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RH pergunta o que profissional trans espera da empresa e ela arrasa na resposta

Não é segredo para ninguém que a vida profissional de uma travesti, mulher transexual, homens trans e outras transgeneridades esbarra no preconceito da entrevista, contratação à rotina de trabalho.

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E foi pensando nisso que a paulistana Ariel Nolasco – de 21 anos – decidiu promover e dar visibilidade ao participar de uma seleção de emprego: a transfobia na seleção e nos empregos oferecidos para pessoas trans.

Ariel, que procura um trabalho há seis meses, recebeu a pergunta via e-mail de uma empresa que era candidata a uma vaga na área administrativa: “O que você sente falta numa empresa e com o que você pretende trabalhar?”. Era a oportunidade que ela – que até então não havia se revelado trans - precisava para responder:

Sinto falta de empresas que contratem pessoas trans e travestis. Sinto falta de oportunidades variadas, pois os únicos cargos que nos são disponibilizados nas raras exceções são os de faxineira, arrumadeira, que são trabalhos dignos como qualquer outro, mas que não correspondem às minhas expectativas. Pois fiz vários cursos e tenho outras habilidades. Também sinto falta de plano de carreira, pois geralmente as empresas só procuram alguém para deixar ali naquela mesma posição durante um tempo. E eu quero crescer, pessoalmente e profissionalmente. Obrigada pelo contato e pela oportunidade”.

Ariel declara que resolveu falar sobre a questão porque, como a empresa era nova no mercado, poderia promover alguma mudança. "Os outros sites de emprego tudo é automático, resposta automática. Neste, o site é novo e um dos fundadores veio falar comigo. Vi a oportunidade de ele entender que as pessoas não nos contratam".


Ela afirma ainda que antes da passar pela transição de gênero há cinco meses, conseguiu vários outros trabalhos. "Eu era professora de inglês em cursinho e trabalhava como auxiliar de marketing numa outra empresa. Depois que transicionei, não consegui mais me colocar no mercado de trabalho". 

A resposta foi dada na última semana e, até então, não houve nenhum feedback. “Agora aguardo o retorno. Isso se houver um”, declarou ela. Ao menos o recado foi dado, que reproduzimos no NLUCON para também sensibilizar esta e outras empresas. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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