rogéria, pois existia uma hierarquia e um respeito. Eu era um patinho feio. Comecei a gostar de arte e ela foi uma das minhas inspirações.

- Qual era o número que você fazia no começo?

Iniciei dublando Maria Alcina e esse foi meu primeiro nome artístico, com o qual eu convivi alguns anos inclusive fazendo parte da caravana do Bolinha da Tv Bandeirantes. Foi uma das componentes do primeiro quadro, juto, com Walkiria Montini, Sandra Mara, Weluma Brown, a finada Lola e muitas outras.

- Depois daquele primeiro contato você começou a ter contato com a Rogéria?

Como eu disse, as artistas novatas respeitavam as veteranas. Mas eu conheci a Rogéria quando comecei a viajar pelo Brasil. Primeiro, falamos por telefone e, depois, nos conhecemos em São Paulo. Tornamo-nos amigas e somos geminianas. Do encontro em São Paulo eu a levei para Suzano, onde eu era a atração principal de uma famosa casa noturna. Depois, nos encontramos em Barcelona em um evento da ex-Les Girl Suzy Parker. Esse show teve no elenco Jerri di Marco e a estrela principal foi Wilza Carla.

- Qual foi o grande momento de sua vida profissional?

Foi ter participado de desfiles com grandes estilistas, como a Chiara Boni, participar de festas da Dolce e Gabbana, fazer filmes, trabalhar ao lado de Christian De Sica... (suspira). Eu cheguei a ser sócio proprietária de uma discoteca de Milão. Ai, foi muito importante e infelizmente o Brasil não nos dá essa possibilidade. A praga do Brasil é a ignorância. E é por causa dela que não temos chances. Devemos parar um pouco e pensar em medidas para reverter essa situação. Nós estamos desvalorizados. Estamos sendo massacrados por todos os lados, excluídos no mercado de trabalho e vivendo um enorme preconceito social e político.

- É verdade que você já teve contato com a Diana Ross?

Foi coisa de tiete, mas inesquecível. Tive o prazer de estar frente a frente dela em um espetáculo de Milão. Eu estava na primeira fila, ela veio até mim e cantou me olhando. Foi incrível. É por isso que digo que sou uma pessoa muito feliz, pois realizei muitos sonhos. Por várias vezes fui convidada para o Tele Gato, o Oscar da TV italiana, onde tive o prazer de sentar ao lado da Duqueza Sarah Ferguson e de conviver com pessoas importantes, como o estilista Egon Von Frustemberg e muitos outros. Fazer cinema e trabalhar em uma empresa importante, como a Di Laurentis.

- Você viveu em um período de ditadura. Qual é a avaliação que faz deste período para o atual?

Dizem que houve muito avanço desde então, mas para mim também houve retrocesso. A gente era oprimida por sermos quem somos, mas por outro lado também éramos objetos de luxos, todos os homens queriam sentar conosco e éramos valorizadas como atriz. Com a nossa ida à Paris, voltamos siliconizadas e aí mudou. O movimento social começou a se organizar. E inacreditavelmente as pessoas que olhavam para a gente como luxo começaram a nos olhar como lixo. A televisão não nos chamava mais para trabalhar. Os produtores não nos chamaram mais para os espetáculos. Nós éramos vedetes, você sabe o que é isso?

- Divas, né?

Sempre digo que estrela está no céu, diva em Hollywood e que eu sou simplesmente uma artesã da arte.




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- As artistas veteranas são unidas ou ainda hoje rola aquela competição?

Sempre fomos unidas. Tem rivalidade? Claro! Tem aquela coisa de “Eu quero arrasar nesta apresentação”, sim. Mas nada agressivo. Sabemos que não fazemos apenas show, mas espetáculo. Sabemos que todas querem dar pinta, mas quem são as profissionais. E ser profissional não é só colocar cabelo, dois peitos e jogar o cabelo. Então, nos respeitamos muitos e temos união, sim. Sabemos que o ego atrapalha a nossa sobrevivência.

- No Rio de Janeiro, elas voltaram com o Divinas Divas e...

Essa ideia de resgatar e de recomeçar foi ótima. A Jane di Castro, a Claudia Celeste e Suzy Parkes reiniciaram no Rio e a Leandra Leal está com um filme contando uma pequena da parte da história de tantas artistas que fizeram este Brasil crescer artisticamente. Eu, aqui no Nordeste, também retomei. Já trouxe Watusi, Fernando Pires, Rogéria, Valéria, Claudia Celeste, Angela Leclery e por último a Nany People. Em maio será a vez de homenagear os 450 anos do Rio de Janeiro com um musical e passistas das escolas de samba e a participação de T Bengston. A revista G Magazine, em entrevista feita pela colega de trabalho Claudia Wonder, me intitulou Diva do Nordeste. Não gosto deste termo, levando em consideração a nossa vida de artista marginalizada aqui no Brasil (risos).

- Depois de morar tantos anos fora do país, por qual motivo voltou ao Brasil?

Voltei para cuidar da minha mãe. Sou filha adotiva e única. Quando ela ficou viúva, deixei tudo no exterior e vim embora para estar mais próxima dela, dar para ela o que ela me deu. E você sabe que voltei a estudar, revivi e me senti garota novamente. Conheci pessoas maravilhosas. Eu me graduei em Recursos Humanos, mais um (currículo) além de Cinema e TV e Teatro na Europa. E também pretendo trabalhar conscientizando os políticos na importância da facilitação da adoção em nosso país.

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Você vive uma história de amor que completa 21 anos. Conta um pouco pra gente?

Ele disse: ‘Quero viver o resto da minha vida com você”. O meu mundo caiu. Ele é uma pessoa importantíssima, marechal do exército da Europa. Eu sei do meu valor, mas fiquei impressionada com o fato de um marechal querer viver com uma travesti, com uma transformista... E tudo começou com uma carona que ele me deu, pois é comum as pessoas darem carona. Eu estava fazendo um trabalho de panfletagem em uma discoteca – e eu não tenho vergonha de falar nada – e ele me ofereceu carona na volta. E começou a me oferecer várias, até o dia que ele perguntou se poderia dormir em casa. Ele vai esperar aposentar e vem de vez ficar comigo no Brasil.

- Como é a Safira no dia a dia?

Hoje estou como Maria Bethania: gosto de viver com o pé na terra. Gosto de simplicidade, gosto de viver o real. Depois de viajar, investir e aproveitar muito, levo uma vida normal. Hoje eu tenho o meu salário ao fim do mês, tenho o meu trabalho, tenho onde morar. Ainda não vivo com dignidade, pois ninguém vive dignamente. Sobrevivemos.

- Qual é o seu sonho hoje?

É poder fazer parte da mudança do meu país. Ser uma parlamentar, fazer política, ter a chance de trabalhar e deixar o meu nome. Fazer a minha parte de cidadã. O Brasil só vai mudar quando os brasileiros se conscientizaram da importância de participar politicamente deste processo de mudança. Estudar, ler fiscalizar, cobrar, pois não precisamos de alguém para nos representar. Temos que nos filiar aos partidos e concorrer às eleições, começar a botar esta gente para fora dos partidos. Qual partido investe em um artista?

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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