Entrevista

"Desunião LGBT me abalou mais", afirma Viviany Beleboni após crucificação e ameaças


Entrevista Neto Lucon / Fotos da Parada: Marcelo Parmeggiani

Poucos dias antes da 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que ocorreu no domingo (7), a modelo e atriz Viviany Beleboni anunciou ao NLUCON que planejava ser crucificada em plena Avenida Paulista. Segundo ela, que é uma travesti, a ideia era denunciar a homofobia e a transfobia que assolam o país e mostrar a crucificação diária que LGBTs passam. Motivos ela tem de sobra.

Em 2014, quase 300 pessoas foram assassinadas vítimas de homofobia e transfobia no Brasil, segundo o Grupo Gay da Bahia. O número é questionável, uma vez que apenas os crimes divulgados pela mídia são contabilizados e, portanto, tendem a ser maiores.

Durante a Parada, Viviany cumpriu o pedido de socorro. Apareceu no trio da ong ABCD’S com chagas e agressões pelo corpo – frutos da maquiagem de Dennis Dal Bello – e divulgou a mensagem: “Basta de Homofobia com GLBTs”. Esteve séria e, em alguns momentos, chegou a se emocionar. Conta que se lembrou da amiga Andréia Amado, travesti que aos 29 anos foi assassinada a tiros na quinta-feira (4), em Porto Alegre. “Eu a ajudei no início da transição”.

E foi na mesma noite de domingo – depois de pensar ter cumprido a missão - que ela se surpreendeu ao se deparar com críticas, ofensas e até ameaças: “Ela merece morrer”, “Blasfêmia! Seu imundo, homem vestido de mulher e efeminado não herdará o reino de Deus. Você vai pagar”.

A reação começou depois que o deputado federal e pastor Marco Feliciano divulgou a foto de Viviany no Facebook, ao lado de outras manifestações – como a de pessoas introduzindo imagens de santos no ânus – e levou os fiéis a acreditarem que elas ocorreram na Parada. 
As críticas vieram até mesmo de pessoas da própria comunidade LGBT, que consideraram a crucificação um desrespeito.

Houve defesas, debates, entrevistas internacionais, a exposição de outras manifestações na cruz e até um projeto de lei que ficou conhecido como “cristofobia”, que visa considerar crime menções desrespeitosas a símbolos religiosos. O fato é que Viviany conseguiu politizar a Parada, evidenciar uma ferida exposta: a de que o fundamentalismo religioso serve de pretexto para o preconceito em diversas esferas. É Cristo, Geni, é LGBT.


Uma semana depois, o NLUCON levou Viviany para tirar fotos com a bandeira trans no centro de São Paulo. Num clima nublado, presenciou agressões verbais e também acolhimento. Dentre elas, a de uma mulher que alegou ter perdido o filho para a homofobia e o racismo. Voltamos para a entrevista, no apartamento da atriz, cheios de lágrimas.

- Você disse durante o programa Superpop que sente orgulho de ser travesti. Você sente mesmo?

Sinto. Antigamente, eu tinha medo de sair na rua, ser identificada como travesti, sofrer chacota, mas chega uma hora que a gente tem que enfrentar a realidade. Hoje eu falo: “Sou travesti com orgulho” (bate no peito). Tenho orgulho porque sei de todas as dores que passei, de todas as humilhações que já enfrentei na minha vida toda, muitas vezes sozinha – pois a fase que eu mais precisei a minha família não estava comigo. Sei das vezes que fui expulsa da casa de amigos e que não tinha o que comer. Sei que, diante de tanto preconceito e transfobia, consegui abrir outras portas e estar viva sendo travesti. Tenho orgulho porque sou uma sobrevivente.

- Vou fazer duas perguntas logo, já que as pessoas estão curiosas. Você também disse que “nasceu homem e que vai morrer homem”. Como assim?

