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Tailândia estuda acrescentar terceiro gênero na Constituição



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Embora seja considerado um dos países que melhor desenvolve as cirurgias de redesignação sexual (popularmente conhecida como mudança de sexo), a Tailândia ainda enfrenta grande atraso no que diz respeito às políticas públicas que garantam a dignidade humana das Kathoey (o nome que se dá às pessoas trans). Como medida de combater a discriminação, eles estudam acrescentar o terceiro gênero na Constituição.

+ O que significa o reconhecimento do terceiro gênero?


De acordo com o jornal El País, o comitê encarregado foi escolhido pelo Governo Militar que tomou o poder depois de um golpe de Estado em maio. E deve aprovar em agosto de 2016. A partir desta data, o grupo não vai ser mais visto legalmente do gênero masculino tampouco do feminino. Mas de outro gênero.

Caso seja aprovado, a Tailândia aceitará pela primeira vez um novo gênero, bem como os países asiáticos Índia, o Paquistão e o Nepal.

A medida se dá porque o Governo tailandês, ao contrário do Brasil, não permite retificar a designação de gênero no documento de identidade. “Podemos acrescentar um novo gênero, mas não trocar o seu sexo de nascimento”, afirma Kamnoon Sidhisaman, porta-voz do comitê.

“Se nos reconhecerem, talvez as pessoas como nós possam viver como gente normal e ter um trabalho normal, seja qual for nossa aparência. Queria ser comissária de bordo, médica ou outro trabalho que possa ser feito pelas mulheres”, declarou Ni, de 28 anos.

Além disso, a religião (sim, até o budismo) acaba dando suporte para a discriminação. Tudo porque existe a crença de as kathoey são vistos como pessoas de carma ruim, em razão do adultério nas vidas passadas. Há menos de cinco anos, o Ministério da Defesa considerava as trans pessoas com problemas psicológicos crônicos. 

“A discriminação faz com que as transexuais sobrevivam com o trabalho sexual, porque existem homens fascinados pelos seus corpos e porque não precisam validar sua identidade como feminina para realizar esse trabalho”, diz Jamison Green, presidente da Associação Mundial de Saúde para Transexuais.


O não reconhecimento da identidade faz com que o grupo passe por outros constrangimentos. A vencedora do Miss Tiffany’s Universe 2014, Nitsa Katrahong declarou que, caso fique doente sempre é colocada na ala masculina. “Sou uma mulher, mas meu documento de identidade diz que sou homem”, lamenta.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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