Pop e Art

Documentário “Sexo Neutro” traz debate franco sobre sexualidade e gênero



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O documentário Sexo Neutro, do diretor Evandro Manchini, reúne gays, lésbicas, bissexuais, travestis, mulheres transexuais, homens trans para um debate franco sobre orientação sexual, identidade de gênero e outras possibilidades.

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Produzido a partir da obra teatral homônima de João Cícero - que fala sobre a transição de uma pessoa designada mulher ao nascer, mas que se identifica com o gênero masculino - o doc aborda a vida de personagens distintos e que tem em comum muito mais que a sigla LGBT: a falta de entendimento da sociedade.

Ele fala sobre as primeiras descobertas, a luta pelo reconhecimento da identidade, preconceito e a luta ao direito à orientação sexual. Vale lembrar que orientação sexual refere-se ao desejo-afetivo-sexual por alguém (homossexual, lésbica, bissexual, panssexual, assexual...), enquanto identidade de gênero refere-se ao gênero com o qual você se identifica (travesti, mulher transexual, homem trans, cisgênero, transgênero...). 


O homem trans Eduardo Cruz, por exemplo, disse que desde quando tinha cinco anos pedia para o pai o tratar por um nome masculino. Ele afirmou que ficou durante um tempo na caixinha “lésbica”, mas garante que se assumir trans o libertou. “Depois do processo de hormonização, tive a oportunidade de me encontrar de novo”. Ele diz ter a orientação sexual fluída, podendo se relacionar com pessoas sejam eles ou elas cis ou trans.  


Julia Cardoso, mulher transexual, relatou que uma das suas primeiras vivências dentro da comunidade LGBT foi quando foi a uma balada gay. Apesar de ter sido o local onde se reconheceu inicialmente, ela diz que atualmente não fica mais com homens gays. “Só fico com homem que fica com mulher, porque eu não sou gay, sou uma mulher (heterossexual)”.

Bárbara Aires, militante transexual, derruba alguns mitos em seu discurso. Como o de não existir crianças trans – “Eu já era mulher transexual enquanto criança, isso só não era entendido” – da necessidade de perguntar o nome do RG – “Você não tem que falar o nome de registro dela” – e também das caixas prontas, e nem sempre confortáveis, que colocam as transexuais.

 “Os médicos dizem que a transexual é aquela que tem aversão ao seu órgão genital, mas isso não é verdade. Existem pessoas transexuais que lidam bem com o seu genital, mas que esta questão da cirurgia de redesignação sexual é algo pessoal”, explicou ela. 
O documentário recebeu apoio da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e Banco do Brasil.

Assista:


SexoNeutro.doc from Evandro Manchini on Vimeo.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

●๋• Gαвяιєℓ Rєzєη∂є ●๋• disse...

Mesmo sendo gay e ter sofrido um pouco para me aceitar, acho que a questão trans é mais complicada ainda, quem sabe o mundo um dia entenda que são apenas pessoas buscando o que todo ser humano deseja, FELICIDADE.

●๋• Gαвяιєℓ Rєzєη∂є ●๋• disse...

Mesmo sendo gay e ter sofrido um pouco para me aceitar, acho que a questão trans é mais complicada ainda, quem sabe o mundo um dia entenda que são apenas pessoas buscando o que todo ser humano deseja, FELICIDADE.

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