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Camila Ribeiro revela transfobia no mundo da moda: “Tive que engolir pra seguir”



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Depois de Lea T estourar no mercado internacional, várias agências começaram a investir em modelos transexuais. E Camila Ribeiro, de 24 anos, é uma das poucas que sobreviveram ao boom e que continua na ativa.

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Em entrevista ao Fashion Foward, ela declarou que sofre transfobia, sim. E que muitos clientes tem resistência por empregar uma modelo que é mulher transexual.

“Já passei por uma situação completamente absurda: uma cliente subestimou a mentalidade dos seus clientes, alegando que eram pessoas que não entenderiam ‘aquilo’. Preferi não levar isso adiante. Não ai ser a primeira, e nem a última. Infelizmente tive que engolir isso para seguir em frente”, declara.

Consciente, Camila afirma que a transfobia no mundo da moda é só mais um dos espaços onde o preconceito aparece. “Entendo que é apenas mais um meio, além das escolas, mercados formais de trabalho e ‘ambientes familiares’, que revelam a intolerância contra pessoas trans na sociedade. É um reflexo da sociedade transfóbica em que vivemos”.

Natural de Manaus, Amazonas, ela revela que foi descoberta como modelo quando estava fazendo fitting e fotos para o projeto de um amigo durante a faculdade de moda. “Fui incentivada por ele a procurar uma agência, e resolvi tentar. Fui a São Paulo e foi então que tudo começou”. Ela é agenciada pela Joy Model Management.



Em sua carreira, Camila já posou para a revista gringa Candy, esteve em trabalhos da Givenchy em Paris e continua com tudo. Ela diz que adora trabalhar com pessoas criativas e que adora o trabalho de Galliano. “Se McQueen estivesse vivo, com certeza (gostaria de trabalhar) com ele. Também gosto do período de Galliano na Dior. Me encanta a teatralidade no trabalho de ambos. Galliano também está fazendo um trabalho brilhante na Maison Margiela”.

Ao comentar como é o seu guarda-roupa, a top garante que preza pelo conforto e peças básicas. “Gosto da estética 90’s, jeans bruto, cortes simples e masculinos, formas oversized. Prefiro preto, listras e às vezes arrisco em tons de bege e terrosos”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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