Pride

Associação de travestis e transexuais luta por casa lar em Florianópolis; participe




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Ser travesti, mulher transexual e homem trans no Brasil é enfrentar um tsunami de preconceito em todos os espaços. A família geralmente não aceita (e muitas vezes coloca para fora de casa), a escola não quer discutir gênero, o mercado de trabalho encontra-se de portas fechadas e a prostituição aparenta ser o único caminho.

Com 22 anos a de atividade, a ADEH - Associação em Defesa dos Direitos Humanos com Enfoque na Sexualidade em Florianópolis – e a instituição ASTRAL, de Goiânia, estão encabeçando um projeto ousado, que visa acolher e promover cidadania para a comunidade LGBT, sobretudo travestis, mulheres transexuais e homens trans. Trata-se de uma casa lar.

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Idealizado por Bete Fernandes, o projeto Casulo foi pensado em acolher essa população, que comumente é expulsa de casa ou não encontra espaço para se firmar em meio a uma sociedade preconceituosa. Apesar de ser ficado em Florianópolis, ele receberá pessoas de qualquer lugar do Brasil que passem por essas experiências de exclusão, vulnerabilidade social, precisem de apoio e incentivo. Ou seja, morar em um espaço onde poderá estudar, trabalhar e dar continuidade aos seus sonhos.

De acordo com Lirous Fonseca Ávila, presidenta da ADEH, a iniciativa visa não somente dar abrigo para esta população, mas prepará-la para o enfrentamento da sociedade por meio de programas e parcerias com outras associações já existentes. Ela poderá trabalhar e continuar morando no espaço. “É uma casa lar e não uma casa de passagem. Temos, por exemplo, o Desdobrando Arte (associação cultura que estimula a produção cultural e disponibiliza um shopping virtual – saiba mais) e o Economia Solidária (que visa produzir atividades que gerem renda e trabalho - mais)”.

Um dos resultados positivos do projeto Economia Solidária é que a artista Selma Light montou uma linha de roupas de moda trans. E já prepara para inaugurar nesta segunda-feira (14) a primeira loja física. “Tenho um ateliê de lingeries voltados para meninas trans – as famosas calcinhas de “akuendar”. Aos poucos o produto se popularizou e, a convite da Adeh, colocamos o nosso produto para vender na instituição onde parte da renda da venda do produto é destinado para a instituição. Para revender nossos produtos, damos prioridade a meninas trans, uma forma que encontramos para que elas possam ter uma renda extra”, declara Selma. 

O SOCORRO

A presidenta revela que a demanda por pessoas pedindo abrigo e apoio é constante, sobretudo com a população trans. “Travestis, mulheres e homens transexuais são expulsos de casa por volta dos 12 anos e também não encontro acolhimento nas escolas ou outros espaços. Recentemente 10 pessoas chegaram à Instituição com o pedido de acolhimento, sendo que quatro são travestis. Muitas trabalham como profissionais do sexo e querem um lugar para morar sem precisar pagar caro ou ter na prostituição a única fonte de renda”.

Vale lembrar que associações como a ANTRA estima que mais de 90% das travestis brasileiras trabalhem como garotas de programas. Muitas por imposição e preconceito, sendo vítimas até mesmo de tráfico de pessoas.

Para dar seguimento ao projeto voluntário – e dar entrada na compra do espaço - a ADEH abriu uma vaquinha online para que pessoas físicas, instituições e empresas possam fazer a sua doação. O valor é alto – R$ 500 mil – mas não se trata de um sonho impossível. “A casa lar deve contar com dormitórios, cozinha, banheiros, sala de estar, espaços de convivência gestados pelos próprios moradores. Contará com espaços para atividades culturais, salas de aula e um estúdio de TV amador para alimentar o canal da ADEH TV, que é elaborado por travestis e mulheres transexuais de Florianópolis”.

Quem quiser saber mais sobre o projeto e dar a sua contribuição basta clicar aqui.


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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