Pride

Ex-travesti? Talita Oliveira revela o que já sabíamos: era "equê" fundamentalista





Por Neto Lucon

Nota: No pajubá, quando alguém diz que outro está de "equê" numa conversa, pode começar a desconfiar da história. Muito provavelmente ela não é real.  

Talita Oliveira causou no último ano. Depois de vários vídeos detonando a militância LGBT, a travesti virou amiga do deputado e pastor Marco Feliciano (um dos inimigos da comunidade LGBT) e declarou ser uma ex-travesti, aparecendo na TV como Tiago. Ela dizia ainda sofrer preconceito da comunidade LGBT, que não aceitava a transformação de Deus em sua vida.

Porém, passados alguns meses, Talita volta aos holofotes. Desta vez - pasmem! - para detonar a experiência na igreja, desmascarar os processos de reorientação sexual e de gênero pelos quais passou e dizer que NÃO EXISTE “cura gay” - até porque ser gay não é doença. À lá Roberta Close, se apresentou novamente: “Sou Talita Oliveira, prazer”.

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Desde outubro deste ano, ela está em Reisensburg, região alemã da Bavária e se diz perseguida pelo movimento LGBT e também por evangélicos. Da experiência, afirma que aprendeu o que era óbvio: não é possível mudar a orientação sexual e identidade de gênero de ninguém. “Tudo é conveniência, medo e pressão psicológicas das pessoas”.

No relato, Talita afirma que a trajetória "Talita-Tiago-Talita" começou quando os seus polêmicos vídeos publicados na internet, com "posicionamentos de direita", fizeram com que a “militância LGBT esquerdista” virasse as costas para ela ou a apedrejasse nas redes sociais. E que os únicos que a acolheram neste difícil momento foram os evangélicos. Vale lembrar que na ocasião ela discursava a favor do ex-presidenciável Levy Fidelix, que disse em um debate ser contra famílias LGBT, pois dois órgãos excretores não reproduzem, e minimizava os crimes LGBTfóbicos.

“As únicas pessoas que me abraçaram foram justamente os conservadores, direitistas, liberais, cristão, mas principalmente os evangélicos. Foram inúmeras mensagens de apoio, carinho, compreensão e, tendo em vista a minha solidão, tudo aquilo tocava demais o coração”, escreveu.

MUDANÇAS


Acolhida por alguns, Talita diz que a decisão de mudar o gênero foi motivada depois que outros evangélicos começaram a criticar o seu “estilo de vida” e salientaram que era “possível ela mudar caso tivesse verdadeiramente amor e confiança em Deus”. “No início eu batia de frente e duvidava deles, sempre tive plena e total convicção da minha sexualidade, mas ao ver o tamanho apelo para que eu me renovasse, segundo as palavras deles, resolvi me submeter de livre e espontânea vontade  à famigerada ‘cura gay’ (entre aspas, já que ser gay não é doença)”.




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Dentro da Assembleia de Deus, em POA, Talita cortou os cabelos, fez cirurgia para removeu as próteses de silicone, trocou o guarda-roupa, terminou o casamento com um homem e resolveu se entregar à igreja. No Superpop, declarou que se tornou travesti porque foi abusada pelo irmão mais velho e porque foi influenciada pela prostituição. 

“Até tentei namorar com uma mulher e não consegui. Ao contrário, cada vez que tentava me aproximar dela entendia que não gostava mesmo de mulher e que não nasci para ter um relacionamento heterossexual. Ela era uma garota linda e bem feita de corpo, teria tudo para me seduzir, mas simplesmente não consegui”.

TINHAM NOJO DE MIM

Porém, mesmo na tentativa de viver como Tiago e dando seus relatos na TV, Talita afirma que nunca foi bem aceita pelos fieis da igreja. “Minha presença gerava incômodo em muitos irmãos e irmãs. Eles não queriam tocar na minha mão, tinham profundo nojo de mim pelo fato de eu ser ‘ex-gay’.

