Pop e Art

Questionada se é “hermafrodita”, Roberta Close responde: "Sou um ser humano”



Depois de 10 anos de silêncio, Roberta Close topou falar com o Programa do Gugu, da TV Record. E deu declarações surpreendentes sobre sua vida, passagem meteórica pela mídia, preconceito e aparência física.

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E entre as perguntas mais polêmicas para a ex-modelo de 50 anos é a de que ela não se define como transexual, mas pseudo-hermafrodita (sic), referente a pessoas intersexos. Na resposta, Close disse: “Sou um ser humano”.

A entrevista foi realizada na Suíça, onde Roberta mora com o marido Roland Granacher e leva uma vida de dona de casa, longe das câmeras. E, de acordo com Leo Dias, foi realizada após uma vasta negociação e um cachê de 200 mil reais.

Ao fim da entrevista, ela falou sobre a morte da mãe e se emocionou. Também disse que pretende escrever um livro sorbe lifestyle e deixou a mensagem: “A vida é dura para quem é mole”, soltou Roberta, um dos maiores ícones de beleza do Brasil.

Confira algumas das declarações:

LONGE DAS CÂMERAS

Eu trabalhei com a mídia e, para mim, é difícil também estar fora disso. Quando você está dentro da organização, da mídia, se ausentar é traumático. Eu fiquei traumatizada. Mas sou uma pessoa que gosta de desafios e eu quis provar que conseguiria viver um mundo fora da mídia. (...) . Mas quando você está do outro lado, com o controle remoto na mão, comecei a ver a realidade de pessoa que está do outro lado.

POSOU NUA AOS 16

Eu fiz a primeira (revista) Close quando tinha 16 anos. Quando fui receber não tinha nem idade (...). Eu estava na rua, tinha enrolado o cabelo, e o Guilherme Araújo perguntou: “você não tem vontade de trabalhar? Vamos fazer uma grande festa, um público novo. Gostaria de ir?”. Claro, claro. Daí as pessoas começaram a me ver e falar: “O que tem nessa mulher?”. (O nome Close) veio das pessoas falando “É a Roberta que saiu na Close”. E isso tirou o peso e a exposição da minha família, pois naquela época dançar, aparecer, não era uma coisa bem-vista. Então virou Roberta Close.





FORAM VINTE ANOS PARA MUDAR O NOME

“Meu nome é Roberta Gambine Moreira. O Luiza (que eu queria antes), eles acharam muito longo. Quando foi feito o pedido de retificação, eles acharam melhor só Roberta. Foram 20 anos de espera, mais de 18 laudos médicos e 16 publicações em jornais públicos, edital. Eles botaram um obstáculo que eu nunca pensei.


MUDANÇAS

Saí do Brasil porque eu não via política ao meu favor, como cidadã. Como o mundo é grande, vamos achar um lugar. Achei a Inglaterra, depois a Suíça. O nome não era um problema, o problema era o gênero. O nome eu poderia mudar, fácil. Mas o problema (era o gênero) que eu não aceitei (continuar). É uma situação de constrangimento. E foi toda a minha vida que me senti constrangida.


PRECONCEITO NA MODA

Os desfiles que eu fazia se transformava em polêmica - apesar de a moda sempre me acompanhar. Fiz muito desfile no Brasil, moda praia, muita lingerie. (Mas as pessoas diziam) “não vamos aceitar, ela não é modelo, não é manequim”. Preconceito. Carlos Imperial chegou a dizer “basta, isso já é demais. Por que você não tem direito de desfilar? Vamos acabar com isso”. Fiz um curso para conseguir ter essa profissão. Fiz bastante moda no Brasil, e depois eu fui convidada para trabalhar aqui fora, o que foi uma surpresa. Mas eu tinha muito a ver, a moda é irreverência.


