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Travestis em situação de vulnerabilidade terão prioridade no Minha Casa Minha Vida



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Travestis, mulheres transexuais e homens trans moradores de albergues terão prioridade nas unidades do programa Minha Casa Minha Vida, construídas em São Paulo. Publicada no Diário Oficial da Cidade no início desta semana, a norma complementar do projeto do governo federal partiu de uma resolução do Conselho Municipal de Habitação (CMH).

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Para tentar o programa, as travestis, mulheres transexuais ou homens trans que moram nos abrigos ou albergues municipais vão precisar comprovar que estão “oriundas e oriundos de situação de rua”. 

A nova fila prioritária também passa a englobar índios, gays que sofreram violência, idosos sozinhos, mulheres que sofreram violência doméstica e moradores em áreas limites de municípios vizinhos da capital paulista.

Anteriormente, o decreto de 2009 definia atendimento prioritário para moradores em áreas de risco, mulheres que cuidam sozinhas da família e casais de baixa renda com filhos. E não havia nenhum tipo de olhar sensibilizado para travestis que viviam situação de violência ou vulnerabilidade social.

O Fórum Paulista de Travestis e Transexuais declara, por meio do coordenador de mídia e comunicação Luiz Fernando Uchoa, que considera a iniciativa muito importante, pois visa suprir o resultado da transfobia latente do país, que marginaliza o grupo e consequentemente impede que muitas pessoas consigam a casa própria.

“Basta se assumir travesti, mulher transexual ou homem trans para sermos marginalizados. Dentro da família, que muitas vezes expulsa de casa; na escola, que não respeita a identidade de gênero, e no mercado de trabalho, que fecha as portas. Então, a realidade é que elas acabam sendo empurradas para a prostituição enquanto os homens trans para os subempregos. É por isso que é importante pensar na comunidade e também em prioridade para este programa. Não estamos falando de privilégios para quem tem oportunidades iguais, mas de ações para pessoas que estão em situações de vulnerabilidade”.

Em São Paulo, há 8 mil pessoas atendidas todos os dias nos 62 albergues e casas de acolhimento do governo. A gestão de Fernando Haddad (PT) está construindo 22 mil unidades do Minha Casa Minha Vida e a meta até o fim de 2016 é construir 55 mil unidades para famílias que ganham menos de R$ 1.600 mensais.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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