"Em contrapartida, eu contava com o apoio de um deputado que possui uma ampla voz e influência dentro do meio evangélico. Este senhor me abraçou e quando a coisa começou a ficar difícil para mim, topou ‘comprar a minha briga com os movimentos de esquerda que me assediavam e abriu as portas, não somente das igrejas, mas também de veículos de comunicação para que eu pudesse dar o meu testemunho”.


Para quem acompanhou a história, sabe que aqui ela fala sobre Marco Feliciano que, além de tentar emplacar uma PL de "cura gay", chegou a levar em junho deste ano pessoas que se dizem ex-gays para relatar suas histórias na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Neste contexto, Talita mantinha o discurso de que sofria preconceito da comunidade LGBT por não acreditarem em sua transformação. Tsc, tsc...  

Ela permaneceu na igreja e servia de instrumento para o fundamentalismo, mas afirma que lá dentro mesmo começou a perceber algumas contradições entre o que era pregado e a realidade. “Existia um pastor casado há mais de 30 anos, que viveu em adultério durante três anos e mesmo assim foi jubilado dentro da igreja. Este homem ganhava um salário de 50 mil reais mensais e trocou a esposa adoentada, pela enfermeira que tomava conta dela". 

"Eu estava participando de uma sessão de “cura e libertação” e em um certo momento, o pastor colocou a mão na minha cabeça com tanta brutalidade que eu caí no chão. Quando pedi para que ele parasse, o mesmo veio dizer que eu estava tomado por um “espírito de rebelião”. Ela também diz que foi influenciada a usar o seu testemunho nas igrejas para ganhar dinheiro - uma fonte de renda para muitas pessoas que se vendem como ex-travesti, ex-gay e ex-qualquer coisa nas igrejas.

PASTOR JOGOU NA CARA PASSADO NA PROSTITUIÇÃO

Assim que ela começou a tirar o véu da hipocrisia dentro da igreja, ameaças começaram a surgir e ela se diz coagida. "Mas o pior não é isso. O mesmo político, que outrora me apoiou e me deu forças, viria me apunhalar quando eu mais precisei dele. Numa certa audiência pública a qual fui convidado a comparecer em Brasília, eu não tinha recursos financeiros para pagar minha viagem (pois já havia passado uma semana em um congresso em Curitiba) e fui pedir o auxílio dele".

"Foi nessa hora que ele me humilhou. Disse que não poderia custear e soltou a seguinte frase: “Você no seu passado fez coisas horríveis com o seu corpo e agora por Deus você não pode fazer?” Este foi o ponto crucial”, declarou.




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Ter o passado jogado em sua cara foi “simplesmente horrível”, “um golpe baixíssimo, forte e certeiro contra sua dignidade”. “Afinal de contas ele sabia o que eu sentia em relação a isso. “Eu nunca fui infeliz sendo travesti. Eu nunca fui infeliz sendo homossexual. Eu fui infeliz sendo PROSTITUTA. Tendo que vender meu corpo para homens estranhos, homens que eu não desejava! Isso sim era o que me matava de angústia. Me prostituir para poder sobreviver, já que o Brasil não oferecer oportunidade de trabalho para travestis e transexuais”.

Por conta desta discussão, Talita resolveu abandonar a congregação e permaneceu calada. “Cansei de ser usado por pessoas como ele, que desejavam ter somente um estandarte ‘ex-gay’ para uma causa a qual ele nem mesmo compreende”. 

“Depois de algum tempo resolvi sair do Brasil e vir para a Europa. Estou me sentindo muito bem aqui. Sinto-me finalmente livre para dizer tudo aquilo que passei. Nada vai me calar. Neste momento estou vivenciando o que é realmente ter paz de espírito. Deixei o Brasil por medo, insegurança, falta de oportunidades e para fugir de tanta gente hipócrita e oportunista com a dor do outro. Não arrependo de nada (...). Eu tinha que experimentar na minha pele para chegar a mais óbvia das conclusões: Não existe cura gay! Não existem “ex gays”! Tudo é conveniência, medo e pressão psicológicas das pessoas”.