NAQUELA ÉPOCA NÂO EXISTIA BULLYING

Estou sempre ligada ao mundo da arte. Comecei a criança, fazendo aula de música. Eu tinha uma voz aguda demais e que chamava um pouco de atenção. E muitas vezes eu fui tolhida: “não é assim, que voz é essa?” Hoje chamam de bullying, mas naquela época você é que estava errada. Às vezes me pergunto: por que será que aconteceu tudo isso comigo? Não tem explicação. Eu , porque é um tema sofrimento, porque tão jovem eu era obrigada a passar por tantos obstáculos. Até mesmo cantar trazia algo negativo.




NÃO ME VEJO DESFIGURADA

As fotos (que caíram na mídia recentemente) foi um bullying, aquilo foi uma coisa absurda. Aceito a liberdade de expressão, aceito a liberdade da imprensa, mas até o ponto de a princesa Diana morrer? Eu tô mais velha, mas com esse corpo, que vai destruir com o tempo; Fiz coisas boas com ele. Falaram que eu estava deformada, que eu estava um monstro. Eu não me vejo desfigurada e nem um monstro. Depois, fizeram um enterro dizendo que eu estava morta. Foi péssimo abrir a internet e ver as pessoas me velando. Mas aprendi a conviver com a dor.


CASO COM RICHARD GERE?

Saiu na revista, mas nem todas as notícias são verdadeiras. Eu conheci muitas pessoas, que eu não vou levantar nome. Eu conheci muitos artistas, muita gente famosa, eu tive muitos fãs. Todos me deixaram uma boa lembrança.


VIDA NA SUÍÇA

É uma vida um pouco triste. Me sinto só. Sinto falta da minha família, que é muito importante. Não é fácil, muitas dificuldades, a língua, o tempo, o clima, a forma de viver, a forma de se integrar numa sociedade que você tem que encontrar o seu lugar. As pessoas vendem um sonho que não é. Eu tenho bastante coisas para fazer em casa, cumpro bem o cargo de esposa. Procuro ler, música, procuro todo um conforto até mesmo espiritual, que é muito importante.


SER MÃE?

Se eu fosse uma mulher muito rica, como Madonna, Angelina, eu teria adotado e teria umas quatro ou cinco babás. Saber que ela estaria cercada por todos os lados, com plano de saúde. Pegar só por pegar, não. Tem que pensar na criança. Eu preciso muito mais de atenção, por ter saído muito jovem de casa. Tive que ser obrigada a sair do convívio familiar. Ter que sair de casa, de ter que sair da situação de constrangimento. A minha mãe me apoiava, mas eram muitos castigos. Chineladas, cinto... 




INTERSEXO?

O hermafrodita já nasce complicado, ele nasce com os órgãos internos ou é fisicamente.... Eu não sou médica para dizer, mas o que pode dizer é o exame dos genes, que eu fiz (...) Somente um médico que estudou muito pode falar. Eu sou um ser humano. E é isso, somos todos filhos de Deus. Acho que a humanidade é especial. A beleza do ser humano é sermos diversos.

GALÃ QUE SE NEGOU A BEIJÁ-LA

Na época, os atores (da novela Mandacaru, da Manchete, em 1998) queriam ser os bonitões, mas sem exercer a função na história. Ele disse: eu sou contra, pois vai depor contra a minha conduta de galã. Não me magoou, mas vi bem onde estava, me dei conta do tipo de gente que eu tinha perto.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Anônimo disse...

Infelismente vc estar errada, não somos todos filhos de Deus, somos criaturas, para sermos filhos de Deus temos q ser obedientes, imitadores de Cristo, e aceitar mos oq somos, e não estamos nos aceitando a partir do momento em q decidimos mudar nosso gênero, s Deus nos faz homens ou mulheres não podemos mudar isso, o ser humano almeja isso, nas Deus não s agrada......quero dxa bem claro q não e homofobia, mas sim uma verdade bíblica, e não podemos saber a vontade de Deus através daquilo q pensamos, mas sim através do q a própria Bíblia revela e testifica, qm não acredita na Bíblia não pode acreditar em Deus, e assim também não se julgar filho dele é nem conhecedor de sua vontade.....

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