Primeiro, peço desculpas se ofendi alguém com essa frase, pois sei que a luta é pelo respeito à identidade de gênero. Mas é que estava abalada pelas várias ameaças e xingamentos. E a principal delas era a de me chamar de “senhor”, “homem”, no masculino. Naquele momento quis dizer para estas pessoas que esse tipo de coisa não me abala, pois eu não me ofendo se me chamam de homem. Pois não ofendo mesmo. Para mim, não existe só o homem ou a mulher, existe também a travesti. E a travesti é tanto homem quanto mulher, mas também não é nem homem nem mulher. É travesti, está além dessa divisão, entende?. O que não é o caso da transexual, que tem a necessidade de ser tratada sempre no feminino e que é considerada mulher. Eu sou como o terceiro sexo, como dizem lá fora.




- Durante este mesmo programa, você disse que não faria a redesignação sexual, pois acha que mulheres transexuais não sentem o mesmo prazer. Isso também pegou mal. Acha que foi um equívoco opinar sobre algo que não tem conhecimento?

Eu nem gosto de falar sobre esse assunto e, se você assistir ao programa, fui pega de surpresa para falar sobre esse assunto. Eu estava no meio do caso da crucificação e a apresentadora vira e pergunta se eu sou operada. Não tinha nada a ver. Falei que achava que o prazer não era igual. Mas que a-cha-va, não que tinha certeza.

- Mas é que quando você fala isso na TV as pessoas acabam levando como verdade...

Não acho que esta cirurgia seja desnecessária para quem sente essa vontade. Se ela quer fazer, que faça, que fique mais confortável com o próprio corpo e que seja feliz. Mas sou sincera em dizer que conheço amigas que falam que não tem mais prazer, outras que dizem que não tem o mesmo prazer que antes e outras que falam que sentem e até gozam. São assuntos que as pessoas não gostam de falar, né? Mas existe até erros médicos que acontecem e que ninguém fala. Como eu não tenho essa necessidade, sou travesti e lido bem com o meu genital, não faria porque tenho dúvidas justamente sobre a questão do prazer. Chegaram a me perguntar sobre isso em outras entrevistas, mas já estou evitando comentar.
Crédito: Marcelo Parmeggiani / Proibida
reprodução sem prévia autorização do autor

- Depois de uma semana de viver nossas crucificações, ameaças, apoios e entrevistas internacionais, como você avalia a polêmica em torno de sua manifestação na Parada?

Daria para escrever vinte páginas e pensar em várias coisas, mas vamos pelo básico. Primeiro, acho que a Parada perdeu o foco principal, que é o de protestar. Então as pessoas olham a Parada – e isso inclui a própria comunidade – como uma festa, uma palhaçada, um carnaval. Daí quando viram a foto de uma travesti protestando e sendo crucificada, falaram: “O que esse viado tá fazendo em cima de um trio daquele jeito num dia de festa, brincadeira e putaria?”. E, neste contexto, se sentiam ofendidos. “Não pode colocar Deus lá”. Mas se pararem para pensar, a Parada é uma manifestação que luta por direitos.

- O que achou das acusações de blasfêmia?

Que ela só foi motivada pelas fotos que o pastor – não cita o nome dele para não dar visibilidade – postou no Facebook. Ele publicou a minha foto na Parada junto com fotos da Marcha das Vadias e outras manifestações – que eu não tenho nada contra, cada um sabe e responde por si - e induziu as pessoas pensarem que houve desrespeito. Mas a minha intenção estava clara, que era manifestar contra os crimes de homofobia e transfobia. E para quem não entendeu, tinha até uma placa explicando: “Basta de Homofobia com GLBTs”. Jamais passou pela minha cabeça ofender a religião, representar Cristo. Estava ali representando a dor que sofremos.

- Você acha que a reação dos fundamentalistas dá-se por conta de você ser uma travesti e estar numa Parada LGBT?

Sem dúvidas, outras pessoas já fizeram essa mesma manifestação e ninguém falou nada. Neymar, Madonna... É óbvio que o problema é porque sou travesti e porque estava numa Parada. Para estas pessoas, somos menos dignos e menos humanos. Mas nós também podemos ter a nossa religião como qualquer outro. Quanto às críticas da própria comunidade, sei que se eu fosse um gogoboy ou um homem, não haveria tanta repercussão. Ao contrário, ficariam vendo o corpo, o volume na sunga...

