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Galeria: Em SP, mulheres resistem contra PL e dizem que "Eduardo Cunha é inimigo n° 1"




Por Neto Lucon

Depois de voltar de uma balada, Marília* foi estuprada em seu quarto aos 17 anos por um tio, com quem dividia a mesma casa e que não aceitava o fato de ela ser lésbica. Marília fugiu para a casa de uma namorada da época, mas não registrou o boletim de ocorrência. Estava traumatizada, envergonhada e com medo. Tanto de novas violências, julgamentos,  quanto de engravidar. O estuprador "gozou dentro" e fez questão de contar.

No dia seguinte, foi com a namorada procurar um atendimento médico e tomou a pílula do dia seguinte. A dor da agressão continuou, mas estava aliviada quanto à possível gravidez forçada e indesejada. *Após a reportagem publicada, Marília pediu para mudar o seu nome por questões pessoais.

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Aos 22 anos, Marília é uma das 15 mil mulheres, segundo a organização, que estiveram na manifestação “Fica Pílula, Sai Cunha”, que ocorreu na Avenida Paulista na sexta-feira (31).

O ato feminista é contra o projeto 5069/2013 do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que dificulta o acesso à pílula do dia seguinte nos serviços de saúde e que só faz valer a legalização do aborto na rede pública caso a mulher vítima de estupro comprovar, por meio de exame de corpo e delito, ter sofrido abuso. Atualmente, o serviço acredita na palavra da mulher violentada.


“Não registrei por medo e vergonha, como a maioria tem. E não engravidei, porque tenho o direito de não ter algo que me remeta a uma violência. Machismo é saber que uma mulher passou por uma violência e ainda querer que ela procure uma delegacia para então receber atendimento de saúde. É por isso que essa lei fere o direito das mulheres e protege o estuprador. Se fosse por esta lei, eu teria estuprada várias vezes”, afirma ela ao NLUCON, que atualmente cogita em ser mãe ao lado da atual esposa.






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Durante a manifestação, o grupo promoveu um velório – com direito a caixão físico, que foi carregado pelas mulheres– com várias opressões escritas, como a “lesbofobia”, “machismo”, “misógina”, racismo”, “transfobia”, intolerância”, "homofobia". Ele também criticou que mulheres pobres e negras, acabam sofrendo mais com a proibição do aborto, sendo que as mulheres ricas acabam abortando dentro e fora do país. 

Faixas e cartazes como “Abaixo a cultura do estupro”, “Nenhum retrocesso nos direitos das mulheres”, “Lugar de estuprador é na cadeia, não na certidão”, “Meu corpo não é delito, não te devo provas”, também foram erguidas durante a manifestação. Um dos momentos mais marcantes foi quando as mulheres gritaram em coro repetidas vezes: “Machismo: mata! Feminismo: liberta”. E quando outras apareçam com tintas vermelhas, que remetiam aos abortos clandestinos.

O grupo também se atentou às recentes acusações de corrupção que o presidente da Câmara dos Deputados vem recebendo, bem como a de ter mentido em depoimento à CPI da Petrobrás que não tinha contas no exterior. As investigações do Ministério Público suíço revelaram que ele tem contas na Suíça e, após pedido de cassação protocolado pelo PSOL e Rede de Sustentabilidade, Cunha será julgado pelo Conselho de Ética. 


Considerado femininista, o ato foi encabeçado por diversos movimentos bem como As Mina é Zica, Fanfarrônicas, Liga Brasileira de Lésbicas, Marcha Mundial das Mulheres, Frente pela Legalização do Aborto, Marcha Nacional das Mulheres Negras, Frente Contra o Assédio, Juntas. E teve apoio de vários militantes da comunidade LGBT e grupos como o Mães Pela Diversidade. Ele está ocorrendo por todo o Brasil.

Confira algumas fotos do NLUCON:









 



 












 





 





 






















 

































About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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