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2ª Revolta da Lâmpada quer mostrar que “corpo é livre” e que “fervo também é luta”



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A segunda edição da Revolta da Lâmpada - manifestação que expõe e reivindica várias pautas alinhadas aos direitos humanos e critica o preconceito e o retrocesso político - vai ocorrer a partir das 14h neste sábado (12), na altura do número 777 da Avenida Paulista, em São Paulo. O ato quer mostrar que o “corpo é livre” e que “o fervo também é luta”.

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Para quem não sabe, a Revolta é descentralizada, desinstitucionalizada, coletiva, criativa, independente e com equilíbrio de protagonismo entre corpos. E tem esse nome devido à agressão homofóbica que três amigos sofreram com lâmpadas fluorescentes em 14 de novembro de 2010 ao saírem de um clube gay.

“A lâmpada fluorescente virou um símbolo da opressão, não só às pessoas LGBT, mas a todos os corpos percebidos como inadequados pelo modelo hegemônico. A lâmpada agora é nossa e nós vamos para a rua com ela mais uma vez”, diz o texto do evento publicado no Facebook.

O grupo tem como base os pilares “luta” – organizamos ações políticas pragmáticas, com pauta de reivindicações para diversas populações minorizadas – e “fervo” – espaço livre de expressão artística e de gênero, onde se luta pelo direito de um corpo livre ao mesmo tempo em que se vive e celebra ele”. 

Este ano, conta com o apoio da APOLGBT, do CUME, do projeto Vozeria e do grupo Mães pela Diversidade.




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PROGRAMAÇÃO

Às 14h, rola oficina de cartazes, body painting (pintura corporal), leitura do manifesto, sambada na cara das inimigas, falas e fervo. A marcha tem início às 15h, com catwalk ativista, calçada da infâmia: inimigos revelados, deitaço no asfalto, shows, falas e muito mais. 

O trajeto é Paulista - Consolação – República. E tem a presença confirmada de artistas como Xerxes, Renata Peron, Luana Hansen, Shanawaara, Duda Babaloo, Duda Dello Russo entre outros.

O Amazonas do Fervo vai ocorrer na Praça Dom Gaspar. Trata-se de um exército de corpos livres que faz uma paródia dos “Gladiadores do Altar”, da Igreja Universal. A ideia é lutar pela liberdade de todos os corpos oprimidos: mulheres, LGBTs, pessoas negras, gordas, indígenas, etc. 

Na primeira edição cerca de 100 amazonas marcharam e, agora, você pode participar da nova edição. O encerramento está previsto a partir das 19h na intervenção popular Mel, edição Estado Laicra. Mais informações aqui.

Assista abaixo como foi a 1º edição do Amazonas do Fervo: 




MOTIVOS PARA PARTICIPAR

Neste ano, a revolta aborda vários temas que ocorreram em 2015 e que mostram retrocesso, preconceito e crimes. Bem como a retirada da discussão de gênero nos Planos Municipais de Educação, apedrejamento de uma menina de 11 anos por intolerância religiosa, morte da travesti adolescente Laura Vermont por transfobia, tortura da travesti Verônica Bolina em presídio por transfobia, morte de Rafael Melo por homofobia.

Eles ainda falam sobre o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que dentre vários escândalos e projetos retrógrados, apressou votação da PL que criminaliza a “cristofobia” e atualmente utiliza o impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como arma para blindar as notícias de suas contas na Suíça.


“Para a RDL, só não enxerga a conexão entre tudo isso aí em cima quem não quer. O inimigo está articulado, unido e institucionalizado. Sob comando de Eduardo Cunha, a bancada BBB (Bíblia, Bala e Boi) representa 73% dos deputados federais no congresso. Esse bloco demoniza, desumaniza e oprime as minorias: para fazer cortina de fumaça e se refestelar no "dinheiro dos impostos", diz o texto.

“Não querem estado laico porque o fundamentalismo religioso é uma de suas estratégias geniais: ela aprisiona corpos de LGBTs, mulheres feministas, índios, praticantes de religiões afro-brasileiras, população negra e marginalizada e desonestamente os posiciona como inimigxs da sociedade civil, para disfarçar o que está óbvio: os inimigos são eles. Cortina de fumaça. E Cunha é o nosso Putin”, conclui. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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