Pop e Art

Ongs de trans mobilizam ações para cinemas que relutam exibir “A Garota Dinamarquesa”





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O filme “A Garota Dinamarquesa”, que tem sete indicações ao Oscar neste ano, estreou no Brasil no dia 11 de fevereiro, mas algumas salas de cinema comercial resistem ou optaram por não colocar em cartaz o drama da artista transexual Lili Elbe. Diante disso, algumas associações e ongs de travestis, mulheres transexuais e homens trans resolveram questionar, emitir nota de repúdio e fazer pedidos oficiais. Alguns deram certo.

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Para quem não sabe, a obra de conta a história de Lili, a primeira mulher transexual a passar pela cirurgia de redesignação sexual (a mudança de sexo) no mundo, e sua esposa Gerda (Alicia Vikander). O longa é elogiado por tratar com respeito e sem caricaturas a personagem transexual, além de colocar na sétima arte um drama histórico.

Um dos exemplos de resultado positivo foi o promovido pela Associação em Defesa dos Direitos Humanos com Enfoque na Sexualidade – a Adeh - de Florianópolis. Além de conseguir que o filme entrasse em cartaz, a associação realiza nesta quarta-feira (24), às 19h uma sessão gratuita para a população trans. Os e as interessadas devem enviar um e-mail para atendimento.adeh@gmail.com.

A coordenadora geral da Adeh, Lirous Ávila declarou que o processo para que o filme entrasse em cartaz não foi simples. Ela chegou a receber uma resposta mal educada de uma atendente ao perguntar sobre a programação, a emitir uma nota de repúdio e precisou entrar em contato com a Universal no Brasil. Após a ação bem sucedida, o filme entrou em cartaz no Beiramar Shopping, em Florianópolis, e no Continente Park, em São José.

"Este é um filme que desmistifica tudo o que é pregado contra a população trans, o preconceito e a referência pejorativa. Faz cair por terra também essa junção que fazem de orientação sexual e identidade de gênero. E é por todas essas questões que muita gente não quer que o filme seja exibido", diz Lirous. Ela explica que a ação de levar gratuitamente trans ao cinema não se trata de uma parceria com a empresa, mas uma ação feita por meio de doações.
 





EM BELÉM

A polêmica se estendeu para Belém, no Pará, cujas salas de cinema também não tinham data marcada para a estreia de A Garota Dinamarquesa. E que mobilizou internautas que estavam ansiosos para o filme a procurarem os responsáveis.


Após uma campanha virtual, a Universal Pictures se posicionou dizendo que não houve censura, mas que o filme estreou no país com um número limitado de salas. E o Cine Líbero Luxardo disse que o exibidor não aceitou as condições comerciais da distribuidora para que o filme pudesse ser exibido.

Mesmo assim, o Núcleo do Consumidor da Defensoria Pública do Estado chegou a solicitar na segunda-feira (22) o motivo das redes de cinema não terem disponibilizado o filme. E culminou no anúnico de que a partir de quinta-feira (25) o filme estrará em cartaz nos cinemas Cinépolis Boulevard e Cinépolis Parque Belém.

NO RIO

A Ong TransDiversidade Niterói, do Rio de Janeiro, também está fazendo uma campanha virtual para que o longa seja exibido no Plaza Shopping Niteroi. No texto, pede para que todas as pessoas façam parte de uma manifestação virtual.

“Queremos que esse filme passe no cinema do Plaza Shopping porque é um dos poucos que retrata a história de uma mulher transexual sem utilizar de estereótipos caricatos, deboches ou com apelos sexuais para nos apresentar”, diz a organizadora e militante transexual Bruna Benevides.

A campanha, que tem previsão de tomar as redes e mobilizar apoiadores até o dia 4 de março, conta com mais de 2 mil pessoas. Até o momento sem nenhum resultado efetivo. Para participar, clique aqui e informe que irá comparecer.

Outra campanha no Rio pede que o Planet Cinemas, de Macaé, exiba o filme. Ela foi organizada por Maria Eduarda, que alega que apenas duas salas do Rio estão exibindo o filme. "Os municípios da região leste estão prejudicados e sem acesso à obra. Vamos participar da campanha virtual", pede ela. Clique aqui e participe. 


OUTRA SUGESTÃO

A psicóloga e pesquisadora Jaqueline Gomes de Jesus, que faz parte da comunidade trans, escreveu em seu Facebook que não apoia as campanhas para o filme A Garota Dinamarquesa passar em cinemas que não incluíram na programação. Para ela, há outra opção de filme que dialoga muito mais com os anseios da comunidade.

“Deveria ser feita campanha para um filme independente, estrelado por atrizes trans, como Tangerine (de Sean S Bake). E não para um filme comercial sobre uma mulher trans, porém estrelado por um ator cisgênero”, escreveu.  

Tangerine? Assista aos trailers. E, na dúvida, vá conferir os dois:



About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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