Pride

“Começamos a sair da utopia quando uma travesti pobre e negra vem falar em Brasília"

A universitária e transfeminista Maria Clara Araújo, que foi aprovada pelo Sisu para cursar Pedagogia na Universidade Federal de Pernambuco, esteve no 12º Seminário LGBT, que ocorreu nesta quinta-feira (21) na Câmara dos Deputados, em Brasília. 

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Em seu discurso, a recifense afirmou que a “maioria da sociedade não enxerga as pessoas trans” e que “algo começa a ser mudado a partir do momento” em que uma pessoa como ela – “travesti, pobre, negra e nordestina” - é convidada para falar em um evento importante como aquele.

“Nós, travestis e transexuais, saímos da escola porque ela não representa um lugar de aceitação. A escola não representava um local em que eu poderia vivenciar. A Educação é um fator transformador e por isso decidi cursar pedagogia”, declarou.

Ao comentar a grande popularidade que tem nas redes sociais, a estudante declarou que tudo começou a partir do momento em que falou sobre as vivências do cotidiano e as pessoas começaram a perceber que tratava-se de uma vida como a de qualquer outra pessoa.

“Eu milito porque quero trazer humanidade para minha existência. Quando perguntam o que podem fazer para me ajudar, digo para ecoar a minha voz. Quando o (deputado federal) Jean (Wyllys) e os organizadores desse evento me convidam para esse evento, vocês estão ecoando a minha voz. Quando uma travesti pobre, negra e nordestina vem falar em Brasília, nós começamos a sair da utopia e transformar a nossa sociedade em algo igualitário".

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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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