- Como lidou com as ameaças e xingamentos? E o que achou daquela montagem dizendo que você estava morta que circulou pelas redes?

Bicha, eu não sabia que havia tanto ódio no coração de pessoas que falam em nome de Deus. Não são todos, mas você viu como foi sair de casa hoje e enfrentar esse ódio. Na segunda-feira, fiquei péssima e abalada psicologicamente. Não é fácil receber telefonema e mensagens de pessoas que desejam a sua morte, que desejam que você tenha um cânecr. Quando vi a montagem dizendo que eu havia sido assassinada e as pessoas comemorando, chorei muito, mas percebi que a manifestação não estava errada. A nossa vida não vale nada para essas pessoas.


Crédito: Marcelo Parmeggiani / Proibida reprodução sem prévia autorização do autor

- Diante de tanta polêmica em torno de sua crucificação na Parada, você acha que as pessoas não entenderam a manifestação ou não quiseram entender?

Ai, ocorre de tudo. Algumas pessoas de fato não entenderam no início e, depois, disseram que a ficha caiu e que me apoiava. Outras não querem entender justamente porque vivem para combater os nossos direitos – o caso de alguns políticos evangélicos (fundamentalistas). Tem aquelas que realmente são ignorantes e acabam sendo deixadas levar pela deturpação daquele pastor – e que me ameaçam. E teve aquelas, mais dentro da nossa comunidade, que também não querem entender para não valorizar uma manifestação minha. Rola muito aquela coisa de recalque, infelizmente. Mas sei que só não entendeu quem já está condicionado a ver com maldade.

- O que acha do projeto de lei conhecido como "cristofobia"? 
Uma palhaçada, por se tratar de um país cristão e que ninguém morre ou apanha porque segura a Bíblia na mão. Alguém já viu alguém ser chamado de "cristãozinho" na rua? 

- Disseram que você chegou a ser vaiada por LGBTs durante a performance, é verdade?

É mentira. Só escutei aplausos, só aplausos. Neto, eu fui crucificada em frente da Igreja da Consolação, as pessoas que estavam na frente viram e ninguém vaiou, falou nada. Ao contrário, aplaudiram, porque viram que eu não fiz blasfêmia, não desrespeitei ninguém. Eu de fato representei a dor que sofremos. Tanto que as pessoas gritavam para tirar foto e a imprensa pedia entrevistas, mas eu neguei, pois não estava lá para aparecer como Viviany, mas para protestar. Você pode reparar que não há milhares de fotos minha com outras pessoas. Pelo que vi há apenas uma com a (militante) Agatha (Lima). Agora, também recebi telefonema de pessoas chorando, dizendo que se lembraram de amigos que foram agredidos e que morreram. E fiquei até sabendo de casos de amigos que sofreram agressão e que nunca tinham me contado. 

- Mas sabemos que várias pessoas da comunidade, como Rogéria e outros, falaram mal da performance. O que é pior: enfrentar o preconceito de religiosos fundamentalistas ou da comunidade LGBT?

O mais difícil é enfrentar a desunião da comunidade LGBT. Ela sabe tudo o que ela sofre e é impossível que nunca tenha sido agredida ou que não conheça alguém que foi agredido pela homofobia e pela transfobia. No Brasil, é praticamente impossível ter muitas amigas travestis e não saber que pelo menos uma foi assassinada. Então, para mim, é até revoltante ver pessoas conhecidas até no meio, criticar uma manifestação contra o preconceito. Essa desunião dá mais força para os evangélicos fundamentalistas falarem mal da gente. Pois é exatamente isso que eles falam para mim: o próprio meio não te ajuda, você não vale nada.

- Em 2014, fotografei você de Malévola na Parada. Como foi o processo da fantasia inspirada na vilã-mocinha da Disney para a “crucificação” de 2015?