MOVIMENTOS DE ESQUERDA NÃO FAZEM NADA

Mesmo após a experiência, Talita mantém a postura polêmica. Diz que não se arrepende de nada e continua batendo na tecla que os “movimentos de esquerda nunca fizeram nada pelos LGBT”, que “defende a família” e que se considera alguém de “direita”. “Estudem e procurem a verdade. O Brasil está do jeito que está por culpa da esquerda. Esquerda que sempre fuzilou os homossexuais ao longo da história do mundo”, diz.

Ela agradece a um irmão que organizou uma vakinha e ao autor Olavo de Carvalho. “Peço a Deus que abençoe a cada um de vocês. Espero que tenham amor no coração e consigam enxergar toda a situação com carinho. Não foi fácil mas ainda estou aqui, fortalecido na minha fé em Deus e torcendo por dias melhores para todos nós. Deixo claro que jamais falarei mal das igrejas evangélicas de forma generalizada pois a igreja pertence a Cristo e não ao homem. Agradeço a todos os irmãos e irmãs de boa fé e peço que Deus os proteja muito e sempre”.




O QUE FICA?

Assim como muitas pessoas que publicizaram a falácia da "cura gay", é preciso dizer que  Talita fez um desserviço durante muito tempo, pois prejudicou a vida de muitas pessoas LGBT ao aparecer na TV dando o seu "testemunho". Pessoas que se sentiam motivadas a tentar mudar o que são e passando por torturas psicológicas para atender a um desejo da família e da religião.

Que este novo relato sirva de lição para futuros ex-gays e ex-travestis midiáticos, que na verdade servem apenas de instrumento para fundamentalistas exercerem o seu preconceito. Aqui, desta vez, vale o discurso de Talita: “Não existe cura gay! Não existem “ex gays”! Tudo é conveniência, medo e pressão psicológicas das pessoas”. Anotem! 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

5 comentários:

Luan Carvalho disse...

Bom que bom q ela teve coragem de dizer o q pensa e desmascarar essas palhaçadas . Hj eu sou cristão, sirvo a Deus em uma igreja inclusiva e sei q Deus me ama da forma q sou , sem sombras de duvidas

Joao Geraldo Netto disse...

Essa garota é uma aproveitadora! Fez um desserviço imenso com seus comentários cheios de preconceito e fortalecendo, ainda mais, o estigma que acompanha as pessoas LGBT, especialmente as pessoas trans. Percebo que mesmo depois de tudo o que ela passou, ela não aprendeu que todo esse amor que ela usa na sua fala não retorna para as pessoas que mais precisam. Uma pena... E, sinceramente, espero que ela fique por lá, bem longe. Aqui, ela não soma nada e não faz falta. Espero, também, que a falta de fronteiras da internet não permita que ela volte a fazer seus vídeos equivocados e que disseminam o ódio. Tenha uma boa estadia na Alemanha e que você tenha a oportunidade de se tornar uma pessoa melhor.

Bruna milher disse...

Essa talita zampiroli deveria ter vergonha porquê cuando ela foi para a igreja ela pegou e disse que ser gay erra errado prejudicando vários homosexuais de todo o Brasil diciminando mais preconceito com quem não tem culpa de nascer assim ela deveria aparecer em público e pedir desculpas para todos os homossexuais que ela prejudicou quando disse que ser homossexuao era pecado fazendo os outros terem apenas mais preconceito

Anônimo disse...

Sara

Bruna, a Thalita da matéria é a Thalita Oliveira. A Thalita Zampirolli nunca deu essas declarações, muito pelo contrário, a moça sempre foi respeitosa com todos.

Não Sou Vlogueiro disse...

Agora ela está apoiando Bolsonaro, é mole? Vcs têm o video que ela postou denunciando a farsa do Feliciano? N to achando, quero jogar na cara dela.

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