Pride

Padre cis Fábio de Melo relata encontro transformador com travesti Luana Muniz



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O padre cis Fábio de Melo comentou em um culto sobre o encontro que teve com a travesti Luana Muniz, durante o aniversário da cantora Alcione, no Rio de Janeiro. Enquanto as pessoas riram quando ele mencionou a palavra travesti, o padre admitiu ter sido preconceituoso ao cogitar tirar uma foto com ela, mas que logo se envergonhou do pensamento.

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“Vou confessar publicamente a minha hipocrisia: ‘Meu Deus do céu, se esse rapaz (sic) pedir para tirar uma foto comigo? Como que eu vou reagir?'”, declarou.

O padre afirmou que conseguiu perceber a sua hipocrisia. “Quando, de repente, eu só vi a sombra dele na minha direção, e o meu preconceito, o medo de me expor, tudo vindo à tona. Que coisa horrorosa isso em nós... Como se eu fosse melhor. Isso é mesquinho, é vergonhoso o que eu estou dizendo pra vocês”. 

Luana se aproximou e perguntou se ele costumava tirar fotos com “pecadoras”. “Eu percebi que tinha uma ironia ali. E eu respondi: mas é claro! E abracei ele (sic) e tiramos a foto. Antes de sair, ele (sic) disse: ‘eu não acredito que o senhor permitiu’. E os olhos dele estavam emocionados”.

Após o encontro, a irmã da cantora, Maria Helena, revelou quem se trata Luana - conhecida pelo bordão “travesti não é bagunça”, da matéria do jornalístico Profissão Repórter, da Globo. 

"Ela disse que ele (sic) mora na Lapa e criou um grupo que alimenta e recolhe todos os miseráveis daquela região. Quando ela me contou, eu comecei a unir as coisas dentro de mim. Eu não entro no mérito da questão da vida que ele leva, vamos deixar que Deus faça isso. Não sou síndico da Eternidade. Agora, que é um tapa na cara da gente, é"

Para finalizar, o padre disse que o encontro o ajudou muito a reavaliar preconceitos. "Aquele que você enxerga e que, naturalmente, provoca um desconforto por ser tão diferente de nós, não sabemos quantas coroas da dignidade foram recolocados na vida daquela pessoa quando ele alimenta o próximo. Você é cristão e nem sempre está disposto a cuidar de quem está doente, colocar dentro da sua casa e dar de comer."

A plateia, que inicialmente ria a cada frase da história, aplaudiu a palestra cujo exemplo vem de uma travesti. 
O relato é emocionante e transformador. Neste processo, só faltou o padre respeitar a identidade de gênero de Luana e tratá-la como "a" travesti e não como rapaz, né? Quem sabe numa próxima vez, né, padre? Afinal Luana mostrou que travesti definitivamente não é bagunça. 

Assista (começa em 07:05)::

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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