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Desaparecida? Travesti Verônica Bolina segue presa em CDP 3 de Pinheiros



Por Neto Lucon

A travesti Verônica Bolina, que foi presa no último ano após agredir uma senhora e que sofreu violência policial, foi alvo de um boato que circulou na internet na noite de domingo (14). Uma postagem com mais de 10 mil compartilhamentos dizia que ela estava desaparecida há três meses, incomunicável e que queriam encontrá-la viva ou morta.

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O NLUCON apurou e noticia que Verônica NÃO está desaparecida e que segue presa no Centro de Detenção Provisória 3 de Pinheiros - Avenida nações unidas, 1230, vila Leopoldina, em São Paulo. A informação foi confirmada pela Secretaria de Administração Penitenciária, do Governo do Estado de São Paulo.

“Informamos que a transsexual Verônica Bolina está presa no Centro de Detenção Provisória III de Pinheiros desde 16/04/2015”, diz o e-mail assinado pela assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária Mariana Borges, na tarde desta segunda-feira (15).

O boato do “desaparecimento” começou a ser desvendado quando o advogado e agente da Pastoral Carcerária Carlos Marcondes afirmou que havia encontrado com Verônica há uma semana, durante as comemorações do carnaval.

“Os agentes visitam periodicamente os presídios de São Paulo, prestando assistência humanitária e religiosa às pessoas presas. Estivemos por mais de uma hora no “raio” do CDP onde Verônica está – não para falar com ela especificamente, mas o contato com as presas mais vulneráveis sempre é feito, sobretudo com a população trans. Ao fim da nossa visita, fomos até ela, a cumprimentamos e conversamos brevemente”.

Carlos afirma que Verônica “pareceu muito bem” – “claro, no contexto das violações a direitos rotineiramente impostos à população presa” – “estava sorridente, nos disse para aproveitarmos o carnaval”. Ele afirma que ela sequer imagina que estão dizendo que está desaparecida ou procurada. “Não mencionou nada a respeito e, tendo contato restrito com o mundo exterior, não teria como se inteirar disso”, declarou ele.

A SUSPEITA

A militante Agatha Lima, que compartilhou a foto de Verônica sinalizando que ela estava desaparecida, declarou que a preocupação e o mal entendido ocorreram após postagens de amigos e familiares em um grupo de whatzap chamado “Ajuda para Verônica”. Eles diziam não conseguir mais contato com ela, que Verônica havia desaparecido e que cartas enviadas retornaram. Como ela já havia sofrido violência policial anteriormente, as declarações promoveram alarde geral.

“Todas as postagens que fiz saiu de amigos da mesma, vindo da família. Isso mostrou que a militância estava quase esquecendo do caso. Que não se acomodem mais”, disse Agatha.

Até o fechamento da reportagem a família não se pronunciou sobre os rumores*. Sobre as declarações de que as correspondências que voltaram - cuja denúncia também não é oficial - há a hipótese de que não estejam corretamente endereçadas. No complexo de CDP de Pinheiros, existem quatro presídios, cada um com quatro "raios" e 16 unidades diferentes. Para enviar correspondências é necessário mencionar dados específicos, como o nome e a matrícula da pessoa presa.

Cássio Rodrigo, presidente do Conselho Estadual LGBT, declarou por meio de nota que é preciso “maior responsabilidade para com o que é divulgado nas redes sociais”. E declarou que dentre a função do conselho está a de “monitorar os desdobramentos e medidas adotadas visando a resolução ou minoração dos danos praticados”. “A Sra. Verônica Bolina está sendo assistida pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo (...) em nenhum fomos questionados sobre os atuais encaminhamentos (...) tais postagens possuem fins meramente políticos e não de interesse da coletividade ou da democracia e justa constrição de políticas públicas pró-LGBT”.

SOMOS TODOS VERÔNICA

Verônica foi indiciada por agredir uma vizinha em abril de 2015 e morder a orelha de um carceireiro. Ela foi indiciada por tentativa de homicídio, dano qualificado, desacato, resistência e lesão corporal.

A história tomou outra repercussão depois que Verônica foi exposta desfigurada e com os seios de fora nas redes sociais, mostrando ter sido espancada pela polícia. A violência sob custódia do Estado motivou muitos militantes e defensores dos direitos humanos a lançarem a campanha "Somos Todos Verônica", que criticava a maneira violenta como travestis são tratadas nestes espaços.




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Vale lembrar que ela estava sendo defendida pela Defensoria Pública, mas preferiu um advogado particular. Após não ter dinheiro para pagar as horas do advogado, o mesmo deixou o caso. E, agora, ela voltou a ser defendida pela Defensoria.

Todo alarde mostra que Verônica não desapareceu, mas que foi por algum momento esquecida. Fica a dúvida: Somos todos sempre Verônica?

* A mãe de Verônica, Marli Ferreira, publicou após a reportagem publicada, em seu Facebook: "Não acreditem em boatos. Minha filha está bem, estou falando no CDP de Pinheiros por telefone e ela está bem na medida do possível". 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

Anônimo disse...

Ativistas malucos. Travesti marginalizada, criminosa e ainda gente louca defendendo ela. Que piada

gigante disse...

Concordo uma louca dessa quase matou uma idosa e vem um tal de somos todos Verônica e blá blá

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