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Técnica de transplante de útero indica que travestis e mulheres transexuais poderão engravidar no futuro



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Por Neto Lucon

Já pensou que travestis ou mulheres transexuais pudessem engravidar? Pois a maternidade poderá ser vivenciada no futuro pelo grupo, aponta os avanços da técnica de transplante de útero, realizada atualmente pela clínica Cleveland, nos Estados Unidos.

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Até então, a técnica é realizada somente em mulheres cis sem o útero. Ela consiste em transplantar o útero de uma doadora e deixa-lo sem as ligações com os ovários. A grávida deverá tomar medicamentos para evitar a rejeição e remover o órgão após, no máximo, duas gestações.

O médico Andreas Tzakis, que é o responsável pela técnica nos Estados Unidos, declarou que a gravidez é de risco e que até o momento oito mulheres cis se preparam para o transplante de útero no próximo mês. “Nosso trabalho é tornar o transplante o mais seguro e bem-sucedido possível”, disse ao jornal The New York Times. 




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Ao comentar se a técnica poderá ser feita em mulheres transexuais ou travestis futuramente, a médica Karine Chung, diretora do programa de preservação da fertilidade da University of Southem California Keck School of Medicine, nos Estados Unidos, afirma que... Sim! Ela diz que obviamente o processo seria mais complexo que o em uma mulher cis, mas que deve ser uma realidade em cinco ou dez anos. “Talvez menos”.

Dentre as especificidades, ela diz que seria necessário criar um canal vaginal e remodelar toda a estrutura da pélvis para preparar o corpo para a gestação. Será necessário anexar uma ramificação de grande artéria ao útero para que supra a ausência de veias e artérias uterinas para nutrir o ventre. A hormonização também sofrerá algumas alterações orientadas pelo médico – bem como mulheres cis na menopausa - para que haja suporte para as mudanças da gestação.

O útero implantado não teria ligações com as trompas do Falópio e, por esse motivo, a fertilização seria in vitro, com posterior implante do embrião em quem recebeu o órgão. 
Apesar de nada disso ter sido testado com sucesso anteriormente, a expectativa é positiva. “As anatomias feminina e masculina não são tão diferentes”, diz Chung. “Em breve vamos descobrir como fazer tudo isso”.

A cirurgiã plástica da New Hope, nos Estados Unidos, Christine McGinn diz que, caso a cirurgia fosse coberta por planos de saúde várias mulheres transexuais aceitariam passar por ela. “A vontade humana que a mulher tem de ser mãe é algo muito sério. Isso não é diferente para as mulheres transgênero”.

O fator mais complicado seria o financeiro, uma vez que as cirurgias de transplante envolvem um alto custo: variam de 92 mil reais (um transplante de córnea) a 4,8 milhões (um transplante de coração) – de acordo com a Fundação Nacional de Transplantes nos Estados Unidos. Um transplante de útero ainda não tem avaliação. “Este seria um problema de classe, apenas pessoas trans muito ricas poderiam fazer isso”.

Vale ressaltar que a Suécia já realizou o transplante anteriormente, mas que das nove mulheres cis que passaram pela cirurgia duas delas tiveram que remover o útero por problemas de infecção. Outras quatro já gestaram os filhos, todos eles prematuramente, e o próximo está para nascer em janeiro de 2016. 

Até então a técnica é feita com úteros doados por pessoas vivas, mas a equipe planeja transplantar úteros de doadoras falecidas.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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