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Renata Peron, Daniela Andrade e ativistas LGBT são homenageados por Edith Modesto


Daniela Andrade e Raphinha Laet: homenageadas por Edith Modesto


Por Neto Lucon

Além de lançar dois livros, Edith Modesto homenageou na noite de sexta-feira (27), em uma livraria de São Paulo, vários militantes, ativistas e personalidades que tiveram importância no cenário LGBT e no GPH - Grupo de Pais de Homossexuais fundado por ela nos anos 90 e que atua até hoje. 


No grupo trans, foram homenageadas a cantora e presidente da CAIS Renata Peron, a analista de sistemas e transfeminista Daniela Andrade. E Raphela Laet e a mãe, Ana Marques, que formam a primeira família de uma filha mulher transexual a ser atendida por Edith em 2004.

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“Há 10 anos, eu era um menino afeminado e a minha mãe procurou ajuda. A Edith abriu muitas portas para os meus pais. Na época, não existiam muitos modelos de trans - era só a Roberta Close e a Patricia Araújo - ou grandes estudos, então ninguém me entendia e eu crescia muito sozinha. E com 14 anos, por conta do trabalho da Edith, eu pude começar a minha transição”, afirmou Raphaela, que durante anos chegou a ser coordenadora do projeto Purpurina.

O Projeto Purpurina é um projeto multicultural pensado pelo GPH, que é realizado por jovens coordenadores mensalmente. Eles escolhem os assuntos, coordenam a reunião e são monitorados por especialistas. De modo geral, trabalham a elevação da auto-estima e a aproximação dos jovens aos seus pais e familiares. 


Ana conta que o trabalho de Edith foi fundamental para que a família se unisse e a filha tivesse saúde física e mental – anteriormente, ela chegou a ficar em uma escola para pessoas com deficiência mental. “Minha filha com 13 anos me disse: ‘eu gosto de homem, eu quero o seu cabelo e quero ser como você, o que eu sou?’. Daí eu assisti a entrevista da Edith no Jô Soares e fui atrás. Logo ela me disse: ‘você tem em casa um dos casos mais difíceis, que é o da transexualidade’. Mas ela falou que iria me ajudar a atravessar a essa ponte. Indicou médicos, endocrinologistas... Se não fosse por ela, talvez a gente tivesse sucumbido”.





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Raphinha afirmou que foi importante ter contato com outras pessoas LGBT no projeto Purpurina, sobretudo porque entediam de alguma forma o que era ser discriminado e sofrer preconceito pela sociedade. Já a mãe disse que consegue sentir avanços nos direitos de travestis e mulheres transexuais nas última década. 

HOMENAGEADA É EDITH


Homenageada, Daniela Andrade agradeceu o carinho de Edith e afirmou que o prêmio deveria ser dado à própria terapeuta, pela sua importância na vida de muitos jovens e famílias LGBT. “Conheci a Daniela quando precisei falar sobre transexualidade no projeto Purpurina. Então nada melhor que uma mulher transexual falasse sobre ela e a própria experiência. E a Daniela explica direitinho e contribui muito para os encontros. É incrível”, contou a escritora.


Renata também alega que Edith é uma inspiração para ela e que, no futuro, espera ser uma mulher resistente e incansável como ela. “Para mim, este é um um momento de muito orgulho. Primeiro por saber que, como mulher transexual, consegui realizar muitas coisas em minha vida. Depois, por ser homenageada por uma mulher que poderia ficar em casa, curtindo o maridão, mas que continua nos ensinando tanto, contribuindo para a comunidade LGBT”.

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Dentre outros homenageados estão o advogado Dimitri Salles, a Mães Pela Diversidade Majú Giorgi, o coordenador da ong LGBT Corsa, Lula Ramires, o historiador norte-americano James Green, o jornalista e ativista LGBT João Silvério Trevisan...

“Muito obrigada pela noite linda, pela homenagem que me emocionou tanto. Obrigado pela parceria do GPH, por sempre ter me dado a mão, ter me ensinado tanta coisa, por ter me dado todo apoio e toda força, por ser inspiração e pela honra que me deu de ser uma das Mâes pela Diversidade. A grande homenageada é você e tem que ser você”, agradeceu Majú em seu Facebook.


Vale lembrar que antes da premiação, Edith deu um mini curso sobre os dois livros que lançou: “Homossexualidade – Preconceito e Intolerância Familiar” e a versão atualizada de “Mãe Sempre Sabe? Mitos e Verdades Sobre Pais e Seus Filhos LGBT”, que agora tem depoimentos até 2015 e um capítulo especial sobre a questão trans. Veja algumas algumas fotos abaixo:







 

Outras fotos podem ser vistas na fanpage do NLUCON clicando aqui.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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