Entrevista

Divando no The Voice, Nikki fala sobre público gay, competição e novo nome


Por Neto Lucon

Conhecida como uma das artistas que embalam e fervem as pistas de casas noturnas – muitas delas voltadas para o público LGBT – a cantora Nicky Valentine é um dos atuais destaques do programa The Voice, da TV Globo. Agora, com um novo nome - Nikki – e os fios rosas que chamam atenção e conquistam os telespectadores.

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Logo na audição às cegas, Nikki cantou o hit “Don’t Wake Me Up”, de Chris Brown, e fez virar todas as cadeiras. Apesar de Carlinhos Brown ter virado logo no início da música, a artista preferiu entrar no time de Claudia Leitte – a quem chamou (e também foi chamada) de diva.

No útimo sábado (3), Nikki fez um pocket show na Blue Space – tradicional casa gay de São Paulo conhecida pelos grandes espetáculos – e mostrou que continua querididinha pelo público LGBT. Simpática, talentosa e com muita música pop, a artista cantou, dançou e fez todos ferverem com os seus maiores hits. 

Para quem não sabe, a artista canta desde criança, estrelou vários musicais, mas bombou mesmo em 2011, quando a música “Deep in My Heart” entrou para a trilha da novela Malhação, da TV Globo. Já tem várias músicas conhecidas como as internacionais “Cha Cha Boom”, “Sometimes” e também as brasileiríssimas “Acabou”, “Vai Voltar” e “My Samba”.

Agora, ela fala sobre os novos projetos ao NLUCON. Dá o play na música abaixo e leia o bate-papo:


- O seu nome artístico mudou de Nicky Valentine para Nikki. O que motivou? 


No geral foi para facilitar todo o processo. Nicky Valentine era muito internacional. Além disso, as pessoas não sabiam se pronunciava Valentaine ou Valentine. Então, quando a gente pensou em lançar o EP novo, que é mais nacional, 90% em português, achamos que era o momento de tirar o Valentine por enquanto. Quer dizer, tirar o Valentine de vez. Veja só, isso tudo é medo da mudança (risos). O nome da minha banda vai se chamar Valentine: Nikki e os Valentines. Achei mais bonito.

- O que os fãs acharam da mudança de nome?


Eles estranharam um pouco no começo, porque tinha fã-clube, páginas com o nome... Mas eles são sempre muito fofos, entenderam e apoiaram o novo nome. Já alteraram o nome do fã-clube, já atualizaram para o novo nome. Já se acostumaram ou estão se acostumando.


- Agora você está arrasando no The Voice. Como surgiu esta oportunidade? 


Primeiro, a produção me ligou perguntando se eu tinha interesse em me inscrever, pois eles já conheciam o meu trabalho. E eu também conhecia o Leandro Bueno (ex-participante do The Voice), pois já havia gravado junto, e ele me deu o maior apoio: “Vai, arrasa, se inscreve”. Daí participei de todo o processo, a seletiva, foi um período longo até chegar o dia do programa. É desesperador, pois o tempo vai passando e a gente não sabe se vai participar. Até o dia da gravação eu não tinha segurança de nada.


- Você é uma cantora profissional. Não rolou nenhum tipo de receio de ser avaliada ou até de não ter a cadeira virada? 

Não vou mentir para você, rolou receio sim: “Ai, e se não virarem a cadeira? Vou perder tudo o que construí, vão achar que eu não canto nada em rede nacional” (risos). Mas eu aceitei o desafio do The Voice porque é um programa muito sério e  porque sei que todas as pessoas que estão ali são todas talentosas. Não tem brincadeira, não tem ninguém ali que não seja talentoso ou que esteja querendo uma palhaçada. Me senti mais segura porque todas as pessoas que concorrem comigo também são profissionais na área. Além disso, há várias pessoas talentosas que eles não viraram a cadeira, então não tive medo na hora.




- Como foi a escolha de Don't Wake Me Up para este momento "tudo ou nada"? 

Eu mesma sugeri esta música, que cantei durante muito tempo nos meus shows, que me dava segurança e que eu gostava muito. E eles toparam. Porque a música também precisa ter uma seleção deles, para que não haja músicas repetidas, enfim. E eu tive a sorte de eles toparem logo de cara. Cantei e deu certo, graças as Deus.


