Pride

Travesti que assumiu cargo no executivo do MS sofre insultos e arrasa na resposta




Neto Lucon

A militante Cris Stefanny – que é atual presidente da Antra (Articulação Nacional de Travestis e Transexuais) – foi escolhida neste mês para assumir o cargo de coordenadora de Políticas Públicas LGBT no Mato Grosso do Sul. É a primeira vez que uma travesti irá assumiu um cargo no executivo municipal.

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Aos 35 anos, Cris tem pelo menos 20 anos dentro da militância, é filiada ao PPS e acredita que “tem muito a colaborar”. “Não queremos privilégios, mas a garantia de que o direito de todos seja respeitado”, afirmou ela ao jornal local Campo Grande News.


Dentre os seus objetivos, está a criação de uma coordenadora de Políticas Públicas LGBT, que visará combater efetivamente a homofobia e a transfobia na área de segurança. Além de proporcionar cidadania plena e focar na saúde de pessoas sujeitas à vulnerabilidade social.


Outras metas são a de instalar ambulatórios do processo transexualizador, colocar a Parada do Orgulho LGBT no calendário municipal de cultura, incluir cursos de capacitação para gestores de saúde e segurança pública para atendimento humanizado, e também fazer valer a Lei do Nome Social, que foi promulgada pela Câmara Municipal.


O anúncio de que Cris assumiria o cargo motivou muitas pessoas a despejarem transfobia na rede, a insultarem e responsabilizar o grupo por muitas vezes estar inserido na prostituição e drogas. Tanto que ela emitiu uma nota, salientando que “é sempre bom refletirmos de quem é a culpa da desigualdade social, dos pontos de drogas e da prostituição”.

Confira:


“Após piada de mal gosto e insultos a minha honra, é sempre bom refletirmos sobre de quem é a culpa da desigualdade social, dos pontos de drogas e da prostituição!


Primeiro quero avisar aos desavisados, que entre os culpados pelos pontos de vendas de drogas e de prostituição não inclui a mim, mas sim, o sistema falido de família tradicional que por milhares de anos vem consolidando discórdias e dividindo a sociedade em duas parcelas, (primeira e segunda categorias). Dando oportunidades desiguais a quem tem direitos iguais! 


Depois vem os dogmas religiosos, que insistem em discriminar e expurgar as pessoas do convívio familiar e social, as colocando a margens e toda sorte de exclusão sem nenhuma oportunidade, tratando parte dos seres humanos como pessoas não bem vinda ao seio religioso e da sociedade.


Por fim, o que almejamos não é criminalizar os já fragilizados e estigmatizados pelo sistema e muito menos por estarem na prostituição, más sim, ofertar oportunidades através de acolhimento, dando lhes o direito a uma vida digna!


Existem travestis na prostituição e nas drogas tanto quanto heterossexuais, e os presídios estão abarrotados de pessoas não homossexuais. Nem por isso, seria eu incoerente e preconceituosa de dizer que os heterossexuais não prestam!”


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

isabelly kloss disse...

Se ela está onde está,é porque tem competência suficiente para exercer a função aos machistas e os trans fóbicos aceite que dói menos

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