Eu já queria fazer um protesto no passado, inclusive vou aplicar a ideia que tinha na Parada de 2016, pois vai representar tudo o que passamos. Mas meus amigos me convenceram a ir de Malévola, dizendo que eu iria arrasar. Como estava em cima da hora, foi mais fácil e rápido. Fui e arrasei, saí em fotos, programas de TV, mas não estava feliz. Nada mudou, não houve nenhuma discussão, não foi feita nenhuma lei pelo fato de eu ter ido de Malévola. Foi aí que comecei a pensar em que poderia fazer.

- Mas esta não é a sua primeira Parada e você chegou a ir a outras sem protestar, né? Como surgiu a ideia da crucificação?

Eu achava que, independente de como eu fosse, a quantidade de GLBT ia fazer as pessoas refletirem e que iria nos levar a alguma mudança. Só que passou uma Parada, duas, três, quatro, cinco, que é a quantidade de vezes que eu participei em São Paulo, e percebi que nada acontecia. Só o número não era suficiente e a gente precisava levantar a discussão. Como estou em muitas comunidades GLBT e de trans, como a da ONG ABCD'S, do Marcelo Gil, comecei a ver muita notícia de morte de trans, muita morte de travesti, muita morte de gay, e aquilo mexeu comigo. A gente ainda luta pra viver. Depois, conversando com um amigo, falei: “a gente é crucificada todos os dias”. E fui pesquisar o que significava a crucificação e quis levar para a Parada.

- Algumas pessoas minimizam estas mortes transfóbicas e homofóbicas dizendo que no Brasil “morre todo mundo”. Você acha que existe falta de sensibilidade para entender que existe um tipo de crime com motivação de ódio e que está sendo minimizado?

Com certeza. É como costumo dizer, morre todo mundo? Morre. Mas as travestis estão morrendo porque são travestis. Os gays estão sendo agredidos e morrendo porque são gays. Já os (cis) héteros e evangélicos não são assassinados porque são (cis) héteros ou evangélicos. Há uma diferença na motivação do crime, que deve ser combatido por meio de leis. Assim como existe lei contra o racismo e lei contra a violência à mulher, deve existir uma lei que combate os crimes homofóbicos e transfóbicos. Além disso, a forma como somos assassinados é diferente, é com ódio. Quando vemos uma notícia, o assassino não foi lá e deu um tiro e matou, ele deu seis tiros e um no rosto. Não foi lá e deu uma facada, mas várias facadas, enforcou e colocou fogo na pessoa viva. Eu fico revoltada porque isso acontece e ninguém faz nada. Conversando com um amigo, eu disse: “Me sinto crucificada toda vez que eu boto o pé pra fora de casa”. E aquilo ficou na minha cabeça.

- O que você sente quando vê uma notícia de LGBT morrendo?

(Os olhos se enchem de lágrimas). Penso que poderia ser comigo, poderia ser com uma amiga – como de fato aconteceu com uma amiga do Sul. E sabe o que é pior? A política já soltou uma nota dizendo que não foi por preconceito, mas que todo mundo que é do meio sabe que é. Na verdade, eles queriam dar o tiro numa outra trans e, como ela não estava lá, deram nela porque não iria acontecer nada mesmo. Era porque é travesti, então é óbvio que isso é transfobia, é falta de leis.


Crédito: Marcelo Parmeggiani / Proibida reprodução sem prévia autorização do autor

- Você já foi agredida?

Já, mas as agressões ocorreram mais quando eu era vista como gay, criança, adolescente. Até porque, depois que você se torna travesti, por mais que haja uma tentativa de agressão, você é adulta e sabe o que fazer. Da minha experiência como travesti, o preconceito afeta mais o psicológico.

- Muita gente te considerou corajosa para ser crucificada na Parada. É preciso de muita coragem para ser travesti no Brasil?

