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Mulheres transexuais já se candidatam ao experimento de transplante de útero



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Os avanços da técnica inovadora de transplante de útero da clínica Clevelande, nos EUA, continuam sendo aperfeiçoados. E, de acordo com o site internacional Stat, indica cada vez mais que mulheres transexuais também poderão engravidar no futuro. Há até mesmo candidatas ao experimento.

Chatisty Bowick (foto), de 30 anos, é uma delas. “Eu espero que isso se torne uma realidade e eu absolutamente estou disposta a passar pela experiência”, declarou ela, que revelou ser mulher transexual aos 19 anos e que tem o sonho de ser mãe desde criança. 

“Antes mesmo de ser madura o suficiente para entender esse conceito, eu queria ser mãe. Eu não sabia como isso iria acontecer, mas era o que eu mais queria. A gravidez é uma experiência muito bonita ”, disse.

A técnica consiste em transplantar o útero de uma doadora e deixa-lo sem as ligações com os ováriosOs cirurgiões da Cleveland já fizeram um procedimento de transplante de útero em uma mulher cis e esperam realizar outras seis cirurgias como parte do ensaio clínico.

Sobre as cirurgias realizadas em mulheres transexuais, a médica Karine Chung da University of Southem California Keck School of Medicine, declarou que será possível futuramente. O prazo é entre 10 anos ou menos. 
Ela adiantou que o corpo precisará passar por preparações.

A CIRURGIA

Primeiro, a mulher transexual precisaria passar pela redesignação sexual e também criar um espaço para o útero. Isso exigiria, por exemplo, alargar a entrada pélvica, que é substancialmente mais estreita em corpos considerados masculinos. O paciente precisaria esperar cerca de um ano para se submeter então ao transplante de útero, que chega a levar 9h.

Será necessário anexar uma ramificação de grande artéria ao útero para que supra a ausência de veias e artérias uterinas para nutrir o ventre. A hormonização também sofrerá algumas alterações orientadas pelo médico – bem como mulheres cis na menopausa - para que haja suporte para as mudanças da gestação.

O útero implantado não teria ligações com as trompas do Falópio e, por esse motivo, a fertilização seria in vitro, com posterior implante do embrião em quem recebeu o órgão. Os médicos dizem que a mulher transexual pode atuar mais que uma “barriga de aluguel”, mas também participar geneticamente da gestação. Para isso, ela precisaria armazenar o seu esperma antes da transição.

Depois, terá que tomar muitos medicamentos para que o organismo não rejeite o órgão. A clínica ressalta que o útero poderá ser utilizado em uma gravidez ou duas no máximo, tendo que ser retirado logo após o parto. Apesar de nada disso ter sido testado com sucesso anteriormente, a expectativa é positiva. “As anatomias feminina e masculina não são tão diferentes”, diz Chung. “Em breve vamos descobrir como fazer tudo isso”.

TER UM FILHO

A psicóloga Deborah Simmons diz que a questão da gestação por uma mulher trans não a surpreende. “Se você é uma mulher trans, esta é uma das possibilidades de completar um sonho. Olhando como mulher, sentindo-se como mulher e também ser capaz de ter um filho como uma mulher. A oportunidade para isso está soprando a mente das pessoas, é um bom caminho”.

Apesar de se candidatar. Chatisty declara que ter um filho não vai contribuir para ser uma mulher mais completa. “Há mulheres biológicas que não podem ter filhos e elas não são menos mulheres por causa disso”, pondera.

Angelica Ross, presidente-executiva da TransTech Sociais, declarou que a iniciativa pode não funcionar para mulheres trans. “Muitas mulheres transexuais enfrentam discriminação no passado e, por isso, não têm os recursos financeiros para pagar pelas várias cirurgias. A maioria das pessoas trans mal são capazes de cuidarem de si mesmas, muito menos de uma criança”.

Ela afirma, contudo, que a ideia de poder engravidar após a redesignação sexual é excitante. “Adoro viver em um lugar onde alguém como eu pode ter a chance de ter filhos”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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