Pride

Travesti de 17 anos leva tiro na cabeça, fica 35 dias em coma e sobrevive no Piauí

Aos 17 anos, a travesti Pâmela Leão quase se tornou estatística em listas de assassinatos por transfobia. Ela levou um tiro na cabeça durante o Corso de Teresina, no dia 30 de janeiro, ficou em coma por 35 dias e sobreviveu para contar a trágica história. 

+ Homens trans são assassinados, mas casos não viram estatística


Pâmela foi baleada na cabeça enquanto dançava e foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). As investigações apontam que um subtenente da PM pode ser o dono da arma que disparou contra ela, mas o delegado Aldemar Canabrava, , titular do 12º Distrito Policial, declarou que não há nada confirmado.  

"Ainda não podemos dizer qual o envolvimento do militar no caso. O que há é a suspeita de que a arma seja dele, porque o PM registrou boletim de ocorrência informando do roubo de um revólver e também por ter trabalhando durante o Corso. Estamos investigando e cruzando os dados", disse ao G1. 

Uma semana após sair do coma, a vítima voltou a falar, a se movimentar e a interagir com os familiares. Atualmente, ela passa por sessões de fisioterapia para ajudar nos movimentos das pernas e braços e se alimenta por gastrotomia. O diretor do Hospital de Urgência de Teresina, Gilberto Albuquerque, disse estar surpreso com a recuperação e com o fato de Pâmela estar viva após a violência.

"Para uma pessoa que recebeu um tiro na cabeça, no qual a bala atravessou o crânio, e tinha poucas chances de vida, é um milagre a evolução dela. Ainda é cedo para avaliar se haverá alguma sequela, mas a paciente consegue falar baixinho, entende e responde as pessoas, movimenta os membros superiores e inferiores", revelou.

Amigas de Pâmela e o suspeito do assassinato já foram escutados pela polícia. O depoimento da travesti será peça chave na elucidação do caso. E, segundo Canabrava, o inquérito está bem próximo de ser finalizado. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.