Muita e não tem nem comparação! Tem que ser muito corajosa para ser travesti, tem que dar muito a cara a tapa, tem que ser muito guerreira, muito forte e ter um estado psicológico muito forte para superar todos os preconceitos. Neste processo, o papel da família é muito importante, mas infelizmente a maioria acaba sendo outro problema. Muitas são colocadas para fora de casa e não tem estrutura psicológica. Eu sei como é essa dor.

- Além da luta pela vida, me dê alguns exemplos de quando e onde você é crucificada em sua vida social?

É desde o momento que boto os pés para fora de casa. Esses dias eu estava entrando no meu prédio e percebi que as pessoas do bar ao lado estavam me olhando e se cutucando. Demorei para entrar, porque não encontrava a chave, e reparei que me tornei o centro do deboche. Inclusive feito por mulheres (cis). Mas isso não é um caso isolado. Todos os dias quando eu passo as pessoas se cutucam, dão risinhos, acham engraçado o fato de alguém ser travesti, ficam analisando “é mulher ou não é?”. É uma violência não apenas física, mas psicológica. Mas não culpo essas pessoas por serem assim, culpo os governantes do país por não darem educação suficiente para elas e nem a cidadania que precisamos.

 - Por falar em família, como é a sua relação com a sua família?

(Os olhos lacrimejam). A relação com a minha família é boa. No começo, foi complicado e eu fiquei três anos sem falar com a família da parte do meu pai, que é italiana. Eu sabia que seria um choque, porque me tornei travesti aos 21 anos, tinha barba na cara, tinha jeito de menino, voz grossa... Foi tudo muito rápido. Mas com o passar do tempo, as coisas foram mudando. Eles me ligaram sobre a manifestação, por exemplo, e me apoiaram.




- Vai repetir a performance da crucificação em algum momento?

Não, eu já fiz e dei a minha voz à comunidade GLBT, principalmente às trans. E não vou mais fazer a performance por medo mesmo. Quando fui a mensagem era a melhor possível, mas agora que sei que existem pessoas ignorantes dispostas a me verem morta, não quero correr o risco e ir exposta.

- O que você quer agora?


Vou tentar usar isso de forma positiva, principalmente para o meio trans. Pode colocar aí: Principalmente para o meio trans, porque a comunidade GLBT em geral me satirizou, me humilhou demais. Não que eu não pense na comunidade GLBT, mas estou pensando mais na causa trans. Se Deus considerasse uma blasfêmia, ele não teria me mandado mensagens de amor, respeito e aceitação de algumas pessoas. E se meu protesto fosse tão ruim, ele não teria repercutido inclusive internacionalmente.

- E qual é o seu maior sonho?

As travestis terem assistência psicológica, terem um lugar para ficar para que elas não precisem se prostituir, como aconteceu comigo. Sonho com que o governo faça um plano para que elas consigam ter liberdade de escolha, entre poder fazer programa e poder seguir uma carreira. Eu não quero só ver elas na rua, quero ver elas como secretárias, quero ver elas inseridas (chora)...


- Inseridas no mercado de trabalho?

Inseridas no mercado de trabalho, que eu não vejo. Só vejo elas nas ruas, servindo de deboche, apanhando, e eu não quero isso pra elas. Eu quero ver elas trabalhando em qualquer lugar que seja, mas não na rua, não sofrendo as agressões que sofrem. 

- Você teve muitas portas fechadas?

Muitas, muitas... Diziam que eu nunca seria nada, que eu nunca seria reconhecida por anda, que eu não passava de uma gay, que eu era muito feia... Então, por isso que virei travesti muito rápido. Sempre pensava que vim para esse mundo e que não consegui passar nenhuma mensagem e nem a mensagem de que eu poderia vencer. E, hoje, graças a Deus – sim, graças a Deus – sei que pelo menos passei uma coisa de boa para as pessoas inteligentes. Caso aconteça alguma coisa comigo, sei que não foi em vão. Acho que Deus dá uma missão pra gente, e eu cumpri essa missão.


Confira outras fotos: 



Crédito: Marcelo Parmeggiani / Proibida reprodução sem prévia autorização do autor

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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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