Pride

Tá ficando difícil para os homofóbicos; o boxeador Manny Pacquião sabe disso



Por Neto Lucon

Não adianta vir com pedido de desculpas. Nenhum discurso LGBTfóbico será tolerado ou encarado como mera opinião. O boxeador filipino Manny Pacquião aprendeu isso às duras penas essa semana. E acabou perdendo patrocínio da Nike - sim, dinheiro - por conta de sua homofobia.

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Tudo porque durante uma entrevista em seu país, o Manny simplesmente achou ok dizer que é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que "homossexuais são piores do que animais".

"Você vê animais que ficam macho com macho ou fêmea com fêmea? Os animais são melhores porque sabem distinguir macho de fêmea? Então, os animais são ainda melhores, porque sabem distiguir macho de fêmea, certo? Agora, se deixarmos macho com macho ou fêmea com fêmea, isso, nos torna pior do que animais", declarou.

Após as declarações infelizes - afinal, mal sabe ele que há incontáveis espécies de animais que se relacionam com outras do mesmo sexo - a Nike resolveu romper o contrato de 10 anos. E nem mesmo as 57 vitórias do boxeador e um xoxo pedido de desculpas dele a fez mudar de ideia.

"Achamos os comentários detestáveis. A Nike se opõe fortemente à discriminação de qualquer tipo e tem longo histórico de apoio e manifestação a favor dos direitos da comunidade LGBT. Nós não temos mais relação com Manny Pacquiao", informou em comunicado. Um nocaute. 

RIO COM HOMOFOBIA

Outro exemplo de que discursos marcados pelo preconceito não passarão ocorreu com o deputado federal do Rio de Janeiro Ezequiel, que declarou que acreditava em "cura gay", esvaziou o programa Rio Sem Homofobia e fechou quatro centros de assistência aos LGBT.

Tudo sendo o Secretário de, pasmem!, Direitos Humanos, cargo que ficou pequeno comparado às suas convicções religiosas. Ele também é fundador da igreja evangélica Projeto Nova Vida, entendeu?




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Por tais declarações, o governador Pezão lamentou as declarações, disse ser "totalmente contrário ás posições de Ezequiel" e declarou que Ezequiel estava exonerado do cargo. Sim, o deputado-pastor teve que pegar a sua pastinha, o baquinho e as convicções religiosas e sair de fininho.

E AINDA...


Teve também uma alternativa frustrada de um grupo homofóbico na Austrália chamado The Stop Safe Schools Coalition. Eles tentaram atrapalhar uma festa LGBT do grupo Minus18, que tinha a premissa de deixar todos se vestirem e serem como são. Como sabia que a festa arrecadava fundos na internet para a realização, resolveram comprar todos os ingressos para que ninguém fosse.

"Quanto mais ingressos foram vendidos para nós, mais crianças vamos proteger". Acabou que ajudou a recadar mais fundos que o esperado e os organizadores deixaram a festa com entrada gratuita para todos. 


Pois é... Muita gente, esquecendo que muitas outras morrem por suas "meras opiniões" marcadas pelo preconceito, promovem a homofobia nos discursos e ações. Mas nos últimos tempos temos que reconhecer que a vida está ficando mais difícil para os homofóbicos. E vai ficar cada vez mais...

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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