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Com infecção nos seios, mulher transexual acusa hospital do RJ de omissão e transfobia

Kauana Vitória da Silva, mulher transexual de 22 anos, acusa o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, no Rio de Janeiro, de tratá-la com transfobia ao dar entrada na última quarta-feira (16) com dores nos seios e febre.

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Segundo ela, o hospital se negou a chamá-la pelo nome social, colocando o nome de registro na ficha, além de dar alta antes da cura dos sintomas. Ela chegou a registrar um boletim de ocorrência na 60ª DP (Campos Elíseos).

Ao jornal carioca O DIA, Kauana declarou que chegou ao hospital desconfiada de que sua prótese ocasionou uma infecção. Ela foi encaminhada para a emergência e recebeu o diagnóstico de mastite (doença que inflama o tecido mamário). Mas ao ser internada acabou sofrendo vários transtornos.

“Logo de início, percebi que não colocaram o meu nome social na ficha por puro descaso. Eles disseram que não poderiam colocar e ainda queriam me incluir na mesma sala que homens. Passei por vários constrangimentos”, declara ela, que foi encaminhada para a ala feminina.

Depois, os médicos a internaram para uma cirurgia e orientou vários cuidados pré-operatório, bem como jejum e o uso de objetos de higiene pessoal. Mas na sexta-feira (18), de acordo com ela, o plantonista não quis realizar a cirurgia. E, no sábado (18), ela recebeu alta. “Tentei dizer que não estava boa, mas praticamente me colocaram para fora do hospital. Continuo com dores e febres”, declarou.

Em nota, a direção do hospital alegou que a paciente deu entrada no setor de pronto-atendimento às 5h45 e às 10h54 foi encaminhada para a enfermaria feminina. Ela teria recebido um tratamento venoso com antibióticos e recebeu alta após o resultado dos exames apontarem um quadro normal.


Sobre a cirurgia, a direção disse que o quadro da jovem não indicava a necessidade de uma cirurgia de emergência. E que a indicação é que ela procurasse o médico que colocou a prótese para avaliação do implante. Já sobre o nome social, o hospital disse que no prontuário há o nome social e o de registro.

Fotos mostram que na pulseira que identificava Kauana estava apenas o nome de registro.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

thamiresgarcia disse...

Isso já e normal em hospital do governo ....

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