Pop e Art

Gravação do clipe de Erick Barbi reúne comunidade LGBT: “Diz muito sobre nós”



Por Neto Lucon

As gravações do clipe “Tudo que o Mundo Vai me Dar”, do cantor Erick Barbi, vem movimentando a comunidade LGBT nas últimas semanas. Tanto que, no último domingo (27), vários simpatizantes e membros da comunidade LGBT – sobretudo homens trans – participaram da última cena que ocorreu na Matilha Cultural, em São Paulo.

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Nela, Erick aparece cantando ao lado dos músicos Raoni Passeto (baixo) e Vagner Concon (bateria). E os protagonistas Kaioll Matezzi, Ian MatheusAlice Destro e Cairo Braga curtem o som em meio aos figurantes e convidados pra lá de especiais.

“Achei incrível esta experiência, pois eu já conhecia essa música antes de ser convidado para o clipe e ela foi importante para o meu processo de descoberta. ”, afirma Kaioll ao NLUCON. "Fiquei muito feliz". 

O estudante Thomas Fernando, de 21 anos, declara que o clima da gravação foi muito bom e que se divertiu bastante. “Achei a iniciativa do Erick sensacional, pois abriu portas para quem quisesse participar. Isso já é incrível, pois mostra que a visibilidade vai além e que está com pé na representatividade. Além disso, a música tem temática trans e representa a realidade de muitos. Acho importante, pois o artístico ainda é muito fechado, mas costuma trazer retorno positivo”.

O assessor de comunicação do IBRAT, Samuel Silva, de 23 anos, também teceu elogios pela participação: “Tudo o que o mundo vai me Dar foi a música do primeiro Enath e acabou virando o nosso hino. Ela significa muito para mim e para os homens trans que militam. Foi emocionante participar da organização do Enath, ver o evento tomar forma e, ao fim, ouvir essa música. Além disso, ela diz muito sobre nós e toda vez que escuto, vejo a minha vida passando diante dos meus olhos”.

Pelo primeiro clipe, Erick afirma que se trata de um sonho se tornando realidade. “Poder contar a história, com todo o significado da letra, com pessoas trans protagonizando e o apoio de todos - desde a figuração até a produção, gravação e edição, e na rápida velocidade com que tudo aconteceu - foi mais que perfeito. A gente vê que tem muita gente que é a favor da causa e que quer dar visibilidade ao assunto”, comemora.

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O NLucon esteve presente e, a pedido da produção, participou vestindo uma camiseta em memória a Géia Borghi, enfermeira transexual que foi brutalmente assassinada em 2014. "Não podemos deixar que crimes como este sejam esquecido", diz.

O roteiro do clipe aborda a trajetória de um homem trans (Kaiool), que vive conflitos da sociedade transfóbica e que recebe um misterioso convite. Ao mesmo tempo, outras pessoas (dentre elas, uma mulher transexual e uma pessoa queer) são convidadas para o mesmo espaço misterioso.

Vale lembrar que o clipe é produção da Kallango Produções Artísticas e conta com produção executiva e roteiro de Glê Sena, direção artística de Alex Bencke e a diretora de imagem Nórica. “Foi um dia mais que especial para mim, em que pude aprender muito, conhecer histórias, trocar sorrisos, abraços , afeto e construir nova história. E isso só foi possível porque vocês estavam lá. Vocês construíram tudo isso. Posso dizer que por vários momentos quis chorar. Acredito que não só eu”, escreveu Glê.

Veja algumas fotos dos bastidores: 




























About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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