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Aos 18, mulher transexual e gêmeo idêntico têm luta pela identidade contada em livro




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A história de Nicole Maines – uma mulher transexual – e o gêmeo idêntico Jonas, de 18 anos, chamou atenção da escritora Amy Ellis Nutt e acabou virando tema central de um livro, “Becoming Nicole: The Transformation of na American Family” (Tornando-se Nicole: Transformação de uma família americana, em português).

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Nicole e Jonas foram adotados por um casal de norte-americanos quando ainda eram bebês. E desde muito cedo ela começou a dizer que se identificava como uma menina. As dois anos disse ao pai Wayne, um militar da Força Aérea que odiava o seu pênis. E à mãe, Kelly, em qual momento se tornaria uma menina.

Os pais observavam que Jonas preferia esportes, caminhões e outras atividades atribuídas aos meninos. Já Nicole demonstrava paixão por bonecas, princesas e se vestir de Pequena Sereia. Como a resistência de Nicole por sua identidade feminina começou a ficar cada vez mais forte, o casal começou a questionar o que era gênero. E uma questão que poderia ser vista como um problema, passou a aproximar ainda mais a família.

“É a história de uma mãe cujos instintos disseram-lhe que sua filha precisava de amor e aceitação,  e não de ostracismo e desaprovação; de um pai republicano, veterano da força aérea que superou seus medos mais profundos para se tornar um advogado vocal dos direitos trans; de um irmão amoroso que esteve unido em sua irmã gêmea; de uma cidade forçada a confrontar os seus preconceitos, e de uma escola obrigada a reescrever as suas regras”, diz a divulgação do livro.

O processo transexualizador de Nicole, que foi acompanhado por um endocrinologista, ocorreu também muito cedo, no Hospital infantil de Boston – o primeiro a ser conhecido por atender crianças trans. Quando estava na quinta série, ela recebeu bloqueadores de hormônios, para que o seu corpo não desenvolvesse características secundárias atribuídas ao gênero masculino – bem como barba, pomo de adão, entre outras.

Tudo parecia bem até que a escola em que ela estudava impediu que a criança usasse o banheiro feminino – orientando-a que usasse o banheiro de funcionários. A família da estudante entrou com uma ação contra a escola alegando discriminação. O resultado só foi divulgado pela Suprema Corte de Maine no último ano – sete desde o episódio – dizendo que a escola violou a lei antidiscriminação do estado. Nicole, então, entrou para a história, uma vez que foi a primeira vez que uma corte estadual se posicionou a favor do uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero das pessoas transgêneros.

A cirurgia de redesignação sexual – vulgarmente conhecida como “mudança de sexo” - foi realizada no fim de 2014. E atualmente Nicole e Jonas cursam a faculdade na Universidade de Maine. "Tornando-se Nicole é um milagre. É a história de uma família lutando e abraçando a criança transexual. Trata-se de aceitar um ao outro. Esta família é o que vemos como modelo para o futuro do nosso país, um futuro em que todos nós, mães e pais, irmãos e irmãs, de alguma forma, encontram a coragem e o amor para se tornar o nosso melhor eus”, diz Jennifer Boylan, co-presidente da GLAAD.

O livro, em inglês, pode ser comprado ou lido clicando aqui

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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