Pride

LUTO: Morre a travesti Marina Garlen, ícone das artes e militância na Bahia




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Morre aos 49 anos a artista e militante travesti Marina Garlen – um dos maiores ícones da Bahia. Ela estava em São Paulo a convite para se apresentar em eventos de comemoração à Visibilidade Trans, e foi vítima de parada respiratória e embolia pulmonar na madrugada de domingo (13).

+ Assista ao vídeo de Marina para a campanha "Sou Travesti e Quero Dignidade e Respeito"


Marina chegou a receber atendimento do Samu, mas não resistiu. Um translado foi providenciado pela Secretaria de Justiça, Cidadania e Desenvolvimento Social do Estado da Bahia. E o enterro ocorre nesta terça-feira (1) em Simões Filho, Salvador.


Com 35 anos de carreira, Marina tornou-se conhecida pela veia artística e também no papel como militante. Além de ser considerada uma das melhores em performances e dublagens, ela integrava a Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), fez parte da equipe do Centro de Promoções e Defesa dos Direitos LGBT Michelly Marry Gomes e também como Conselheira de Cultura LGBT do Ministério da Cultura.


Em entrevistas, declarou que teve que sair de casa no interior da Bahia aos 16 anos pelo preconceito. "Quanto mais a minha família me discriminava, mais eu tinha aquela mulher dentro de mim, que tinha que sair de qualquer maneira”, disse. Morou em Salvador e depois partiu por quase duas décadas para a Itália e Portugal, onde declara ter conquistado bagagem artística. De volta à Bahia, trouxe o talento para interpretar as grandes divas da música mundial.

Em janeiro fez um comunicado com "muita tristeza" de desligamento do movimento LGBT. "Conheci grandes personalidades e avancei muito meu aprendizado, mas o racismo, preconceito dentro do próprio movimento vem me entristecendo a cada dia, e não tenho mais estrutura para continuar a ver tantas injustiças", escreveu ela, tecendo elogios à Keyla Simpson e dizendo que finalizaria as suas atividades na Visibilidade Trans de 2016 a convite de Fernanda de Moraes. "Obrigada a todos e todas pelo carinho, beijos no coração e a vida segue".



Em sua página pessoal, ela se descrevia como uma pessoa de “dentro pra fora”, sonhadora e intensa. “Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em meus sonhos, sonho alto. Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina e vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário enlouqueço e deixo rolar. Não me doo pela metade, não sou meio amiga e nem teu quase amor. Ou sou tudo ou nada. Sou pessoa de riso fácil e choro também”.

Amigos, fãs, familiares e admiradores escreveram inúmeras mensagens nas redes sociais.


O primeiro e último contato pessoal do NLUCON com Marina ocorreu no dia 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans. Ela estava em um barzinho no centro de São Paulo com outros militantes travestis, mulheres transexuais e homens trans, bem como Fernanda de Moraes, Luciano Palhano, Andreia Lais Cantelli. E mostrou ser realmente uma travesti encantadora, inteligente e divertida. Demos um forte abraço e ela disse "até que enfim" e brindamos. Na manhã do dia 30, mandou uma mensagem dizendo que não se sentia bem e que iria para a casa de um amigo. Para a surpresa de todos, saiu à francesa do palco da vida, mas cheia de aplausos, saudade e missão cumprida.

Agora, virou estrela de verdade.



About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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