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Canal acerta ao preparar imprensa brasileira a tratar Caitlyn Jenner com respeito



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Prestes a exibir a estrear a série “I am Cait” no domingo (2), que fala sobre a vida da empresária e mulher transexual Caitlyn Jenner, o canal E! se atentou para um fator importante: o despreparo da mídia brasileira em abordar a comunidade trans (travestis, mulheres transexuais, homens trans e outras transgeneridades).

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Eles enviaram, portanto, a cartilha “Dicas para para a Cobertura de Caitlyn Jenner” para jornalistas com recomendações para o tratamento adequado e evitar erros comuns e clichês. Apesar de focar em Caitlyn, a cartilha ajuda no tratamento respeitoso às pessoas trans em geral. 

Dentre as recomendações, está a de usar artigos e prenomes femininos para se referir a uma mulher transexual, evitar ao máximo referir-se ao nome anterior (uma vez que as pessoas já aprenderam o novo nome), evitar a frase “nasceu homem” e até evitar comparações de beleza com pessoas cisgêneros (quem não é trans).

As recomendações de “foram feitas pela ONG norte-americana GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas contra a Difamação), responsável por incentivar empresas e a mídia a respeitar a comunidade LGBT.

O NLUCON teve acesso ao material na sexta-feira (31) e disponibiliza aos leitores e outros jornalistas. Confira:


- Refira-se a ela como Caitlyn Jenner, uma mulher transgênero. Não se refira a ela pelo seu antigo nome. Ela o alterou, e deve ser concedido o mesmo respeito a qualquer um que mudou seu nome.

- Desde que Caitlyn era conhecida pelo público por seu antigo nome, pode ser necessário dizer inicialmente "Caitlyn Jenner, anteriormente conhecida como Bruce Jenner..." No entanto, uma vez que o público aprendeu o novo nome de Jenner, não faça mais este tipo de referências.

- Use pronomes femininos (ela, sua, dela) ao se referir a Caitlyn.

-  Evite pronomes masculinos, mesmo ao se referir a eventos passados. Por exemplo, prefira "Antes de sua transição, Caitlyn Jenner ganhou a medalha de ouro no decathlon masculino nos Jogos Olímpicos de Verão em Montreal em 1976".

- Evite a frase "nasceu homem" ao se referir a Jenner. Se for necessário explicar o que significa ser transgênero, descreva: "Enquanto Caitlyn Jenner era designado masculino em sua certidão, ainda quando criança, ela sabia que era uma menina".



- Não especule sobre procedimentos médicos; pessoas trasngênero podem ou não escolher os mesmos como parte de sua transição. Esta é uma informação privada, e a identidade transgênero não depende de procedimentos médicos.

- Refira-se à identidade feminina de Caitlyn Jenner como sua identidade de gênero. Identidade de gênero é o sentido interno de ser homem ou mulher. Orientação sexual é ao que se é atraído. Os dois não são a mesma coisa e não devem ser confundidos.

- Não significa que uma pessoa que surgiu como transgênero (independente de sua idade) estava mentindo ou sendo enganoso porque ele ou ela optou por manter a informação confidencial. Pessoas transgêneros enfrenam altas taxas de rejeição da família, discriminação no trabalho ou em casa, e violência física. Cada pessoa transgênero tem que se preparar apra enfrentar a possível consequência de viver com sua autêntica identidade. Essa precaução não significa que eles foram enganosos ou mentirosos. Significa simplesmente que eles sentiram que era necessário manter sua autenticidade privada até que se sentissem seguros e capazes de revelar isso.

- Não faça críticas superficiais à feminilidade ou masculinidade de uma pessoa transgênero. Comenar sobre o quão uma pessoa transgênero está de acordo com os padrões convencionais de feminilidade ou masculinidade é insultante.

Outro trecho da cartilha: 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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