Pride

Associação de travestis e transexuais repudia tratamento transfóbico da TV; leia

Programa Pânico na TV usa travestis para "zoar" os homens, como se sair com uma travesti fosse motivo de chacota


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Não é de hoje que as travestis, mulheres transexuais e homens trans são tratados com desrespeito, preconceito ou com deboche por vários programas de TV. Há uma semana, o programa Casos de Família, do SBT, por exemplo, exibiu uma “brincadeira” em que a plateia deveria “descobrir” quem era mulher e quem era “homem” – referindo-se às travestis e mulheres transexuais.

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No Programa do Jô, da Rede Globo, o apresentador e o entrevistado trataram com deboche a referência ao ex-ator pornô e ativista Buck Angel. Angel, que é um homem trans, foi chamado dentre outras referências de “aquilo é uma mulher”.

Recentemente, o ator Leo Moreira Lá – que é um homem trans – também criticou o tratamento transfóbico que recebeu do programa Superpop, da RedeTV! “Ela é mulher” dizia o narrador ao aparecer uma foto minha atual, com evidente aparência completamente masculina”.

Na verdade, o grupo pede respeito pela identidade de gênero que possuem – ou seja, que uma travesti e uma mulher transexual sejam respeitadas pela identidade feminina e que sejam tratadas com os pronomes condizentes com essa identidade (ela, dela, filha, a). E os homens trans, por sua vez, que sejam respeitados pela identidade de gênero masculina. O que quase nunca acontece.

Programa Casos de Família faz brincadeira e diz que travesti é "homem"

De olho na comum e triste referência de transfobia, a CAIS – Associação Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais – emitiu uma nota de repúdio aos veículos de comunicação pelo tratamento ofensivo dado às travestis, mulheres transexuais e homens trans. Confira:

NOTA DE REPÚDIO AOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO PELO TRATAMENTO OFENSIVO DADO À TRAVESTIS, MULHERES E HOMENS TRANS.

Pelo reconhecimento identitário e pela afirmação social, travestis e mulheres transexuais são mulheres. Nem mais e nem menos do que isso, mas simplesmente mulheres. E homens trans são homens. Nem mais e nem menos que qualquer outro.


O reconhecimento e o pertencimento ao gênero feminino, subsidiado pelos pronomes e figuras de tratamento e linguagem condizentes, possui lastro no direito a identidade e personalidade e no princípio da dignidade humana.
Respeitar a identidade assumida socialmente por travestis, mulheres e homens transexuais é um dever de toda a sociedade.

Ao passo que o desrespeito a essa identidade, desconsiderando o pertencimento as afirmações e expressões do gênero feminino, caracteriza ofensa, discriminação, diminuição da dignidade e perpetuação da estigmatização e consequentemente da rejeição social.

A mídia exerce papel fundamental na construção do senso coletivo. É preciso compreender o dano e as consequências do tratamento dado nas mídias as cidadãs travestis, mulheres e homens transexuais, todas as vezes em que se pretende explorar sua figura de modo caricato e estereotipado. 











Desconsiderando a legitimidade de sua identidade. Atribuindo a estas um caráter de usurpadoras, engodo, sugerindo tratar-se de homens travestidos de mulheres, diminuindo a autenticidade de seu reconhecimento. É ofensivo. É ultrajante. É humilhante.


É preciso compreender ainda que, todas as vezes que a mídia se apropria desses mecanismos ao referir-se a travestis e mulheres transexuais, esta está promovendo afronta a diversos mecanismos legais que amparam a identidade e a personalidade.

Portanto, REPUDIAMOS o tratamento e a maneira ofensiva e degradante corriqueiramente dispensado a travestis e mulheres transexuais nos seguintes veículos de comunicação. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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