Pride

Kimberly Luciana Dias, do Mundo T-Girl, revela males da auto-hormonização



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A ativista travesti Kimberly Luciana Dias, fundadora da página Mundo T-Girl, publicou um vídeo em seu canal no Youtube para alertar sobre os riscos do processo de hormonização quando feito sem acompanhamento médico ou por especialistas. Ela revela, por exemplo, que o seu processo de automedicação rendeu inúmeros problemas de saúde e um trauma que carrega até hoje.

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“Quando iniciei o processo, não existia essa possibilidade de ter acompanhamento, não tinha especialista para falar sobre hormônios e nem ambulatório de travestis e transexuais”, conta. Mas ainda hoje a automedicação é corriqueira entre os jovens - seja por não haver médicos especialistas em sua cidade, haver fila muito grande nos ambulatório, entre outros motivos.


Kimberly relata que chegou a usar dois hormônios, Perlutan (injetável) e Diane 35 (oral), um dia sim e um dia não. No corpo, ela revela que sentiu efeitos nos seios e no rosto. Já no psicológico... Depressão, carência e falta de interesse sexual. “Era tipo TPM, uma sensação horrível, que eu não gostava. Muitas pessoas se afastaram de mim por causa desses sintomas. Era uma carência muito grande, eu queria estar todo tempo ao lado do marido”.


Para piorar, os hormônios tomados ocasionaram complicações nos rins e uma forte crise a levou ao hospital. “Tive uma crise renal muito grande. Cheguei ao pronto socorro com muitas dores, rolava no corredor e pedia ‘pelo amor de Deus para me ajudarem, pois estava morrendo’. Os profissionais não sabiam o que estava acontecendo e acharam até que eu estava grávida e tendo um abordo. Mas era uma crise em consequência do hormônio”.

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A ativista diz que, após esta experiência, interrompeu a hormonização e foi atrás de um cirurgião plástico para colocar próteses de silicone nos seios. “Fiquei traumatizada. Nunca mais coloquei uma gota ou um comprimido hormonal no meu organismo. E não me arrependo”.


Por meio desse e de outros relatos (que são bem comuns), é mais que urgente que o poder público, programas de saúde, planos de saúde, a faculdade e até mesmo a militância tenham olhar sensível para a terapia hormônial e deem o devido atendimento a esta parcela da população em prol da saúde física, psíquica e social. E que haja a consciência dos jovens dos riscos da automedicação.

Assista: 


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

6 comentários:

Raphael Ortega disse...

diane 35 com perlutan? que doida

Descurtir · Responder · 2 · 5 h Marcelo Rodrigues Marcelo Rodrigues disse...

Ótimo vídeo explicativo.

Fabiany Carvalho disse...

adorei o relato, adorei seu video.

Anônimo disse...

Tbm tomei perlutan Diane35 e ciclo21 quase morri ,tive amigas que tomavam e tinha efeitos colaterais horríveis até que conseguimos as cirurgias eu parei e elas continuam.

Colombari Bianca Savoia Colombari disse...

O seu depoimento e plenamente pertfeito , Kimberly'' e isso mesmo . bjss

Amanda Souza disse...

concordo plenamente porque eu comecei toma hormônio com 15 anos sem acompanhamento médico e depois veio os problemas resultol em gravé acne de nível alta

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