- O que pode adiantar das próximas escolhas? 


Ai, eu não sei! Quem vai escolher a próxima fase, que é a batalha, é a Claudinha. Ela  vai escolher a música e também com quem eu vou cantar. Também estou na maior expectativa, igual a vocês. Não tenho ideia do que está por vir.


- Claudia Leitte te chamou de diva. Já que é queridinha dos gays, que tal diva gay?


Se os gays quiserem, acho incrível. Diva gay, amo este título.


- Você tem uma proximidade grande com o público LGBT, né? Sempre foi assim?


Sim. Eu sempre estive envolvida na arte, fiz musicais, então este é um meio que acolhe todas as pessoas sem preconceito – o que é muito bom. Hoje, todos os meus amigos são gays, 99% dos fãs são gays, eu mesma sou praticamente uma travesti no palco.  No sentido de dançar, fazer performance, ser livre... Eu quero contar com todos eles para ganhar, para estar o máximo que puder dentro do programa.


- Acha que existe diferença entre o público gay ou hétero?


Público é público, todos são exigentes, carinhosos... Quem frequenta balada gay não é necessariamente gay, pois tem muito hétero que vai a ambiente open mind e que também são pessoas carinhosas e de bem com a vida. E pessoas que não têm preconceito são sempre as mais legais. Eu gosto de quem gosta da minha música pop. Se são os gays, incrível! Se são héteros, também. Eu não quero saber da sexualidade do meu fã. Eu quero saber do caráter, quero saber da minha música, se ela te faz dançar ou te ajuda a superar os problemas.













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- Tem alguma pergunta que você gostaria que te fizessem, mas que nunca fazem?

Ai (pensativa). Tá precisando de dinheiro? (risos). Tá aqui a minha conta... Não, não. Você tem alguma pergunta que você queira fazer, mas que está com vergonha? (risos).


- Olha, me intimidou (risos). Há alguns anos existia um grande tabu de cantoras brasileiras cantarem músicas internacionais. Isso já foi superado?

Existe ainda, sim. Algumas pessoas dizem: “Para quê vou escutar você cantando em inglês se eu tenho a Rihanna?”. E, na verdade, é muito difícil você emplacar uma música de outro idioma no seu país.  Até porque o Brasil não é um país bilíngue. É difícil e é por isso que a gente foi migrando aos poucos. Mas tem algo interessante que, dentro da música eletrônica, que é onde eu comecei, existe um preconceito contrário...


- O de cantar música em português com batida eletrônica? 


Isso! Você não escuta música eletrônica em português na balada. Mas isso está mudando aos poucos, graças a Deus. Mas eu comecei cantando em inglês, inglês, inglês e agora, aos poucos, estou cantando em português. Por que dentro das baladas não absorveram letras em português, mas agora com a ascensão do pop nacional e das festas pop as pessoas já estão mais abertas. A gente tá vindo com tudo nesta transição.


- E o cabelo está dando muito trabalho? 


Nossa, muito. Eu aconselho as pessoas a terem apenas uma mecha rosa (risos). Mas um cabelo rosa dá muito trabalho. Se eu não tivesse o Patrício Lima para cuidar do meu cabelo, eu não teria. Eu tenho que hidratar toda a semana, porque é como se eu tivesse um cabelo loiro todo descolorido e, como eu gosto do cabelo rosa mais claro, tenho que tonalizar ele a cada 10 dias no máximo. Caso contrário, ele fica com uma aparência... Sei lá. É exatamente esse o nome da aparência: “sei lá”, porque não tem aparência nenhuma (risos). Fica meio opaco.


- O que a gente pode esperar de você no The Voice? 


Gente, eu tô maluca. Não sei o que vocês podem esperar (risos). Vou estar maluca nas próximas etapas, nervosas nas redes sociais, ensaiando show novo com banda. Vamos ter outros formatos de shows a partir de agora, mas estarei sempre fazendo como sempre fiz. Tem gente que fala “Ai, ela vai ficar metida, não vai mais tirar foto com a gente...”. Não, gente, vou continuar a mesma coisa, vou continuar fazendo o que faço, vou continuar fazendo os meus shows, música e arte, que é o que eu sempre fiz.


- Boa sorte, Nikki, estamos na torcida! 



About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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